O Iate Clube do Espírito Santo completa 80 anos em 2026. Fundada em 1946, a instituição faz parte da história de Vitória e reúne, ao longo de oito décadas, atividades esportivas, lazer, convivência familiar e projetos sociais e ambientais. Em entrevista à jornalista Tatiana Sobreira, no programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória, o comodoro do Iate Clube, Fabiano Pereira, falou sobre a trajetória da instituição, os projetos desenvolvidos atualmente e o lançamento do livro “Os Mares da Vitória”, que registra a história do clube.
Para Fabiano, a longevidade do Iate Clube está relacionada ao trabalho realizado por diferentes gerações de dirigentes e associados.
“Cada comodoro que passou pelo clube deixou seu legado, assim como cada associado que contribuiu para a nossa história.”
O Iate Clube é uma associação sem fins lucrativos e mantém parte de sua atuação por meio do trabalho voluntário de dirigentes.
Esporte e inclusão social
Além das atividades náuticas, o clube mantém projetos voltados à formação esportiva de crianças e jovens. A proposta é utilizar o esporte como ferramenta de convivência e redução da vulnerabilidade social.
“Tiramos as crianças do celular e dos vícios e as trazemos para o esporte, um lugar de onde elas nunca deveriam ter saído.”
Entre as iniciativas estão projetos realizados em parceria com a Prefeitura de Vitória, o Corpo de Bombeiros e outras instituições. O clube também mantém atividades de vela e canoa havaiana para pessoas com deficiência.
Um dos projetos leva crianças para o mar com acompanhamento de profissionais do Corpo de Bombeiros.
“Pegamos crianças de até dez anos, colocamos o colete e levamos para o mar aberto, para que elas aprendam a nadar, tenham contato com o mar e conheçam esse ambiente.”
O comodoro também destacou o crescimento do Profesp, programa realizado em parceria com a Marinha do Brasil. Segundo ele, o projeto passou de 300 para aproximadamente 500 crianças atendidas.
Livro registra 80 anos de história
As oito décadas de trajetória do Iate Clube também estão reunidas no livro “Os Mares da Vitória”, que reúne fotografias e registros de diferentes períodos da instituição.
Fabiano destacou que a história foi construída por sucessivas gerações de dirigentes e associados.
“Cada comodoro construiu um tijolo, da forma que considerava necessária em sua época.”
O Iate Clube foi fundado em um período em que a caça, a pesca e a vela faziam parte da cultura de grupos ligados à navegação no Espírito Santo. Com o passar das décadas, a instituição incorporou novas modalidades e acompanhou as transformações tecnológicas e sociais.
“O clube evoluiu com o tempo. Ele soube se manter e abraçar diferentes gerações.”
Sustentabilidade e preservação ambiental
A preocupação ambiental também passou a integrar as atividades do clube. Entre as medidas adotadas está o sistema de captação e dessalinização da água do mar para utilização em áreas que não exigem água potável. Segundo Fabiano, a iniciativa contribuiu para reduzir os custos da instituição.
A pesca esportiva também passou por mudanças. De acordo com o comodoro, o clube passou a incentivar práticas de captura e soltura, com registro em vídeo dos animais.
“Hoje não existe mais essa pesca de capturar e matar. A gente filma, registra e solta o peixe.”
Turismo náutico
O Iate Clube também funciona como ponto de apoio para embarcações que passam pelo litoral capixaba. Segundo Fabiano, a instituição recebe aproximadamente 300 embarcações por ano, incluindo visitantes de outros países.
“São quase 300 embarcações por ano, inclusive de outros países. Isso movimenta a mão de obra, o turismo, a hotelaria e os restaurantes.”
O comodoro citou ainda a possibilidade de os visitantes conhecerem atrações turísticas do Espírito Santo, como o Convento da Penha, a fábrica de chocolates Garoto, Domingos Martins e Santa Teresa.
Um clube para todos
Após dois mandatos à frente do Iate Clube, Fabiano Pereira deixará o cargo e passará a apoiar a próxima gestão. A eleição tem chapa única, encabeçada por Abner Garcia.
Para o comodoro, a transição representa a continuidade de um trabalho construído ao longo dos anos.
“Os antigos estão fortalecendo os novos. Estamos construindo o futuro do clube com novos pensamentos, novas mudanças e novas tecnologias.”
Atualmente, o Iate Clube possui cerca de 980 associados, com aproximadamente 4,5 mil pessoas entre associados e dependentes.
Ao definir o principal legado que pretende deixar, Fabiano resumiu a proposta que considera fundamental para o futuro da instituição:
“Um clube para todos.”
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Por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória







