Uma pesquisa inédita da Universidade Federal do Espírito Santo acendeu um alerta para a saúde de crianças e adolescentes: estudantes de Vitória consomem, em média, 8,8 gramas de sal por dia, quase o dobro do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Apenas 13% dos participantes apresentaram ingestão adequada para a faixa etária.
O levantamento faz parte do Projeto Kids Sal, desenvolvido pelo grupo de Epidemiologia das Doenças Crônicas do Centro de Ciências da Saúde da Ufes. A pesquisa analisou estudantes entre 6 e 17 anos e utilizou a coleta de urina de 24 horas, método considerado padrão-ouro para estimar a ingestão de sódio.
Entre abril de 2024 e novembro de 2025, cerca de 1.060 alunos de 12 escolas públicas e privadas de Vitória se inscreveram no estudo. Ao final, 516 coletas foram validadas e formaram o primeiro banco de dados brasileiro sobre o consumo de sal nessa faixa etária.
Pressão alta pode começar cedo
O excesso de sal está diretamente ligado ao aumento da pressão arterial. Segundo o coordenador da pesquisa, o professor José Geraldo Mill, cada grama ingerida acima do recomendado pode elevar, em média, 1 milímetro de mercúrio na pressão arterial dos jovens.
Os resultados mostram que cerca de 4% dos participantes já apresentavam níveis de pressão compatíveis com pré-hipertensão ou hipertensão. A preocupação é que o hábito alimentar se mantenha ao longo da vida e aumente o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.
O estudo também aponta diferenças por idade e sexo. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, os meninos consomem, em média, 9,5 gramas de sal por dia, enquanto as meninas chegam a 8 gramas. A ingestão tende a crescer à medida que os estudantes envelhecem.
Ultraprocessados estão entre os principais vilões
Os pesquisadores explicam que o excesso não vem apenas do sal colocado no prato ou usado no preparo da comida. Produtos industrializados e ultraprocessados, como embutidos, carnes salgadas, queijos, temperos prontos, refeições congeladas, salgadinhos e chips, podem concentrar grande quantidade de sódio.
Além da pressão alta, o consumo exagerado de sal pode favorecer a formação de cálculos renais e aumentar o risco de doença renal crônica.
A orientação é reduzir gradualmente o sal no preparo das refeições, retirar o saleiro da mesa e diminuir a frequência de alimentos ultraprocessados. A mudança gradual ajuda o paladar a se acostumar com o sabor natural dos alimentos.
Além de traçar o retrato do consumo em Vitória, o Projeto Kids Sal validou fórmulas que permitem estimar a ingestão de sódio por meio de uma única amostra de urina. Segundo a Ufes, o resultado pode facilitar futuros levantamentos nacionais, já que a coleta de urina por 24 horas em milhares de estudantes seria mais complexa e cara. O projeto teve financiamento da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e do CNPq.
Fonte e foto: Universidade Federal do Espírito Santo
Edição: Tatiana Sobreira, Redação Jovem Pan News Vitória







