Presidente do Sinepe/ES, Moacir Lellis, falou ao programa De Olho na Cidade sobre os desafios da educação diante das transformações tecnológicas, sociais e ambientais

Como preparar crianças e jovens para um futuro marcado pela inteligência artificial, pelas transformações digitais e por desafios como sustentabilidade, inclusão e saúde mental? Essas são algumas das questões que estarão no centro do 14º Congresso Educacional das Escolas Particulares do Espírito Santo, realizado nos dias 20 e 21 de agosto, no Centro de Convenções de Vitória.

O evento foi tema de entrevista do presidente do Sindicato das Escolas Particulares Espírito Santo (Sinepe/ES), Moacir Lellis, à jornalista Tatiana Sobreira, no programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória, nesta terça-feira (18).

Promovido pelo Sinepe/ES, o congresso reúne profissionais da educação para discutir temas relacionados às mudanças enfrentadas pelas escolas e pela sociedade. A programação aborda assuntos como inteligência artificial, sustentabilidade, inclusão, saúde mental, neurociência, inovação e novas metodologias de aprendizagem.

Segundo Moacir Lellis, a escolha do tema “Educação para um futuro sustentável: formando cidadãos para o mundo” está relacionada aos desafios ambientais e às transformações que devem impactar as próximas gerações.

“A nossa função é preparar esses jovens para que o tema sustentabilidade seja bem discutido, para que essas crianças e esses jovens, quando estiverem lá em 2050, reconheçam o trabalho que as nossas escolas fizeram em prol dessa sustentabilidade.”

Inteligência artificial exige novas formas de ensinar

Outro tema central do congresso é o avanço da inteligência artificial. Para o presidente do Sinepe/ES, a tecnologia já faz parte da realidade de diferentes profissões e também deve ser compreendida como uma ferramenta dentro do processo educacional.

Moacir afirmou que as transformações tecnológicas também provocam mudanças na própria dinâmica da sala de aula. Segundo ele, o modelo em que o professor ocupava sozinho a posição central no processo de transmissão do conhecimento vem dando espaço a uma participação mais ativa dos estudantes.

Na avaliação do educador, a inteligência artificial não deve substituir completamente o trabalho humano, mas pode contribuir para o desenvolvimento de novas atividades e tecnologias.

“O ser humano jamais será substituído. A inteligência artificial é uma ferramenta para que você desenvolva com mais facilidade as novas tecnologias.”

A discussão, segundo Moacir, envolve também a preparação dos estudantes para um mercado de trabalho em constante transformação. Além do domínio de conteúdos tradicionais, crianças e jovens precisam desenvolver competências relacionadas à criatividade, autonomia, planejamento e capacidade de adaptação.

Inclusão e saúde mental estão entre desafios das escolas

A programação do congresso também pretende discutir questões relacionadas à inclusão e à saúde mental. Entre os convidados estão Mônica Pitanga e Luísa Pitanga, que devem abordar temas relacionados aos direitos das pessoas com deficiência e à educação inclusiva.

Para Moacir Lellis, as escolas enfrentam atualmente novos desafios relacionados à socialização e ao acolhimento dos estudantes.

Ele também destacou os impactos percebidos na sociedade após a pandemia e a necessidade de ampliar o debate sobre saúde mental dentro das instituições de ensino.

“Depois da pandemia, a sociedade está doente. Então, o congresso está abordando os temas que nós precisamos no dia a dia dentro da escola, da sala de aula.”

A programação inclui ainda a participação da pedagoga e escritora Jane Haddad, que vai falar sobre saúde mental e caminhos de escuta e cuidado voltados a estudantes e profissionais da educação.

Segundo o presidente do Sinepe/ES, o debate não envolve apenas os alunos, mas também professores, técnicos e outros trabalhadores que fazem parte da rotina escolar.

Formação continuada é apontada como necessária para educadores

Questionado sobre a preparação dos professores para ensinar uma geração que já nasceu em contato com a tecnologia, Moacir destacou a importância da formação continuada.

Segundo ele, a atualização dos profissionais precisa acompanhar as mudanças que surgem na educação, especialmente em temas como inteligência artificial, inovação e transformações sociais.

“Formação continuada. Nossos mantenedores têm que dar formação continuada nos temas que nós estamos falando aqui agora, como inteligência artificial.”

O presidente do Sinepe/ES citou ainda as missões educacionais realizadas pela entidade em países que se destacam em avaliações internacionais de educação.

De acordo com Moacir, representantes de instituições capixabas já participaram de visitas e intercâmbios em países como Chile, Portugal, Finlândia, Dinamarca, Singapura, Inglaterra, Polônia, Canadá, Israel e Coreia do Sul.

A proposta, segundo ele, é conhecer experiências e ferramentas utilizadas em diferentes sistemas educacionais.

Moacir lembrou, por exemplo, uma visita realizada a Singapura em 2017, quando integrantes da missão tiveram contato com tecnologias que, segundo ele, passaram a ganhar maior presença em outros países nos anos seguintes.

Projetos incentivam pesquisa e autonomia dos estudantes

Durante a entrevista, o presidente do Sinepe/ES também destacou iniciativas voltadas à participação dos próprios alunos na produção de projetos e pesquisas.

Uma delas é o Sinepe em Ação, que reúne trabalhos desenvolvidos por instituições de ensino em parceria com as comunidades onde estão inseridas.

Os projetos podem envolver temas como sustentabilidade, meio ambiente e outras áreas de interesse social e científico.

Segundo Moacir, a edição anterior reuniu 162 projetos desenvolvidos por instituições de diferentes níveis de ensino, desde a educação infantil até o ensino superior.

Para o presidente da entidade, o incentivo à pesquisa desde os anos escolares pode contribuir para a formação de estudantes interessados em iniciação científica e no desenvolvimento de novas soluções.

Moacir também citou discussões com instituições capixabas sobre formas de ampliar o apoio a esse tipo de iniciativa.

“Imagine eu pegar um aluno do nono ano, do primeiro, segundo ou terceiro ano do ensino médio, e já começar com a iniciação científica. Quando ele chegar ao ensino superior, esse menino vai estar voando.”

Congresso reúne educadores de escolas públicas e privadas

Embora seja promovido pelo Sinepe/ES, o congresso não é direcionado exclusivamente às instituições privadas. Segundo Moacir Lellis, profissionais de escolas municipais, estaduais e outras redes de ensino também participam do evento.

A expectativa da organização é reunir cerca de dois mil profissionais da educação, incluindo gestores, mantenedores, diretores, coordenadores pedagógicos, professores e outros especialistas.

No momento da entrevista, o presidente do Sinepe/ES informou que aproximadamente 1,5 mil participantes já estavam inscritos.

“É um congresso para melhorar e elevar o nível da educação do Espírito Santo cada vez mais.”

A programação também conta com espaços específicos para inovação e ensino superior.

Ao encerrar a entrevista, ele reforçou a importância da educação para diferentes áreas da sociedade.

“Quando você investe em educação, você melhora a saúde, o meio ambiente, melhora tudo, melhora a segurança. Então, é isso que nós precisamos fazer: investir cada vez mais em educação.”

O 14º Congresso Educacional das Escolas Particulares do Espírito Santo acontece nos dias 20 e 21 de agosto, no Centro de Convenções de Vitória. A programação começa às 10h30 de quinta-feira (20) e às 9h de sexta-feira (21).

A entrevista completa com Moacir Lellis pode ser conferida nos canais digitais da Jovem Pan News Vitória.

Por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória

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