A crise política no Paraguai começou com a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras do país, e atingiu diretamente o governo do presidente Santiago Peña.
O banco teve os serviços suspensos no dia 3 de novembro, depois que o Banco Central identificou problemas graves de solvência. A instituição atendia aproximadamente 3 milhões de clientes, que ficaram sem acesso imediato às contas, cartões e transferências.
Presidente enfrenta processo de impeachment
A crise ganhou dimensão política porque Peña teve participação societária anterior no grupo empresarial controlador do banco, da qual se desligou em 2025. A oposição questiona possíveis conflitos de interesses, empréstimos a empresas relacionadas aos controladores e a presença de recursos públicos na instituição.
As acusações ainda estão sob investigação e não comprovam, por si só, responsabilidade criminal do presidente.
Na quinta-feira (5), Peña anunciou sua renúncia. No entanto, a votação para aceitar a saída não ocorreu por falta de quórum no Congresso. A Câmara dos Deputados aprovou o impeachment por 78 votos, e o processo chegou ao Senado, que iniciou nesta sexta-feira (6) o julgamento político. Portanto, Peña permanece formalmente na Presidência enquanto o processo segue.
Recursos públicos também estão envolvidos
Segundo a agência Reuters, o Ueno Bank administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos. O Ministério Público investiga possíveis irregularidades na gestão da instituição, e executivos do banco foram alvo de mandados de prisão.
O governo também precisa garantir a devolução dos depósitos aos clientes. A garantia bancária paraguaia cobre até aproximadamente US$ 38 mil por correntista, mas ainda existem dúvidas sobre os valores que ultrapassam esse limite e os prazos para recuperação do dinheiro.
Efeitos para os empresários brasileiros
A crise merece atenção do setor empresarial brasileiro pela proximidade econômica e comercial entre os dois países. Uma instabilidade prolongada pode afetar empresas brasileiras que operam no Paraguai, investimentos, crédito, pagamentos e contratos com parceiros locais.
Também pode aumentar a cautela de investidores diante das incertezas políticas e financeiras. Por enquanto, não há indicação de que o episódio represente uma crise generalizada do sistema bancário brasileiro. O impacto para as empresas dependerá da duração da instabilidade e das medidas adotadas pelas autoridades paraguaias.
Fontes: Reuters; Associated Press; CNN Brasil; UOL Notícias; Deutsche Welle.
Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória







