A ciência produzida no Espírito Santo está presente em uma expedição internacional que investiga uma das regiões mais profundas e ainda pouco conhecidas do Oceano Atlântico. Quatro pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) participam da missão The Gap, que partiu de Fortaleza, no Ceará, no domingo (20).

A equipe segue a bordo do navio oceanográfico Falkor (too) em direção à região de Tema, em Gana, na África Ocidental. A previsão é que a expedição termine em 29 de outubro.

Participam da missão o professor Alex Bastos, do Programa de Pós-Graduação em Oceanografia Ambiental da Ufes; a mestranda Ana Laura Piol; e os pesquisadores de pós-doutorado Paulo Cetto e Tarcila Franco, vinculados ao Laboratório de Geociências Marinhas

Ao todo, a expedição reúne 26 pesquisadores de cinco países.

Área de pesquisa fica entre o Brasil e a África

O trabalho científico será concentrado na Zona de Fratura de Romanche, uma extensa estrutura geológica localizada na região mais estreita do Atlântico, entre a costa brasileira e a África Ocidental.

A formação se estende por aproximadamente 2 mil quilômetros e está associada à Dorsal Mesoatlântica. A área apresenta relevo submarino acidentado, com montanhas, vales, paredes íngremes e encostas cobertas por sedimentos.

A região também está sob influência de correntes equatoriais e de períodos de ressurgência, fenômeno no qual águas profundas, mais frias e ricas em nutrientes, sobem em direção à superfície.

Na parte mais profunda da região da Dorsal Mesoatlântica, a profundidade chega a 7.856 metros.

Pesquisa busca conhecer geologia do fundo do oceano

Os pesquisadores capixabas terão atuação principalmente na área de geologia marinha. Entre as tarefas estão o mapeamento do fundo oceânico e a coleta de amostras de rochas e sedimentos.

Para realizar o trabalho, a equipe contará com equipamentos de alta tecnologia, incluindo um ROV, veículo operado remotamente que possui câmeras de alta resolução e instrumentos destinados à coleta de materiais geológicos e biológicos.

Os equipamentos empregados na missão podem alcançar profundidades de até 4.500 metros.

Segundo o professor Alex Bastos, a equipe da Ufes também vai analisar os processos de sedimentação da região e a possível formação de depósitos carbonáticos. O estudo pretende ainda relacionar as características geológicas do fundo do mar aos processos ecológicos e oceanográficos. 

Biodiversidade também será investigada

Além da geologia, a expedição pretende ampliar o conhecimento sobre os organismos que vivem nas profundezas do Atlântico.

Embora as características da Zona de Fratura de Romanche indiquem condições favoráveis à existência de biodiversidade, os registros disponíveis até agora apontam uma quantidade relativamente pequena de organismos identificados.

Uma das hipóteses dos cientistas é que esse resultado esteja relacionado à baixa quantidade de amostras coletadas anteriormente, e não necessariamente à ausência de vida na região.

Durante a missão, os pesquisadores vão procurar identificar padrões ecológicos e áreas que possam apresentar concentração de biodiversidade ou características associadas a ecossistemas marinhos vulneráveis.

Tecnologia ajuda a chegar a regiões pouco exploradas

O Falkor (too), utilizado na expedição, pertence ao Schmidt Ocean Institute, organização sem fins lucrativos que apoia pesquisas oceanográficas e o compartilhamento de dados científicos.

O navio possui sistemas para mapeamento do fundo marinho, veículo autônomo submersível e o ROV utilizado nas operações de pesquisa.

A estratégia da expedição inclui inicialmente o levantamento do relevo submarino por meio de equipamentos acústicos. Depois, os pesquisadores poderão utilizar os veículos submersíveis para observar áreas específicas e realizar a coleta de amostras.

A Agência Brasil informou que o grupo também pretende investigar a relação entre a ressurgência equatorial, as correntes oceânicas e as comunidades existentes nas regiões profundas.

Dados poderão contribuir para novos estudos

A expectativa dos pesquisadores é que as informações obtidas durante a expedição ampliem o conhecimento sobre a estrutura geológica e os ecossistemas do Atlântico profundo.

Os dados também poderão servir de base para pesquisas futuras sobre biodiversidade, processos oceanográficos e conservação de ambientes marinhos considerados vulneráveis.

Para a Ufes, a participação de seus pesquisadores coloca a produção científica capixaba em uma iniciativa internacional dedicada ao estudo de uma área remota do oceano e reforça a atuação da universidade em pesquisas relacionadas à geologia e à oceanografia.

Fonte e foto: Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e Agência Brasil. (Portal UFES)

Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória

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