A advogada, pesquisadora e especialista em Design Universal da Aprendizagem (DUA), Vanessa Regly, foi aprovada no programa de mestrado em Educação Internacional e Liderança Global da Johns Hopkins University, uma das instituições mais reconhecidas do mundo na área de pesquisa.

A capixaba vai desenvolver estudos sobre inteligência artificial aplicada à educação inclusiva, com foco em soluções voltadas para alunos neurodivergentes, pessoas com deficiência e adaptação do ambiente escolar brasileiro.

O tema foi abordado durante entrevista concedida à jornalista Tatiana Sobreira, no programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória.

Durante a conversa, Vanessa destacou que o Brasil ampliou o número de matrículas de estudantes com deficiência em escolas regulares, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir inclusão efetiva dentro das salas de aula.

Segundo ela, muitos alunos estão fisicamente presentes nas escolas, mas não conseguem desenvolver plenamente o aprendizado por falta de adaptação pedagógica, suporte especializado e formação adequada para professores.

“Estar dentro de uma sala de aula não necessariamente significa que eles estão de fato conseguindo aprender. Esses dados nos fazem querer compreender como eles estão aprendendo e como podemos auxiliar professores e gestores na efetividade da educação”, afirmou.

Vanessa também afirmou que pretende utilizar os dados produzidos durante o mestrado para dialogar com gestores públicos e contribuir com políticas voltadas à inclusão educacional no Brasil.

A pesquisadora defende que o país já possui legislação voltada à inclusão, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar as leis em práticas efetivas dentro das escolas.

Inteligência artificial pode ajudar professores e alunos

A pesquisadora defende que a inteligência artificial pode ser usada como ferramenta de apoio dentro das escolas, auxiliando professores na adaptação de conteúdos e na personalização do ensino.

Segundo Vanessa, a proposta é utilizar tecnologia para identificar necessidades específicas dos alunos e criar caminhos mais acessíveis para aprendizagem.

Ela explicou que a pesquisa está baseada no chamado Design Universal para a Aprendizagem (DUA), metodologia criada nos Estados Unidos e utilizada em diversos países para adaptar o ensino às diferentes formas de aprendizagem.

“É mais do que você colocar na sala e cumprir a lei, é você ensinar essa criança a descobrir como ela pode aprender e ensinar ao professor que o cérebro dessa criança pode não funcionar como o das outras, mas ele pode funcionar do próprio jeito e com potencial de tornar essa criança um indivíduo funcional dentro das próprias capacidades”, explicou.

Experiência como mãe atípica motivou pesquisa

A trajetória da pesquisadora na área da inclusão começou após o nascimento da filha, Talita, diagnosticada com mielomeningocele, condição conhecida popularmente como “espinha bífida”.

A criança passou por uma cirurgia ainda durante a gestação e hoje utiliza cadeira de rodas e andador para mobilidade.

Vanessa afirmou que a maternidade transformou completamente sua visão sobre acessibilidade, educação e inclusão social.

Formada originalmente em Direito e com atuação na área tributária, ela passou a direcionar os estudos para direitos humanos, inclusão escolar e metodologias internacionais de aprendizagem adaptada.

“Quando comecei a olhar os espaços, percebi que muitas vezes essas pessoas não têm lugar e o sistema não possui estrutura para incluí-las, então comecei a estudar. Comecei pelos direitos humanos e fui migrando até a Talita nascer, e foi quando ela nasceu que observei que realmente precisávamos de soluções”, disse.

Projeto prevê materiais didáticos e formação de professores

Além do mestrado nos Estados Unidos, Vanessa participa do desenvolvimento de um projeto voltado à produção de materiais didáticos inclusivos em parceria com a empresa capixaba Microkids.

A iniciativa prevê a criação de 45 livros voltados à educação inclusiva, além de treinamento para professores, gestores escolares, cuidadores e famílias.

Segundo ela, o objetivo é levar soluções tanto para escolas públicas quanto privadas, criando uma rede de apoio que envolva toda a comunidade escolar.

A entrevista completa pode ser conferida em nosso canal do Youtube, clicando aqui.

Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória

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