A Hidrovia Paraguai–Paraná voltou ao centro das discussões sobre logística e integração regional durante a realização do Diálogos Hidroviáveis Internacional 2026, que começou nesta quarta-feira (17), em Buenos Aires, na Argentina. O encontro reúne representantes dos governos, organismos internacionais, entidades empresariais e especialistas dos cinco países que compartilham a hidrovia — Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai — para debater medidas que ampliem a competitividade do principal corredor hidroviário da América do Sul.
Promovido pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior e Hidrovias (ADECON), o evento busca fortalecer a cooperação regional, incentivar investimentos em infraestrutura, promover inovação tecnológica e consolidar a navegação interior como um dos pilares do desenvolvimento econômico sul-americano.
Hidrovia é considerada estratégica para o comércio regional
Com aproximadamente 3.400 quilômetros de extensão, a Hidrovia Paraguai–Paraná conecta regiões produtoras do interior do continente aos principais portos de exportação no Oceano Atlântico, sendo fundamental para o transporte de grãos, minérios, combustíveis, fertilizantes e outros produtos.
A rota é considerada uma alternativa logística de menor custo e menor impacto ambiental em comparação ao transporte exclusivamente rodoviário, além de ampliar a competitividade das exportações dos países da região.
Segundo especialistas presentes no encontro, o fortalecimento da hidrovia poderá reduzir custos logísticos, aumentar a integração comercial entre os países do Mercosul e estimular novos investimentos privados no setor hidroviário.
Cooperação entre países é prioridade
Durante a abertura do evento, o presidente da ADECON, Adalberto Tokarski, destacou que o futuro da Hidrovia Paraguai–Paraná depende da atuação conjunta dos países que utilizam o corredor logístico.
Segundo ele, a integração exige planejamento de longo prazo, investimentos contínuos em infraestrutura, modernização regulatória, segurança jurídica para investidores e maior cooperação institucional.
“A hidrovia pode ser efetivamente um eixo de desenvolvimento entre Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Para que esse potencial seja plenamente realizado, é indispensável fortalecer a governança regional, ampliar investimentos, modernizar a infraestrutura, promover segurança jurídica e estimular a inovação tecnológica”, afirmou Tokarski.
O dirigente também ressaltou que avanços recentes na melhoria da navegabilidade do Rio Paraguai demonstram o potencial de crescimento do setor, desde que os países mantenham uma agenda comum de desenvolvimento.
Evento debate inovação, sustentabilidade e infraestrutura
Ao longo dos dois dias de programação, os participantes discutem temas considerados estratégicos para o futuro da navegação interior.
Entre os principais assuntos estão:
- Modernização da infraestrutura hidroviária;
- Segurança da navegação;
- Sustentabilidade ambiental;
- Transição energética;
- Digitalização da logística;
- Inovação na indústria naval;
- Financiamento de projetos hidroviários;
- Integração regulatória entre os países.
Também estão sendo apresentados estudos técnicos, experiências internacionais e projetos voltados à ampliação da capacidade operacional da Hidrovia Paraguai–Paraná.
Base integrada de dados é um dos projetos apresentados
Um dos temas que ganhou destaque durante o primeiro dia do encontro foi a proposta de criação de uma base integrada de dados entre os países que compartilham a hidrovia.
A iniciativa pretende reunir informações sobre navegação, movimentação de cargas, infraestrutura, hidrologia e desempenho logístico, permitindo maior eficiência no planejamento público e privado e facilitando a tomada de decisões para novos investimentos.
Segundo os organizadores, a integração das informações também poderá aumentar a previsibilidade das operações e melhorar a gestão do corredor hidroviário.
Autoridades de cinco países participam do encontro
O Diálogos Hidroviáveis Internacional reúne representantes de diversas instituições ligadas ao transporte aquaviário e à integração regional.

Participam do evento representantes da:
- Secretaria Executiva do Comitê Intergovernamental da Hidrovia Paraguai–Paraná (CIH);
- Associação Latino-Americana de Integração (ALADI);
- Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ);
- Agência Nacional de Portos e Navegação da Argentina (ANPYN);
- entidades empresariais;
- empresas do setor hidroviário e naval.
A cerimônia de abertura contou ainda com a participação do ministro de Portos e Aeroportos do Brasil, Tomé Franca, do diretor executivo da ANPYN, Iñaki Arreseygor, do secretário-geral da ALADI, Sergio Abreu, além de representantes navais e autoridades dos países participantes.
Comenda reconhece personalidades do setor
Durante a abertura oficial também foi realizada a entrega da Comenda “O Hidroviarista”, homenagem concedida a profissionais e instituições que contribuíram para o fortalecimento da navegação interior e para o desenvolvimento da Hidrovia Paraguai–Paraná.
O reconhecimento busca valorizar iniciativas voltadas à integração logística, inovação e desenvolvimento sustentável do setor hidroviário.
Programação continua
O evento segue nesta quinta-feira (18) com novos painéis sobre infraestrutura, inovação tecnológica, sustentabilidade, financiamento e perspectivas para o futuro da navegação interior sul-americana.
Na sexta-feira (19), a programação será encerrada com uma visita técnica ao Estaleiro Punta Alvear – ATRIA e aos terminais portuários da região de Rosário, na Argentina, permitindo aos participantes conhecer experiências práticas de operação logística e infraestrutura portuária.
Navegação interior ganha protagonismo
Especialistas avaliam que a ampliação da utilização das hidrovias representa uma oportunidade estratégica para reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade internacional das exportações sul-americanas e promover uma matriz de transporte mais sustentável.
A expectativa é que os debates realizados em Buenos Aires resultem em novas parcerias institucionais, projetos conjuntos e mecanismos capazes de acelerar os investimentos na Hidrovia Paraguai–Paraná nos próximos anos.
Fonte: ADECON – Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior e Hidrovias.
Crédito das fotos: Divulgação/ADECON
Edição: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória







