No De Olho na Cidade desta quarta-feira (26), da Jovem Pan News Vitória, a jornalista Tatiana Sobreira entrevistou o publicitário Fernando Lisboa, diretor de relacionamento da Sindicato das Agências de Propaganda do Espírito Santo (Sinapro-ES) e diretor executivo da Prosper Comunicação. A conversa abordou as transformações do mercado publicitário, o comportamento do novo consumidor, os impactos da inteligência artificial e os desafios para empresas e profissionais de comunicação.
Durante a entrevista, Fernando destacou que as mudanças no comportamento do consumidor obrigaram as marcas e as agências a repensarem estratégias, formatos e canais de comunicação. Segundo ele, o público atual busca respostas rápidas, bom atendimento e identificação com as empresas, além de ter à disposição uma quantidade cada vez maior de informações antes de tomar uma decisão de compra.
“O desafio da comunicação e da publicidade hoje, nessa era da transformação, é muito grande.”
Para Fernando Lisboa, as empresas vivem uma corrida para se adaptar a um consumidor mais diverso e conectado. Segundo ele, o público passou a esperar soluções rápidas e atendimento de qualidade, muitas vezes sem precisar sair de casa.
Além disso, novos modelos de negócio passaram a conviver com estruturas tradicionais, criando um cenário de transição que exige das marcas maior capacidade de adaptação.
Nesse contexto, a publicidade tem o papel de gerar demanda, estabelecer conexões e ajudar as empresas a conversar com diferentes públicos.
O publicitário defendeu ainda que as marcas precisam enxergar as agências como parceiras estratégicas e participar mais ativamente da construção das estratégias de comunicação.
Publicidade deixou de depender de poucos canais
Uma das principais mudanças apontadas por Fernando foi a multiplicação dos canais de comunicação.
Segundo ele, a publicidade tradicional trabalhava com uma quantidade mais limitada de meios e buscava garantir alcance, frequência e repetição da mensagem. Com a expansão das plataformas digitais, esse cenário mudou completamente.
Para explicar a transformação, o publicitário afirmou que os profissionais de comunicação passaram a exercer também uma espécie de função logística, pensando não apenas na criação da mensagem, mas em como ela será distribuída.
“A gente virou um profissional de logística.”
Fernando citou como exemplo a própria Jovem Pan News Vitória, que produz conteúdos para rádio, vídeo, redes sociais e diferentes plataformas digitais.
Na avaliação dele, uma mesma entrevista pode gerar conteúdos para diferentes canais, aumentando as possibilidades de contato com o público.
Por isso, o anunciante que espera encontrar uma única solução capaz de atingir todos os consumidores ao mesmo tempo precisa rever sua estratégia.
“Se a marca, o cliente, o anunciante está achando que vai conseguir ter uma bala de prata, que fala com todo mundo de uma vez só, isso não existe mais.”
Segundo Fernando, cabe às agências orientar os clientes sobre quais são os públicos prioritários de cada marca e quais canais são mais adequados para alcançar essas pessoas.
Consumidor pesquisa antes de decidir uma compra
O comportamento do consumidor também mudou, segundo o publicitário. Para Fernando, as pessoas não querem mais apenas receber uma mensagem publicitária e seguir uma ordem de compra.
O consumidor atual pesquisa, compara, busca opiniões e procura informações antes de escolher determinado produto ou serviço.
Ele citou como exemplo uma experiência pessoal após se tornar pai. Ao precisar comprar produtos para o filho, como mamadeira, carrinho de bebê e fraldas, Fernando se deparou com marcas que não faziam parte de seu cotidiano.
A partir daí, passou a pesquisar, ouvir opiniões de outras pessoas e procurar referências antes de tomar uma decisão.
Para ele, é justamente nesse momento que a publicidade ganha importância.
“Alguma coisa me despertou e me ajudou a tomar uma decisão, dizendo que aquilo tem credibilidade, que aquilo tem conforto, que aquilo tem segurança.”
Segundo Fernando, a publicidade não atua apenas na divulgação de um produto, mas também na construção da percepção que o consumidor tem sobre determinada marca.
Ele ressaltou ainda que o preço continua sendo importante, especialmente diante das dificuldades econômicas enfrentadas por parte da população, mas deixou de ser o único fator considerado na decisão de compra.
Inteligência artificial amplia desafios para empresas e profissionais
Outro ponto central da entrevista foi o avanço da inteligência artificial (IA) e seus impactos no mercado de comunicação.
Fernando avaliou que a tecnologia aumenta a competitividade, a eficiência e a produtividade, mas também cria novos desafios relacionados à qualificação profissional, retenção de talentos e utilização responsável das ferramentas.
Para ele, empresas e agências precisam estabelecer critérios e mecanismos de governança para definir como a inteligência artificial será utilizada.
O cenário também abre espaço para novas profissões e formatos de comunicação, como influenciadores digitais, creators e profissionais especializados em produção audiovisual.
“A única certeza que a gente tem é a certeza de que o mercado vai mudar, que ele vai se transformar.”
Segundo Fernando, acompanhar essa transformação exige investimento, tempo, talento e disposição para aprender.
Ele comparou o momento atual às mudanças ocorridas entre 1900 e 1913, período em que os automóveis substituíram rapidamente as carruagens nas ruas.
A diferença, segundo o publicitário, é que a transformação atual acontece em uma velocidade muito maior e torna mais difícil prever como será o mercado nos próximos anos.
Mercado regional pode ganhar força com a personalização
Fernando avaliou ainda que a expansão da inteligência artificial não significa necessariamente o fim do trabalho artesanal na comunicação.
Segundo ele, existem situações em que a autenticidade e o conhecimento das características locais continuam sendo fundamentais.
Uma campanha pensada para determinado bairro, praia ou comunidade pode exigir elementos que dificilmente serão reproduzidos de maneira eficiente por uma solução genérica.
“Tem a hora que tem que ser aquela coisa que acontece naquele bairro. Tem a hora que tem que ser aquela coisa que acontece naquela praia, para aquele público.”
Nesse cenário, o mercado regional pode ganhar ainda mais relevância, justamente pela capacidade de compreender as particularidades de cada público.
Empresas precisam se adaptar para reter profissionais
Outro desafio apontado durante a entrevista foi a disputa por mão de obra qualificada.
Com o crescimento econômico do Espírito Santo, empresas de diferentes setores passaram a buscar profissionais, aumentando também a concorrência pelos talentos disponíveis no mercado.
No setor de comunicação, Fernando afirmou que profissionais qualificados podem ser atraídos por grandes mercados, como Rio de Janeiro e São Paulo, além de oportunidades internacionais.
Para ele, as empresas precisam entender que tentar simplesmente impedir a saída desses profissionais não é suficiente.
O caminho seria criar ambientes capazes de estimular o desenvolvimento, oferecer espaço para novas ideias e permitir que os profissionais utilizem as novas tecnologias de maneira segura e produtiva.
“Essa ideia de que a gente vai tentar segurar esse profissional é até prejudicial para o mercado.”
Segundo Fernando, o desafio está em fazer com que o profissional tenha condições de desenvolver seu potencial enquanto estiver dentro da empresa, ao mesmo tempo em que o mercado continua formando novos talentos.
A discussão, segundo ele, não se limita às agências de publicidade. Trata-se de uma questão que envolve o mercado de trabalho capixaba como um todo.
Com novas empresas chegando ao Estado e uma demanda crescente por mão de obra, a qualificação e a retenção de profissionais devem se tornar questões cada vez mais estratégicas para a economia capixaba.
A entrevista completa com o publicitário Fernando Lisboa está disponível nos canais da Jovem Pan News Vitória.
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Por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória







