O acidente que resultou na morte de uma jovem durante a prática de rope jump, em uma ponte na cidade de Limeira (SP), reacendeu o debate sobre a segurança das atividades de turismo de aventura no Brasil. Embora existam normas técnicas que regulamentem essas práticas, especialistas apontam que a principal fragilidade continua sendo a falta de fiscalização e o funcionamento de empresas sem controle efetivo.

Segundo profissionais do setor, a legislação estabelece padrões de segurança, mas a aplicação das regras ainda depende da atuação dos órgãos públicos e da responsabilidade dos operadores.

Normas existem desde 2005

O Brasil possui um conjunto de normas técnicas desenvolvido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em parceria com o Ministério do Turismo. Elas estabelecem critérios para atividades de aventura, incluindo gestão de riscos, qualificação de condutores, manutenção de equipamentos, planos de emergência e atendimento ao cliente.

As normas são baseadas em referências internacionais e abrangem diversas modalidades, como rafting, rapel, escalada, arvorismo, tirolesa, mergulho e outros esportes de aventura. Entretanto, algumas práticas mais recentes, como o rope jump, ainda não possuem regulamentação específica, sendo enquadradas apenas nas normas gerais de gestão da segurança.

Falta fiscalização efetiva

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil afirmam que o principal problema não está na inexistência de normas, mas na ausência de fiscalização sistemática sobre quem oferece essas atividades.

Em muitos casos, empresas funcionam sem qualquer tipo de certificação, utilizando equipamentos sem inspeção periódica ou profissionais sem treinamento adequado. Além disso, não há um cadastro nacional obrigatório para operadores de modalidades de aventura, dificultando o controle pelos órgãos públicos.

A fiscalização costuma ocorrer apenas em situações específicas ou após denúncias, o que permite que atividades de alto risco sejam realizadas sem acompanhamento técnico adequado.

Acidente reacendeu discussão

A morte da jovem durante um salto de rope jump ganhou repercussão nacional e levou especialistas a defenderem a criação de regras específicas para essa modalidade.

O rope jump consiste em um salto realizado de pontes, viadutos ou estruturas elevadas utilizando cordas dinâmicas, semelhantes às empregadas na escalada. Diferentemente do bungee jump, em que a pessoa retorna ao ponto inicial com o efeito elástico da corda, no rope jump o praticante realiza um movimento pendular após a queda.

Segundo representantes do setor, a atividade exige cálculos precisos, inspeção constante dos equipamentos e análise técnica do local onde será realizada.

O que o consumidor deve observar

Antes de contratar uma empresa de turismo de aventura, especialistas orientam que o consumidor verifique alguns aspectos fundamentais:

  • Experiência e histórico da empresa;
  • Capacitação técnica da equipe;
  • Equipamentos certificados e em bom estado de conservação;
  • Seguro para acidentes;
  • Plano de emergência;
  • Briefing de segurança antes da atividade;
  • Cumprimento das normas da ABNT.

Também é recomendado desconfiar de ofertas muito abaixo do preço de mercado ou de operadores que não apresentem documentação sobre os procedimentos de segurança.

Turismo de aventura cresce no Brasil

O turismo de aventura é um dos segmentos que mais cresceram no país nos últimos anos, impulsionado pela busca por experiências ao ar livre e esportes radicais.

Destinos como Chapada Diamantina (BA), Brotas (SP), Bonito (MS), Foz do Iguaçu (PR), Capitólio (MG) e diversas regiões serranas passaram a receber um número cada vez maior de visitantes interessados nesse tipo de atividade.

Com o crescimento do setor, especialistas defendem o fortalecimento das políticas de fiscalização e certificação para reduzir riscos e aumentar a segurança dos praticantes.

Segurança deve ser prioridade

Para entidades ligadas ao turismo de aventura, o acidente ocorrido em São Paulo reforça a necessidade de atualização das normas e de maior integração entre empresas, órgãos públicos e entidades certificadoras.

A avaliação é que a regulamentação existente oferece uma base importante para a operação segura das atividades, mas precisa ser acompanhada de fiscalização contínua para evitar acidentes e preservar a credibilidade do setor.


Fonte e foto: Agência Brasil.

Edição: Por Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória

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