No programa De Olho na Cidade desta terça-feira (16), a jornalista Tatiana Sobreira entrevistou o advogado empresarial e sucessório Diego Barros para discutir os possíveis impactos da proposta que reduz a jornada de trabalho no Brasil, conhecida como PEC 6×1. Durante a conversa, o especialista defendeu que o debate sobre a medida precisa ir além do aspecto político e considerar os efeitos econômicos, jurídicos e operacionais para empresas, trabalhadores e consumidores.
Segundo Diego Barros, a proposta atualmente tramita em diferentes frentes no Congresso Nacional e ainda enfrenta resistência para uma aprovação rápida. O advogado destacou que, apesar de a redução da jornada ser uma pauta legítima sob a ótica da qualidade de vida dos trabalhadores, os impactos econômicos da mudança precisam ser analisados com cautela.
“É um tema bastante sensível e espinhoso”, afirmou o especialista ao comentar a tramitação da proposta no Congresso Nacional.
Debate vai além da redução da jornada
Durante a entrevista, Diego argumentou que a discussão não deve se limitar apenas à diminuição dos dias trabalhados, mas também à produtividade da economia brasileira.
De acordo com ele, o trabalhador brasileiro ainda apresenta índices de produtividade inferiores aos observados em países desenvolvidos, o que exige uma reflexão mais ampla sobre eficiência, inovação e modernização dos processos produtivos.
“O que se discute não é apenas a redução da jornada, mas também formas que possibilitem o aumento da produtividade e da produção das empresas”, explicou.
O advogado observou ainda que o avanço da tecnologia e da automação já vem transformando o mercado de trabalho, mas ressaltou que nem todos os setores possuem condições financeiras para realizar adaptações rápidas.
Pequenas empresas podem ser as mais afetadas
Um dos principais pontos levantados pelo especialista foi o impacto da proposta sobre pequenas e médias empresas, especialmente nos setores de comércio e serviços.
Segundo Diego Barros, esses segmentos representam uma parcela significativa da economia capixaba e nacional, mas possuem menor capacidade de absorver custos adicionais decorrentes da redução da jornada.
Ele destacou que muitos empreendimentos poderiam enfrentar dificuldades para contratar novos funcionários, investir em automação ou absorver gastos com horas extras.
“A CNC estima um prejuízo anual em torno de R$ 357 bilhões por ano de custos que as empresas vão ter que assumir”, afirmou.
Na avaliação do advogado, alguns setores poderão acabar repassando parte desses custos ao consumidor final por meio do aumento de preços.
Risco de aumento da informalidade
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a possibilidade de crescimento da informalidade no mercado de trabalho.
Para Diego Barros, empresas que não conseguirem reorganizar suas operações poderão reduzir contratações ou buscar formatos alternativos de prestação de serviços, ampliando fenômenos já observados nos últimos anos.
“O aumento da informalidade pode surgir como consequência de uma medida como essa, caso as empresas não consigam se reorganizar”, avaliou.
O especialista ponderou, porém, que nem todas as funções podem ser convertidas para modelos de contratação como pessoa jurídica (PJ), especialmente em atividades que mantêm características típicas de vínculo empregatício.
Hospitais, supermercados e serviços contínuos exigem atenção
Diego também chamou atenção para setores que operam de forma ininterrupta, como hospitais, supermercados, shoppings e empresas de segurança privada.
Segundo ele, essas atividades necessitam de escalas permanentes e podem enfrentar custos ainda maiores para manter o funcionamento sem reduzir salários.
“Ou você contrata mais pessoas ou arca com horas extras. Não tem outra saída”, afirmou.
O advogado defendeu que o Congresso considere as particularidades de cada segmento antes de aprovar mudanças que afetem toda a economia de forma uniforme.
Debate técnico é fundamental
Ao longo da entrevista, o especialista reforçou a necessidade de ampliar o diálogo entre governo, trabalhadores, empresários e entidades representativas.
Na avaliação dele, decisões dessa magnitude precisam ser construídas com base em dados técnicos e projeções econômicas, evitando que o debate fique restrito à disputa política.
“Quando você tem uma discussão de temas tão sensíveis, é importante ouvir diversos setores da economia, sindicatos, categorias de trabalhadores e também quem produz no Brasil”, declarou.
Reforma tributária amplia preocupação do setor produtivo
Outro fator apontado por Diego Barros foi a coincidência entre a discussão da PEC 6×1 e o processo de implementação da reforma tributária.
Segundo ele, empresas e estados já enfrentam um cenário de adaptação econômica, o que pode aumentar os desafios caso novas obrigações sejam incorporadas simultaneamente.
O especialista avalia que os impactos da proposta poderão variar de acordo com o setor, mas alerta que mudanças dessa dimensão exigem planejamento para evitar reflexos negativos sobre empregos, arrecadação e investimentos.
Ao encerrar a entrevista, Diego Barros defendeu a construção de um consenso que contemple tanto a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores quanto a sustentabilidade das atividades econômicas.
“Que se chegue a uma decisão mais justa e mais democrática, com a melhor solução para todos”, concluiu.
A entrevista completa está disponível como gravação no canal da Jovem Pan News Vitória | 98,1FM e pode ser conferida clicando aqui.
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Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória







