Em entrevista à Jovem Pan News Vitória, Daniel Morelo e o cantor Nobat destacaram a importância do evento para aproximar artistas, profissionais e diferentes cenas musicais do país
O Formemus chega à oitava edição em 2026 como um espaço de encontro entre artistas, profissionais e diferentes setores do mercado da música. Em Vitória, o evento reúne conferência, showcases e rodadas de negócios com a proposta de aproximar quem produz música de quem atua na cadeia profissional do setor.
Em entrevista à jornalista Tatiana Sobreira, no programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória, o diretor do Formemus, Daniel Morelo, e o cantor Nobat, que já participou das atividades do evento, falaram sobre a construção dessa rede, os desafios da profissionalização e a importância de criar conexões entre artistas de diferentes regiões do Brasil.
A edição de 2026 terá 12 artistas de oito estados brasileiros nos showcases, além de profissionais e representantes de diferentes áreas da indústria musical. O evento acontece de 28 a 30 de outubro, em Vitória, com credenciamento gratuito. As inscrições para as Rodadas de Negócios também são gratuitas e seguem abertas até quinta-feira (24).
De quem organiza para quem vive a experiência
Para Daniel Morelo, o Formemus nasceu justamente da percepção de que artistas capixabas tinham dificuldade de acessar profissionais e eventos concentrados fora do Espírito Santo. A solução encontrada foi inverter o caminho: em vez de levar os artistas para os grandes centros, trazer os profissionais para Vitória.
“Nós fizemos o primeiro Formemus resolvendo o seguinte problema: já que a música capixaba não sai daqui do Espírito Santo para ir às conferências que acontecem fora, em São Paulo e no Rio, para conhecer as pessoas no mercado, vamos trazer essas pessoas para cá.”
A estratégia acabou revelando que a dificuldade não era exclusivamente capixaba. Segundo Morelo, artistas de diferentes estados enfrentam problemas semelhantes para acessar informações, profissionais e oportunidades.
É justamente nesse ponto que a experiência de Nobat se conecta à proposta do Formemus. O cantor participou do evento em 2023 e afirma que encontrou ali uma possibilidade de contato mais direto com profissionais do mercado.
“O Formemus foi a conferência em que eu mais consegui desenvolver contatos e também aproveitar. O desenho do Formemus me cativou muito, no sentido de que as palestras que estavam elencadas ali, os nomes que estavam fazendo parte, eram pessoas que realmente queriam fazer diferença, queriam participar daquilo.”
Para Nobat, a experiência não ficou restrita aos dias do evento. As relações construídas em Vitória acabaram se transformando em parcerias profissionais e pessoais.
“Eu fiz tantos amigos, eu fiquei tão encantado com a cena daqui, que eu não conhecia muito.”
Segundo o cantor, a aproximação com artistas capixabas também abriu espaço para novas composições e parcerias.
A primeira conexão pode abrir outras portas
A aproximação entre artistas e profissionais é um dos principais objetivos do Formemus. Morelo explica que a ideia é criar situações em que o músico consiga apresentar seu trabalho diretamente para pessoas que dificilmente teria condições de alcançar sozinho.
É o caso do Pitching Musical, iniciativa que coloca artistas diante de profissionais do mercado para apresentações curtas e feedbacks. As inscrições gratuitas para a edição deste ano já foram encerradas.
“Nunca um artista vai ter uma capacidade financeira de bancar um elenco de pessoas da indústria para estar sentado prestando atenção nele por dez minutos. Tudo isso de graça.”
Nobat relata justamente esse tipo de experiência. Para ele, a proximidade com profissionais e outros artistas foi um dos fatores que fizeram o evento se destacar entre as conferências das quais participou.
“Toda vez que eu vou falar com os meus colegas, eu sempre digo que o Formemus é uma das melhores conferências para se participar, para se tentar de fato fazer um contato. É onde eu mais colhi frutos desse tipo de atividade.”
Norte, Sul e as diferentes cenas musicais
Outro ponto destacado por Morelo é a necessidade de aproximar cenas que muitas vezes permanecem isoladas dentro do próprio país.
O diretor defende que as diferenças regionais não devem ser vistas apenas como obstáculos, mas também como parte da diversidade da música brasileira.
“Quando eu penso Brasil, eu penso estado como um pequeno país. Porque eu consigo idealizar soluções. Vivendo como o Brasil é, é muito mais difícil.”
Para Nobat, esse intercâmbio também aparece na própria experiência de conhecer uma cena musical que até então não fazia parte de sua trajetória.
Depois da participação no Formemus, o cantor afirma que passou a compor com artistas do Espírito Santo, entre eles Ada Koffi e Jake.
Artistas de diferentes gerações e regiões
A edição deste ano também mantém a proposta de reunir artistas em diferentes momentos de suas trajetórias. Entre os nomes anunciados estão artistas capixabas, representantes do interior do estado e músicos de outras regiões brasileiras.
Morelo destaca que o evento procura evitar uma divisão entre artistas novos e consagrados, capital e interior ou diferentes estilos musicais.
“Nós tentamos fazer o oposto de tudo, segurar na mão e tentar ajudar todo mundo, entendendo que está todo mundo tentando viver um sonho dificílimo.”
A edição de 2026 terá, entre outros nomes, artistas como Ada Koffi, Naná do Pop, Ventura, The Skeep, Anna Pêgo, Cesar Soares, Hiran, Leoa, Oda Cairu, Paolo Ravley, Silva Barros, Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro nos showcases.
Rodadas de Negócios aproximam artistas e profissionais
Além dos showcases e da programação de formação, as Rodadas de Negócios são uma das principais ferramentas de conexão profissional do Formemus.
As inscrições gratuitas seguem abertas até quinta-feira (24). A programação reúne representantes de festivais, gravadoras, casas de shows, selos, instituições culturais e outros setores da cadeia musical.
Morelo destaca que a ideia é permitir que o artista tenha acesso direto a profissionais que podem contribuir para diferentes etapas de sua carreira.
“Nós fazemos rodadas de negócios no Brasil inteiro. Então, muitas vezes, um artista que aparece por aqui nós já vimos em algum lugar, já vimos que ele está tentando muito, e nós tentamos ajudar os mais preparados.”
A proposta, segundo ele, não é necessariamente resolver a carreira de um artista, mas facilitar encontros que podem gerar novas oportunidades.
“Às vezes, um convidado meu vai se conectar de alguma forma com aquele artista para transformar a realidade dele.”
Público também pode descobrir novos artistas
Apesar do foco profissional, Daniel e Nobat destacaram que o Formemus também pode ser uma oportunidade para quem simplesmente gosta de música.
A programação reúne artistas de diferentes estados, gêneros e gerações, além de debates sobre temas que atravessam a cultura e o mercado, como redes sociais, cultura pop, inteligência artificial e comportamento do público.
Para Morelo, o público de Vitória pode acompanhar artistas que ainda estão construindo espaço nacionalmente.
“Você, como público que está aqui em Vitória, pouquíssimas vezes na vida vai ter uma oportunidade de ver shows tão incríveis de artistas de várias partes do Brasil, de vários ritmos, de vários estilos.”
A experiência de Nobat ajuda a mostrar o outro lado dessa conexão. Depois de participar do Formemus, o cantor afirma ter criado vínculos com artistas capixabas e incorporado essas relações à própria trajetória musical.
A conexão entre os dois lados resume a proposta do Formemus: criar um espaço em que artistas possam encontrar profissionais, profissionais possam descobrir novos artistas e diferentes cenas brasileiras possam estabelecer relações que continuem para além dos dias do evento.

O Formemus 2026 acontece de 28 a 30 de outubro, em Vitória. O credenciamento geral é gratuito, e as inscrições para as Rodadas de Negócios seguem abertas até 24 de setembro.
Confira a entrevista completa clicando aqui.
Por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória.







