A violência contra mulheres com deficiência passa a ter um recorte específico na principal pesquisa nacional do Senado sobre violência doméstica e familiar. Os primeiros resultados da 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher – Mulheres com Deficiência 2026, realizada pelo Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), serão apresentados nesta quarta-feira (23), durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

A audiência está marcada para as 10h e terá como finalidade apresentar os resultados do levantamento, que pela primeira vez incorporou a autoidentificação das mulheres com deficiência à pesquisa nacional.

A mudança permite ampliar a análise sobre um grupo que pode enfrentar barreiras adicionais para denunciar situações de violência e acessar serviços públicos de proteção.

Novo recorte da pesquisa

Segundo o Senado, a inclusão da autoidentificação das mulheres com deficiência permite analisar de maneira mais específica as experiências desse grupo em relação à violência doméstica e familiar.

A pesquisa tradicional do DataSenado já acompanha a percepção das brasileiras sobre violência contra a mulher. Na edição divulgada em agosto de 2026, o levantamento apontou que 27% das brasileiras entrevistadas afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência doméstica ou familiar provocada por um homem.

Na mesma pesquisa, entre as mulheres que relataram violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à entrevista, 58% disseram não ter comunicado a agressão à polícia.

O novo recorte pretende ampliar a compreensão sobre como essa realidade se manifesta entre mulheres com deficiência.

Dados do Ministério das Mulheres mostram dimensão do problema

Enquanto os novos resultados do DataSenado serão apresentados nesta quarta-feira, dados oficiais já disponíveis no Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM 2026) mostram a dimensão das notificações envolvendo mulheres com deficiência.

Em 2024, foram registradas 13.424 notificações de violência doméstica, sexual e/ou outras violências contra mulheres de 20 a 59 anos com algum tipo de deficiência ou transtorno, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

Entre essas notificações, o transtorno mental representou 44,8% dos registros, seguido pelo transtorno de comportamento, com 18,7%, e pela deficiência intelectual, com 10,3%. Os dados são preliminares e estão sujeitos a alterações.

É importante destacar que notificações de violência não equivalem necessariamente ao número total de mulheres vítimas, já que os sistemas dependem dos registros realizados pelos serviços de atendimento.

Violência pode assumir diferentes formas

O Ministério das Mulheres destaca que mulheres com deficiência podem estar sujeitas a violência física, psicológica, sexual, patrimonial, moral e institucional.

As barreiras de comunicação, mobilidade, acesso à informação e independência financeira podem dificultar a procura por ajuda em determinadas situações.

Por isso, a política de enfrentamento depende também de serviços acessíveis e de uma rede preparada para atender diferentes tipos de deficiência.

Ligue 180 oferece atendimento acessível

A Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180 — disponibiliza atendimento em Libras e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Segundo o Ministério das Mulheres, até setembro de 2026 haviam sido registradas 4.933 denúncias envolvendo mulheres com deficiência, nas quais foram relatados 33.676 casos de violência.

O serviço pode ser acionado pelo telefone 180, pelo WhatsApp no número (61) 9610-0180, por e-mail, chatbot e videochamada em Libras.

Em situações de emergência, a orientação oficial é acionar a Polícia Militar pelo 190.

Pesquisa será apresentada nesta quarta-feira (23/09)

A audiência da CDH contará com representantes do Observatório da Mulher contra a Violência, da Frente Nacional das Mulheres com Deficiência e de entidade de assistência a mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência.

A apresentação do levantamento deverá detalhar os resultados específicos obtidos a partir do novo recorte da pesquisa nacional.

A audiência será transmitida pelo Senado e poderá ser acompanhada por meio do portal e-Cidadania.

Em atualização.

Fontes: Senado Federal/DataSenado, Observatório da Mulher contra a Violência e Ministério das Mulheres.

Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória

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