A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, cumprindo 18 mandados de busca e apreensão em uma nova etapa da investigação que apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), amplia as investigações relacionadas ao Banco Master e à destinação de recursos de fundos públicos de previdência para investimentos considerados irregulares.

As diligências foram realizadas em diferentes endereços ligados aos investigados, com o objetivo de apreender documentos, computadores, celulares e registros financeiros que possam auxiliar na identificação de novos envolvidos e no aprofundamento das investigações.

Investigação ganhou dimensão nacional

A Operação Compliance Zero teve início em 2024 e, desde então, tornou-se uma das maiores investigações da Polícia Federal voltadas ao sistema financeiro brasileiro. O foco inicial era apurar supostas irregularidades envolvendo operações do Banco Master, mas, com o avanço das investigações, o inquérito passou a abranger um possível esquema de favorecimento político, corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo a Polícia Federal, há indícios de que agentes públicos, empresários, operadores financeiros e gestores de fundos de previdência teriam participado de um esquema para direcionar aplicações bilionárias de recursos públicos em ativos financeiros ligados ao banco, em desacordo com critérios técnicos e normas do mercado financeiro.

As investigações também analisam a possível utilização dessas operações para beneficiar empresas privadas e pessoas físicas ligadas ao grupo investigado.

O que foi cumprido nesta nova fase

Nesta nona etapa da operação, os policiais federais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, para coletar novas provas. As diligências estão sendo realizadas nos estados da Bahia, São Paulo e Distrito Federal,

Segundo a CNN, entre os alvos estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, então dono do Master.

Os agentes recolheram equipamentos eletrônicos, documentos, contratos, registros bancários e outros materiais considerados importantes para esclarecer a dinâmica das operações investigadas.

De acordo com a Polícia Federal, o material será submetido à perícia técnica e poderá servir de base para novos pedidos de indiciamento e futuras fases da investigação.

Quais crimes são investigados

A Polícia Federal apura a prática de diversos crimes, entre eles:

  • Organização criminosa;
  • Corrupção ativa e passiva;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Gestão fraudulenta de instituição financeira;
  • Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional;
  • Ocultação de patrimônio;
  • Fraudes em operações financeiras;
  • Violação de normas de governança e compliance.

As investigações também buscam identificar o fluxo financeiro dos recursos movimentados e eventuais beneficiários do esquema.

Em que pé está a investigação

A Operação Compliance Zero encontra-se em uma fase avançada, mas ainda não foi concluída.

Com a deflagração da 9ª fase, a Polícia Federal considera que a investigação segue em expansão. Desde o início da operação, já foram realizadas diversas etapas, com cumprimento de dezenas de mandados judiciais, bloqueio de bens, afastamento de servidores públicos e coleta de grande volume de provas documentais e digitais.

Até o momento, a PF ainda trabalha na análise do material apreendido ao longo das fases anteriores e desta nova etapa. O objetivo é consolidar provas suficientes para subsidiar eventuais indiciamentos e futuras denúncias que poderão ser oferecidas pelo Ministério Público Federal.

Como parte dos investigados possui foro por prerrogativa de função, o caso permanece sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.

Apesar do avanço das apurações, não houve julgamento dos investigados, que continuam sendo considerados inocentes até eventual condenação definitiva, conforme prevê a Constituição Federal.

Operação já teve diversas fases

Desde o início das investigações, a Compliance Zero vem revelando um esquema cada vez mais amplo.

Ao longo das etapas anteriores, a Polícia Federal realizou buscas e apreensões, prisões preventivas, bloqueios patrimoniais e afastamentos de agentes públicos.

Entre os principais focos da investigação estão aplicações realizadas por fundos públicos de previdência em ativos ligados ao Banco Master, além da possível influência de agentes públicos na autorização dessas operações.

As diligências já alcançaram empresários, operadores do mercado financeiro, executivos de instituições financeiras, gestores públicos e pessoas ligadas à administração de fundos de investimento.

Polícia Federal não descarta novas fases

Segundo a Polícia Federal, a investigação continua em andamento e novas fases da Operação Compliance Zero poderão ser deflagradas, caso a análise do material apreendido revele novos elementos ou a participação de outras pessoas no esquema investigado.

A expectativa é de que a perícia dos equipamentos eletrônicos e a análise dos documentos financeiros permitam aprofundar o rastreamento das movimentações de recursos e identificar a origem e o destino dos valores investigados.

As investigações seguem sob sigilo judicial.

Em atualização*

Fonte:CNN Brasil, Agência Brasil, Polícia Federal e Banco Central do Brasil.

Imagem ilustrativa

Edição: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória

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