As bicicletas elétricas e outros veículos de micromobilidade estão mudando a forma como os brasileiros se deslocam pelas cidades. Em oito anos, o número de bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores em circulação no país saltou de 7,6 mil, em 2016, para 284 mil, em 2024, segundo dados do setor. O crescimento representa uma expansão de 37 vezes.

O fenômeno é tema do episódio “Bicicletas elétricas: mobilidade com desafios”, do programa Caminhos da Reportagem, que será exibido nesta segunda-feira (17), às 23h, na TV Brasil. A produção discute como esses veículos ganharam espaço e os desafios enfrentados pelas cidades para organizar a convivência entre bicicletas, motos, carros, ônibus e pedestres.

Micromobilidade ganha espaço nas cidades

As bicicletas elétricas e os veículos leves passaram a ser utilizados principalmente em deslocamentos curtos. Para usuários, representam uma alternativa de transporte que pode reduzir tempo e facilitar a circulação em áreas urbanas congestionadas.

O crescimento, entretanto, aconteceu mais rapidamente do que a adaptação da infraestrutura urbana.

Luiz Saldanha, diretor executivo da Aliança Bike, afirma que a população incorporou esses veículos ao cotidiano, mas ainda existe o desafio de organizar sua utilização nas cidades.

A discussão envolve desde a infraestrutura cicloviária até a convivência desses veículos com automóveis, ônibus e pedestres.

Quais são os tipos de veículos?

Uma das questões que mais gera dúvidas é que nem toda “bike elétrica” está submetida às mesmas regras.

A regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito diferencia três categorias principais.

Bicicleta elétrica

É aquela que possui pedal assistido, dependendo da propulsão humana. O motor auxilia o ciclista durante o deslocamento.

Autopropelido

Pode ter pedal ou não e não depende da propulsão humana para se movimentar. A velocidade máxima regulamentada é de 32 km/h.

Ciclomotor

Também não depende da propulsão humana e pode atingir até 50 km/h.

Essa categoria possui exigências diferentes das bicicletas elétricas e dos autopropelidos.

Precisa de habilitação?

Essa é uma das principais dúvidas de quem utiliza ou pretende comprar um desses veículos.

De acordo com as regras apresentadas pela EBC, bicicletas elétricas e autopropelidos não exigem habilitação ou licenciamento, enquanto os ciclomotores precisam de habilitação categoria A ou ACC — Autorização para Conduzir Ciclomotor — além de registro e licenciamento.

Por isso, antes de comprar um veículo anunciado como “bike elétrica”, é importante identificar exatamente em qual categoria ele se enquadra.

Segurança vira preocupação

O crescimento da micromobilidade também traz preocupações relacionadas à segurança.

Um dos casos citados pela reportagem ocorreu no Rio de Janeiro, onde um menino de nove anos e sua mãe morreram após serem atropelados por um ônibus enquanto estavam em um autopropelido.

O episódio reacendeu o debate sobre a convivência entre veículos leves e veículos pesados nas ruas.

Para especialistas ouvidos pelo Caminhos da Reportagem, não se trata de impedir a expansão da micromobilidade, mas de criar regras e infraestrutura capazes de acompanhar esse crescimento.

Cidades precisam se adaptar

O professor da Fundação Getulio Vargas Marcus Quintella avalia que as cidades brasileiras ainda não foram planejadas para acompanhar essas novas formas de transporte e estão fazendo adaptações.

O desafio é encontrar um equilíbrio: estimular formas alternativas e menos poluentes de deslocamento sem permitir que a falta de organização aumente os riscos de acidentes.

A discussão envolve ciclovias, calçadas, vias compartilhadas, limites de velocidade, fiscalização e educação no trânsito.

E no Espírito Santo?

O crescimento das bikes elétricas também merece atenção no Espírito Santo, principalmente na Grande Vitória.

Com a expansão da micromobilidade, municípios precisam discutir como esses veículos devem circular, onde podem ser utilizados e como garantir segurança para ciclistas e pedestres.

A questão também interessa diretamente ao consumidor: antes de comprar uma bicicleta elétrica, é preciso saber se o equipamento realmente se enquadra como bicicleta elétrica ou se, pelas suas características, é considerado autopropelido ou ciclomotor.

O que o consumidor deve observar

Antes de comprar uma bike elétrica ou outro veículo de mobilidade individual, vale verificar:

  • qual é a categoria do veículo;
  • velocidade máxima;
  • potência e características técnicas;
  • onde ele pode circular;
  • necessidade ou não de registro;
  • necessidade de habilitação;
  • equipamentos obrigatórios de segurança;
  • regras estabelecidas para circulação na cidade.

 

Fonte e foto: EBC/TV Brasil, Caminhos da Reportagem. (TV Brasil)

Redação e edição: Tatiana Sobreira — Jovem Pan News Vitória

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