Investigação aponta que criminosos interferiam no envio de cobranças legítimas para substituí-las por documentos falsos; esquema teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão.
Quatro pessoas foram presas nesta quinta-feira (29), durante a Operação Metástase, que investiga um esquema de fraude envolvendo boletos de uma operadora de planos de saúde no Espírito Santo. A ação da Polícia Civil ocorreu em Serra, Cariacica e Vila Velha, na Grande Vitória, e teve como objetivo cumprir seis mandados de prisão e de busca e apreensão.
Segundo as investigações, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 1,5 milhão com o envio de cobranças falsas a clientes. A polícia apura mais de 100 boletins de ocorrência relacionados ao golpe, com prejuízos individuais que variam de R$ 1 mil a R$ 50 mil.
A operação mobilizou cerca de 40 policiais civis e foi coordenada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic).
Entre os presos está um homem de 42 anos apontado como possível líder da organização criminosa. Os demais investigados teriam cedido contas bancárias para receber e movimentar os valores obtidos com a fraude. Celulares foram apreendidos e serão submetidos à perícia.
Como funcionava o esquema
De acordo com o delegado Brenno Andrade, responsável pela investigação, os suspeitos utilizavam dados de clientes e informações semelhantes às da operadora para produzir boletos fraudulentos. A apuração também indica que cobranças verdadeiras eram bloqueadas antes de os documentos falsos chegarem aos consumidores.
A semelhança entre os boletos dificultava a identificação do golpe. Além do formato dos documentos e da identidade visual da empresa, os criminosos aparentemente tinham acesso a informações pessoais que davam credibilidade às cobranças.
A Polícia Civil investiga como esses dados foram obtidos e de que maneira o grupo conseguia interferir no envio dos boletos oficiais. Uma das hipóteses é a ocorrência de vazamento de informações; outra possibilidade apurada é a participação de alguém ligado à operadora.
Andrade, no entanto, ressaltou que não há, até o momento, provas concretas de envolvimento de funcionários da empresa.
“Como eles tinham acesso a esses dados tão fidedignos, a gente entende que pode ter ocorrido um vazamento dentro da operadora de saúde ou a ação de algum colaborador, mas isso ainda não está confirmado”, explicou o delegado.
Investigação busca identificar a participação de cada suspeito
A polícia trabalha para esclarecer o papel de cada investigado no esquema. Segundo Andrade, há suspeitos que teriam disponibilizado contas bancárias sabendo que seriam usadas na fraude. A participação e o conhecimento dos demais envolvidos ainda dependem da análise das provas.
A perícia nos celulares apreendidos deverá contribuir para reconstruir as comunicações entre os suspeitos e identificar possíveis outros participantes.
A investigação considera suspeitas de crimes como associação criminosa, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. O caso permanece sob apuração.
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Fontes: Folha Vitória e G1 Espírito Santo
Editado por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória







