Produção caiu 4,7 pontos no mês, de 51 para 46,3; intenção de investimento chegou ao menor nível desde agosto de 2020
A produção industrial brasileira registrou em agosto o pior resultado para o mês em 11 anos, segundo a Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (21). O índice que mede a evolução da produção caiu 4,7 pontos, de 51 para 46,3 pontos.
A pesquisa da CNI ouviu 1.403 empresas, entre pequenas, médias e grandes, de 1º a 11 de setembro.

Com o resultado, o indicador ficou abaixo da marca de 50 pontos, que separa crescimento de queda da produção. Foi a segunda vez nos últimos 11 anos que o índice ficou abaixo desse nível em agosto — a outra ocorreu em 2025.

A queda também contrasta com o comportamento habitual do setor. Desde 2015, o indicador costumava permanecer acima dos 50 pontos no mês de agosto.

A redução da atividade industrial também apareceu em outros indicadores da pesquisa. A utilização da capacidade instalada das fábricas caiu 1 ponto percentual, para 69%. O resultado ficou 2 pontos percentuais abaixo da média registrada para os meses de agosto.

O índice de evolução do número de empregados também recuou. Passou de 48,6 para 48,2 pontos, permanecendo abaixo dos 50 pontos e indicando redução no emprego industrial.

Os estoques de produtos finais também diminuíram. O indicador caiu de 51 para 49,5 pontos, sinalizando redução dos estoques entre julho e agosto.

Segundo a CNI, a queda da produção está relacionada à redução da demanda por produtos industriais e ao aumento das incertezas no cenário econômico.

Intenção de investimento cai

A cautela das empresas também aparece nas perspectivas para os próximos meses. O índice de intenção de investimento caiu 1,3 ponto em setembro, passando de 52,6 para 51,3 pontos.

Esse foi o menor nível do indicador desde agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19. Também foi a quarta queda consecutiva, em uma sequência iniciada em maio. Desde então, o índice acumula recuo de 3,5 pontos.

De acordo com Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a redução reflete a perda de ritmo da atividade industrial e o aumento das incertezas.

“A queda expressiva da intenção de investimento reflete um quadro que a gente já vem acompanhando de perda de ritmo da atividade industrial. Além disso, há um aumento das incertezas, o que também contribuiu para o resultado”Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI

Expectativas para os próximos seis meses

Os quatro indicadores que medem as expectativas da indústria recuaram em setembro:

  • Demanda por produtos: caiu 1,4 ponto, para 51,2;
  • Compra de insumos e matérias-primas: recuou 0,8 ponto, para 50,4;
  • Quantidade exportada: caiu 0,6 ponto, para 48,9;
  • Número de empregados: diminuiu 0,2 ponto, para 49,2.

Apesar das quedas, as expectativas para a demanda por produtos e para a compra de insumos continuam acima de 50 pontos, indicando que as empresas ainda esperam aumento nesses dois itens nos próximos seis meses, embora em ritmo menor.

Já as perspectivas para exportações e emprego ficaram abaixo dos 50 pontos, sinalizando expectativa de recuo nesses indicadores.

Indústria no desempenho do PIB

O desempenho da indústria também tem impacto no resultado do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que reúne o valor dos bens e serviços produzidos no país e é usado para medir o desempenho da atividade econômica.

No segundo trimestre de 2026, o PIB brasileiro cresceu 0,5% em relação aos três primeiros meses do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representou uma desaceleração frente à alta de 1,1% registrada no primeiro trimestre.

Entre janeiro e março, a indústria havia crescido 1%, enquanto a agropecuária avançou 2% e os serviços, 0,5%. O resultado do segundo trimestre ocorreu em um cenário de menor ritmo da atividade econômica.

Por Nícolas Robert, da redação da Jovem Pan

Autor