No Dia do Soldado, celebrado na última terça-feira (25), o programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória, discutiu os desafios da carreira militar e a importância da valorização dos profissionais de segurança pública. A jornalista Tatiana Sobreira entrevistou o capitão reformado Guilherme Thompson de Mendonça, presidente da Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires).
Durante a conversa, Thompson falou sobre os impactos da rotina profissional na vida dos policiais e bombeiros militares e destacou a necessidade de ampliar o cuidado com a saúde mental, as condições de trabalho e a valorização dos profissionais.
Segundo o capitão, apesar dos avanços registrados nos últimos anos em áreas como equipamentos, viaturas e armamentos, ainda existem questões que precisam ser enfrentadas para melhorar as condições de trabalho dos militares.
“Não podemos esquecer que dentro de uma farda tem um ser humano, tem uma pessoa que tem sentimentos, que tem uma família.”
Carreira militar envolve pressão e alta responsabilidade
Para Guilherme Thompson, a carreira militar possui características próprias e exige dos profissionais um alto nível de responsabilidade. Segundo ele, policiais e bombeiros são frequentemente chamados para atuar em situações nas quais outros setores da sociedade já não conseguiram solucionar determinado problema.
O presidente da Aspomires afirmou que os policiais lidam diariamente com diferentes problemas sociais e, muitas vezes, precisam tomar decisões em poucos segundos, especialmente durante ocorrências que envolvem risco à própria vida ou à segurança da população.
“É o profissional que não pode errar.”
Segundo Thompson, a pressão é ampliada pela responsabilidade atribuída ao militar e pelas consequências que podem surgir de uma decisão tomada durante uma ocorrência.
O capitão destacou ainda que os militares possuem regras e estruturas jurídicas próprias, podendo responder tanto à Justiça comum quanto à Justiça Militar, dependendo da situação.
Para ele, essa combinação de responsabilidade, pressão e risco reforça a necessidade de cuidar do profissional que está por trás da farda.
Saúde mental dos militares exige atenção
A saúde mental foi um dos principais temas discutidos durante a entrevista. Segundo Thompson, as transformações sociais dos últimos anos, especialmente após a pandemia de Covid-19, também afetaram a rotina dos profissionais de segurança pública.
Além das situações de estresse relacionadas ao trabalho, policiais e bombeiros convivem com mudanças na jornada, novas formas de fiscalização e exposição constante nas redes sociais.
O capitão avaliou que o profissional precisa lidar simultaneamente com as responsabilidades do trabalho e da vida pessoal, enquanto permanece sujeito à avaliação pública sobre sua atuação.
“A decisão que o policial tem que tomar é na rua, em fração de segundos, quando a vida dele está em risco, quando a vida do cidadão está em risco.”
Thompson também afirmou que existe resistência entre alguns militares em procurar acompanhamento psicológico. De acordo com ele, parte dessa dificuldade está relacionada à própria cultura da profissão, que muitas vezes associa o militar à imagem de alguém que precisa ser forte diante de qualquer situação.
Para o presidente da Aspomires, é necessário trabalhar essa questão com cuidado, incentivando os profissionais a procurar ajuda quando necessário.
Família também é afetada pela rotina dos militares
A entrevista também abordou o impacto da carreira militar sobre os familiares dos profissionais. Thompson destacou que a família precisa ser considerada dentro das políticas de apoio aos militares, principalmente diante dos riscos envolvidos na atividade.
Segundo ele, familiares convivem com a preocupação constante de que o profissional possa não retornar para casa após uma ocorrência.
“A família é fundamental.”
A Aspomires também oferece atendimento social e acolhimento às famílias dos militares. A entidade mantém entre seus associados pensionistas, incluindo familiares de policiais e bombeiros militares que morreram.
Thompson explicou que esse trabalho busca oferecer apoio especialmente durante os períodos mais difíceis após a perda de um familiar.
A associação também desenvolve atividades voltadas para esse público. Entre elas está uma programação relacionada ao Outubro Rosa, com palestras e atividades na sede da entidade.
Atendimento jurídico, social e de saúde
Segundo Thompson, a Aspomires oferece serviços em diferentes áreas para atender às necessidades dos associados. Entre eles estão atendimentos jurídicos, assistência social e apoio financeiro.
A entidade também presta auxílio na área da saúde, especialmente para militares que vivem no interior e precisam realizar consultas ou exames na Grande Vitória.
O presidente explicou que, em determinados casos, a associação auxilia no deslocamento dos associados até Vitória para atendimento médico.
“Nós mesmos colocamos no nosso carro, ajudamos a marcar a consulta, o exame, trazemos o militar aqui e retornamos com ele.”
A Aspomires também pretende ampliar a estrutura de atendimento aos associados com a construção de acomodações em sua sede.
A ideia é oferecer um espaço para que militares que moram em municípios mais distantes possam se hospedar quando precisarem comparecer à capital para consultas, exames ou outros compromissos.
Segundo Thompson, a iniciativa pode evitar que o militar precise sair de casa durante a madrugada para chegar a Vitória no horário marcado.
Aspomires promove encontro mensal para associados
Durante a entrevista, o presidente também convidou os associados para participar de um encontro realizado pela Aspomires na última quarta-feira de cada mês.
Segundo Thompson, a iniciativa foi criada para que os militares não procurem a associação apenas em momentos de dificuldade, como problemas jurídicos ou financeiros.
A programação inclui almoço, atividades de integração e torneios de sinuca, dominó e canastra.
A proposta, segundo o capitão, é criar um espaço de convivência e reencontro entre os associados.
Para Thompson, a iniciativa contribui para fortalecer os vínculos entre os militares e fazer com que eles também enxerguem a associação como um espaço de convivência.
A entrevista completa com o capitão Guilherme Thompson está disponível nos canais da Jovem Pan News Vitória.







