No De Olho na Cidade desta sexta-feira, a jornalista Tatiana Sobreira entrevistou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, para analisar os dados mais recentes do mercado de trabalho formal no Espírito Santo. Durante a conversa, o especialista detalhou os fatores que impulsionaram a criação de empregos no estado, os setores que lideram as contratações e as perspectivas para os próximos meses.
O Espírito Santo registrou em março o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica do Novo Caged. Foram criados 7.392 empregos formais com carteira assinada, resultado que representa uma forte recuperação em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo André Spalenza, o desempenho surpreendeu porque contrariou o comportamento tradicional observado após o período de contratações de fim de ano.
“No ano passado, nessa mesma época, tínhamos fechado 650 empregos. Normalmente, no começo do ano esse número se ajusta, mas neste ano tivemos uma surpresa: ele não se ajustou, ele cresceu e continua crescendo”, afirmou.
Para o coordenador do Observatório do Comércio, o resultado reflete o amadurecimento da economia capixaba e a diversificação dos setores produtivos, o que permite manter o mercado de trabalho aquecido mesmo em períodos de transição econômica.
Serviços e comércio lideram geração de vagas
Os setores de serviços e comércio foram os principais responsáveis pela abertura de postos de trabalho no estado. Juntos, responderam por mais de 4 mil novas vagas formais em março.
Entre os destaques estão os supermercados, que voltaram a contratar após enfrentarem dificuldades de recomposição de mão de obra ao longo de 2025.
“Era um segmento que vinha enfrentando retração e dificuldade para contratar. Em março, tivemos cerca de 750 contratados apenas para supermercados”, destacou.
Além do comércio, Spalenza ressaltou a importância do setor de serviços para a economia estadual. Segundo ele, a predominância de micro e pequenas empresas exige análises que vão além dos números e considerem também o contexto econômico e social dos negócios.
“Quando falamos de comércio e serviços, estamos falando de setores formados majoritariamente por micro e pequenas empresas. Por isso é tão importante entender o contexto por trás dos números”, explicou.
Safra do café deve impulsionar novas contratações
Para os próximos meses, a expectativa é de manutenção do mercado aquecido, com destaque para o agronegócio ligado à cadeia produtiva do café.
“Graças ao período da safra, os municípios do interior ligados à atividade cafeeira começam a aparecer com mais intensidade na geração de empregos”, afirmou.
O especialista também apontou que atividades ligadas à logística e ao transporte devem continuar em expansão. Segundo ele, a posição geográfica estratégica do Espírito Santo e sua estrutura logística fortalecem o crescimento desses segmentos.
Qualificação profissional e feirões de emprego
Durante a entrevista, André Spalenza também destacou a importância da qualificação profissional para ampliar a inserção de trabalhadores no mercado formal.
Segundo ele, iniciativas desenvolvidas por instituições como o Senac ajudam a aproximar empresas e trabalhadores, reduzindo a distância entre as vagas disponíveis e a mão de obra qualificada.
Além disso, o coordenador recomendou que pessoas em busca de recolocação participem dos feirões de emprego promovidos por diferentes instituições.
“Quem está procurando emprego deve participar dos feirões. As taxas de contratação têm sido altíssimas porque há preparação tanto para quem busca a vaga quanto para as empresas”, afirmou.
Perspectivas para 2026
Ao avaliar o cenário econômico, Spalenza demonstrou otimismo para o restante do ano, embora ressalte a necessidade de atenção a fatores externos, como os efeitos da reforma tributária e possíveis impactos no comércio internacional.
“Tudo indica que 2026 continuará sendo um ano positivo. O crescimento deve seguir acontecendo, talvez de forma mais moderada, mas a expectativa continua favorável para o mercado de trabalho capixaba”, avaliou.
Ao final da entrevista, o especialista reforçou que o Espírito Santo vive um momento de fortalecimento econômico, com queda da inadimplência, aumento da intenção de consumo das famílias e uma das menores taxas de desemprego do país, fatores que contribuem para sustentar o ciclo de geração de empregos formais no estado.
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Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória






