A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do primeiro medicamento genérico à base de semaglutida do Brasil. A autorização foi concedida à farmacêutica brasileira EMS e publicada nesta segunda-feira (17) no Diário Oficial da União.

A decisão amplia a concorrência no mercado de medicamentos à base de semaglutida, princípio ativo associado a produtos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. A substância pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 e é utilizada em tratamentos relacionados ao diabetes tipo 2 e, conforme a indicação aprovada para cada medicamento, ao controle de peso.

O registro da EMS contempla quatro apresentações do medicamento em solução injetável. A Anvisa também aprovou, nesta segunda-feira, um medicamento similar à base de semaglutida produzido pela Germed, que será comercializado com o nome Semaclique.

O que muda para o consumidor?

A chegada do primeiro genérico representa um aumento da concorrência em um mercado que ganhou grande espaço nos últimos anos.

O medicamento genérico precisa apresentar o mesmo princípio ativo, dose e forma farmacêutica do produto de referência e demonstrar equivalência terapêutica. Já o medicamento similar também precisa comprovar qualidade, segurança e eficácia, mas possui regras próprias de registro e comercialização.

Apesar da aprovação, o novo genérico ainda não tem data definida para chegar às farmácias. A comercialização depende de etapas posteriores, incluindo a definição e aprovação do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

A expectativa é que o aumento da concorrência contribua para ampliar o acesso e possa pressionar os preços para baixo.

Não é sinônimo de “remédio para emagrecer”

Apesar de a semaglutida ter ficado conhecida principalmente pelas chamadas “canetas emagrecedoras”, é importante não tratar todos os medicamentos com esse princípio ativo como se tivessem exatamente as mesmas indicações.

A Anvisa informou, por exemplo, que os registros de novas canetas de semaglutida aprovadas em julho foram destinados ao tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento à dieta e à prática de exercícios.

Por isso, a indicação deve sempre considerar a bula do medicamento, a avaliação médica e a situação clínica do paciente.

Atenção aos produtos clandestinos

O crescimento da procura por medicamentos para emagrecimento também aumentou a preocupação das autoridades com produtos irregulares.

A Anvisa vem realizando ações de fiscalização contra a comercialização ilegal de medicamentos e produtos relacionados às chamadas canetas emagrecedoras. A agência também já alertou sobre riscos associados ao uso inadequado desses medicamentos.

Recentemente, a Anvisa proibiu produtos comercializados como chás que prometiam efeitos semelhantes aos das canetas emagrecedoras, por não possuírem regularização sanitária.

A recomendação, portanto, é não comprar medicamentos de procedência desconhecida, especialmente pela internet ou por redes sociais.

O que é a semaglutida?

A semaglutida é um medicamento da classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Ela atua em mecanismos relacionados ao controle da glicose e da saciedade.

Por causa desses efeitos, medicamentos da classe passaram a ser utilizados em tratamentos de diabetes e, de acordo com indicações específicas, no controle do peso.

O tratamento exige prescrição e acompanhamento profissional, e o uso por conta própria pode provocar efeitos adversos e riscos à saúde. A Anvisa já emitiu alerta sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso inadequado de canetas emagrecedoras.

Mercado das canetas ganha novos concorrentes

A aprovação desta segunda-feira acontece poucas semanas depois de a Anvisa registrar cinco novas canetas de semaglutida, ampliando o número de opções disponíveis no mercado brasileiro.

A movimentação ocorre após o fim da proteção patentária que permitiu o desenvolvimento de novas opções de semaglutida sintética no país.

O cenário tende a aumentar a competição entre fabricantes e pode mudar o preço dos tratamentos nos próximos meses.

Fontes e foto: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Diário Oficial da União e informações divulgadas pelos laboratórios. (Serviços e Informações do Brasil)

Por Tatiana Sobreira — Jovem Pan News Vitória

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