Representantes da cultura popular do Espírito Santo entregaram à ministra da Cultura, Margareth Menezes, a Carta dos Mestres e Mestras do Folclore Capixaba, documento que reúne reivindicações voltadas à valorização dos saberes tradicionais e ao fortalecimento de grupos culturais brasileiros.
A audiência foi realizada no Ministério da Cultura, em Brasília, no dia 7 de julho, e durou cerca de duas horas. O encontro reuniu mestres da cultura popular capixaba, representantes da equipe técnica da pasta e o deputado federal Hélder Salomão, responsável pela articulação da reunião e pelo acompanhamento da tramitação da Lei dos Mestres e Mestras no Congresso Nacional.
A carta foi entregue pelo presidente da Associação de Bandas de Congo da Serra, mestre Deivid Soares. Também participou da reunião o vice-presidente da Comissão Nacional de Folclore, Eliomar Mazzoco.
Lei dos Mestres e Mestras é uma das principais reivindicações
Entre os principais pontos apresentados pela delegação capixaba está a aprovação da Lei dos Mestres e Mestras, proposta que tramita no Congresso Nacional há 13 anos.
Os representantes defenderam uma mobilização nacional de grupos, entidades e agentes culturais para sensibilizar deputados e senadores sobre a necessidade de reconhecer formalmente quem preserva, transmite e mantém vivas as tradições populares brasileiras.
A proposta busca ampliar o reconhecimento dos mestres e mestras como referências culturais, educadores e detentores de conhecimentos que atravessam gerações. Para os participantes, a ausência de políticas permanentes compromete a continuidade de manifestações tradicionais em diferentes regiões do país.
Acesso a editais e recursos públicos
A delegação também levou ao Ministério da Cultura a preocupação com o acesso dos grupos tradicionais aos editais estaduais e municipais.
A reivindicação é para que os recursos públicos destinados à cultura popular cheguem de forma mais efetiva aos mestres, mestras e coletivos que mantêm manifestações culturais em suas comunidades.
A dificuldade de inscrição, a burocracia, a exigência de documentação e a falta de apoio técnico estão entre os obstáculos enfrentados por grupos tradicionais para disputar editais. A carta defende mecanismos que considerem as particularidades dessas organizações e garantam condições mais justas de participação.
Saberes tradicionais nas escolas e universidades
Outro tema debatido durante a audiência foi a ampliação da presença de mestres e mestras em escolas, universidades e outros espaços de formação.
A proposta é reconhecer esses representantes da cultura popular como agentes fundamentais da educação, da memória e da preservação do patrimônio cultural brasileiro. A ministra informou que iniciativas relacionadas ao tema já estão em discussão entre o Ministério da Cultura e o Ministério da Educação.
Também foi abordada a necessidade de reconhecimento profissional dos mestres e mestras, em diálogo com o Ministério do Trabalho. A medida pode contribuir para dar maior visibilidade à atuação de quem dedica a vida à preservação de práticas culturais, celebrações, cantos, danças, rituais e conhecimentos transmitidos oralmente.
Programa RIR entra na pauta dos mestres capixabas
Os representantes do Espírito Santo também demonstraram expectativa em relação à implantação do programa Reconhecer, Integrar e Remunerar, o RIR.
A iniciativa do Ministério da Cultura foi apresentada durante o VIII Fórum de Mestres da Cultura Popular e tem como objetivo valorizar detentores de saberes tradicionais. Para os grupos capixabas, a criação de mecanismos de reconhecimento e remuneração pode ajudar a garantir continuidade às manifestações culturais e estimular a participação de novas gerações.
Ao final da reunião, a ministra e a equipe do Ministério da Cultura foram convidadas a conhecer algumas das principais manifestações da cultura popular capixaba.
Entre os eventos citados estão a tradicional fincada do mastro de São Benedito, na Serra, o Ticumbi do Norte do Espírito Santo e o Encontro de Folias de Reis de Muqui.
A retomada e o fortalecimento dessas celebrações foram apontados como estratégicos para a preservação do patrimônio imaterial capixaba. A entrega da carta, segundo os participantes, representa mais uma etapa de diálogo com o Governo Federal e reforça a necessidade de políticas públicas permanentes para os saberes tradicionais brasileiros.
Fonte e foto: Assessoria, Carta dos Mestres e Mestras do Folclore Capixaba e Ministério da Cultura.
Edição: Tatiana Sobreira, da Redação da Jovem Pan News Vitória.







