Arte-educadora e arteterapeuta Dalisa Campos Miranda falou ao programa De Olho na Cidade sobre a proposta, inspirada em contos, arquétipos e na obra “Mulheres que Correm com os Lobos”
A arte-educadora, contadora de histórias e arteterapeuta Dalisa Campos Miranda desenvolve uma proposta que une narrativas, dança e autoconhecimento. A jornada “Mulheres que Dançam com os Lobos”, iniciada em agosto, foi tema de entrevista concedida à jornalista Tatiana Sobreira, no programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória, na última sexta-feira (14).
A experiência nasceu a partir da relação de Dalisa com a contação de histórias e ganhou novos caminhos durante a pandemia. A leitura de “Mulheres que Correm com os Lobos”, da escritora e psicanalista junguiana Clarissa Pinkola Estés, ajudou a aprofundar o interesse da entrevistada pelos contos e pelas possibilidades de interpretação presentes nas narrativas. A obra utiliza mitos, lendas e contos para discutir a natureza instintiva feminina e o arquétipo da chamada “Mulher Selvagem”.
Segundo Dalisa, as histórias passaram a ocupar um espaço cada vez maior em sua trajetória profissional.
“Eu falo que todo mundo é contador de histórias, só que alguns acessam, e outros não.”
A entrevistada contou que seu trabalho com narrativas teve início a partir de um projeto de extensão na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em 2003. A experiência deu origem, ao lado de outras artistas, ao grupo Encanta Conto e ao espetáculo “Retrato de Mulher”, dedicado à trajetória e às experiências de mulheres.
Durante cerca de 17 anos, o grupo realizou apresentações que reuniam contação de histórias, música, canto e dança. Para Dalisa, o contato com o público já revelava o potencial das narrativas para provocar identificação e reflexão.
Contos e dança são utilizados em jornada de autoconhecimento
A experiência acumulada ao longo dos anos ganhou uma nova dimensão durante a pandemia. Foi nesse período que Dalisa entrou em contato com a obra de Clarissa Pinkola Estés e começou a desenvolver a proposta que mais tarde se transformaria na jornada “Mulheres que Dançam com os Lobos”.
A ideia, segundo ela, é utilizar as histórias como ponto de partida para acessar experiências, reflexões e movimentos corporais.
“Eu quero que nós, mulheres, acessemos coisas que, no nosso corre do dia a dia, deixamos passar batido.”
Dalisa explicou que cada narrativa trabalhada nos encontros é associada a uma proposta corporal. Dessa forma, os temas abordados nas histórias também são explorados por meio da dança e da corporeidade.
A proposta, segundo a arteterapeuta, é combinar diferentes linguagens. Ela afirma que tanto a contação de histórias quanto a dança podem, individualmente, abrir caminhos de expressão, mas que a união dos dois elementos amplia as possibilidades de trabalho durante os encontros.
“Se eu pegasse só o conto, já faria o processo terapêutico por si só. Se eu pegasse só a dança, também; só o corpo, só a corporeidade, já trabalharíamos.”
Jornada é inspirada no arquétipo da “Mulher Selvagem”
Um dos conceitos centrais trabalhados na jornada é o da “Mulher Selvagem”, presente na obra de Clarissa Pinkola Estés. O livro reúne contos e narrativas analisados a partir de uma perspectiva da psicologia junguiana e aborda a busca pela reconexão com a natureza instintiva feminina.
Dalisa explicou que os arquétipos são trabalhados como elementos que ajudam as participantes a refletir sobre comportamentos, relações e diferentes aspectos da própria trajetória.
Para a entrevistada, a jornada também propõe uma reflexão sobre as diferentes influências acumuladas ao longo da vida, como a educação recebida, a família, a religião, o trabalho e o ambiente social.
“Todos os arquétipos estão em nós, não é? Conhecer essas energias faz com que nos conheçamos melhor.”
Os encontros variam de acordo com cada grupo. Dalisa explicou que, inicialmente, experimentou formatos com vários contos em um único encontro, mas decidiu aprofundar o trabalho sobre cada narrativa.
Atualmente, um conto pode ser desenvolvido ao longo de dois ou três encontros, dependendo das experiências e das necessidades apresentadas pelo grupo.
“A jornada nunca acaba”, afirma arteterapeuta
A proposta também levou Dalisa a aprofundar os estudos em arteterapia. Segundo ela, a necessidade de compreender melhor os efeitos percebidos durante os primeiros encontros foi um dos fatores que motivaram essa formação.
“Eu fui para a arteterapia por causa desse momento com essas mulheres, para entender a potência de tudo que eu estava sentindo.”
Ela afirmou que a jornada se tornou também um objeto de estudo, especialmente a partir da relação entre contação de histórias, dança e corporeidade.
Para Dalisa, os processos de autoconhecimento não terminam com um único encontro ou experiência.
“A jornada nunca acaba.”
A entrevistada também destacou que o trabalho em grupo exige a construção de um ambiente de confiança, para que as participantes possam se sentir acolhidas durante as atividades.
Segundo ela, a proposta é voltada exclusivamente para mulheres, mas não há limite de idade para a participação.
Casa Jardim Julieta recebe atividades voltadas para mulheres
Atualmente, parte das atividades desenvolvidas por Dalisa acontece na Casa Jardim Julieta, localizada na Prainha, em Vila Velha. O espaço reúne profissionais e atividades voltadas ao acolhimento e ao cuidado com mulheres.
Além da jornada “Mulheres que Dançam com os Lobos”, o local oferece atividades como psicologia, reiki, yoga, massagens terapêuticas e atendimentos individuais e em grupo, segundo informações da entrevistada.
Dalisa destacou que muitas das ações são gratuitas e que, quando há cobrança, os valores têm caráter simbólico.
“É uma casa para isso. E, quando tem um valor, é um valor muito simbólico.”
A arteterapeuta também informou que mantém dois perfis nas redes sociais, um voltado à sua atuação como contadora de histórias e outro dedicado ao trabalho em arteterapia. O projeto e as atividades realizadas na Casa Jardim Julieta podem ser acompanhados pelos canais divulgados durante a entrevista.

Ao final da conversa, Dalisa resumiu a importância que a arte ocupa em sua própria trajetória.
“Costumo falar que a arte sempre me salva. É impressionante. Ela me salva sempre, todo santo dia.”
A entrevista completa com Dalisa Campos Miranda pode ser conferida nos canais digitais da Jovem Pan News Vitória.
Por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória







