Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher os novos representantes do Congresso e autoridades estaduais. As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, podem alterar a composição política do Legislativo americano e definir o espaço de atuação do presidente Donald Trump nos próximos dois anos.
A votação ocorre em um momento de disputa acirrada entre republicanos e democratas. Atualmente, o Partido Republicano controla as duas Casas do Congresso, mas possui maioria estreita. Os democratas tentam conquistar cadeiras suficientes para assumir o comando da Câmara dos Representantes e do Senado.
Mais de 51 milhões de americanos já haviam votado antecipadamente até 31 de outubro, segundo dados compilados pelo Election Lab, da Universidade da Flórida. A expectativa é de que a votação desta terça-feira concentre a etapa final de uma eleição que já mobiliza o país há semanas.
O resultado será acompanhado de perto porque representa a primeira grande avaliação nacional do governo Trump desde o início do atual mandato. A disputa também deve influenciar as estratégias dos dois partidos para a eleição presidencial de 2028.
O que está em jogo nas eleições americanas?
Diferentemente da eleição presidencial, os americanos não vão escolher o presidente nesta terça-feira. As eleições de meio de mandato acontecem na metade do período de quatro anos de governo e renovam os cargos legislativos e parte das administrações estaduais.
Neste ano, estarão em disputa:
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As 435 cadeiras da Câmara dos Representantes;
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35 das 100 cadeiras do Senado, incluindo duas eleições especiais;
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Os governos de 36 dos 50 estados;
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Cargos nas assembleias legislativas estaduais;
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Propostas e consultas populares sobre temas como impostos, aborto e regras eleitorais.
O Congresso dos Estados Unidos é formado pela Câmara dos Representantes e pelo Senado. As duas Casas participam da elaboração e aprovação de leis, mas têm atribuições próprias na estrutura política do país.
Republicanos tentam manter maioria no Congresso
Na Câmara dos Representantes, os republicanos chegam à eleição com uma maioria apertada: 218 cadeiras, contra 214 dos democratas, além de uma vaga independente que costuma acompanhar os republicanos e duas cadeiras atualmente vagas.
Para assumir o controle da Casa, os democratas precisam conquistar um saldo de pelo menos quatro cadeiras. A disputa é importante porque o partido que forma a maioria escolhe a presidência da Câmara e controla a estrutura de funcionamento das comissões legislativas.
No Senado, os republicanos têm 53 representantes, enquanto os democratas contam com 45 senadores e dois independentes que atuam alinhados ao partido. Para conquistar a maioria, os democratas precisam obter um saldo de quatro cadeiras.
A composição do Senado também tem uma particularidade: em caso de empate em uma votação, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, pode exercer o voto de desempate. Como ele é republicano, uma divisão de 50 a 50 ainda favoreceria o partido de Trump no controle da Casa.
Por que o resultado pode afetar o governo Trump?
A composição do Congresso tem influência direta sobre a capacidade de um presidente de aprovar projetos, negociar o orçamento e implementar suas principais propostas.
Se os republicanos mantiverem o controle das duas Casas, Trump terá maior facilidade para negociar com o Legislativo e avançar com a agenda do governo.
Caso os democratas conquistem a maioria em uma ou nas duas Casas, o cenário poderá mudar. A oposição terá mais influência sobre a pauta legislativa, as comissões e a fiscalização das ações do Executivo.
Na Câmara, uma maioria democrata poderá ampliar a realização de investigações e audiências sobre decisões do governo. O Senado, por sua vez, tem papel importante na aprovação de indicações para cargos do governo e para o Judiciário federal, além de participar de decisões relacionadas à política externa e ao orçamento.
Uma eventual mudança na composição do Congresso, entretanto, não significa que o presidente perderá o mandato ou deixará automaticamente de governar. Trump continuará na Casa Branca até o fim do período presidencial. O que pode mudar é a relação de forças entre o Executivo e o Legislativo.
Economia, imigração e guerra estão entre os temas da campanha
O custo de vida aparece entre as principais preocupações dos eleitores. Inflação, preços, emprego e condições econômicas têm sido temas recorrentes na campanha, ao lado das políticas de imigração e segurança nas fronteiras.
A participação dos Estados Unidos na guerra com o Irã também entrou no debate eleitoral e passou a influenciar a avaliação do governo. Os republicanos defendem a continuidade da agenda de Trump, enquanto os democratas buscam transformar as insatisfações com a administração federal em votos.
Outro ponto de atenção são as diferenças entre os candidatos nas disputas estaduais e locais. Embora a eleição nacional seja marcada pela disputa entre os dois partidos, os resultados são definidos individualmente em cada distrito eleitoral e estado.
Quando começam a sair os resultados?
A votação acontece ao longo desta terça-feira, mas a divulgação dos resultados não será simultânea em todo o país. Os horários de fechamento das urnas variam conforme o estado e, em alguns casos, dentro de uma mesma unidade federativa.
A apuração será acompanhada durante a noite de terça e a madrugada de quarta-feira (4), no horário de Brasília. Disputas muito apertadas poderão levar mais tempo para serem definidas, especialmente quando houver recontagens, questionamentos judiciais ou necessidade de análise de cédulas enviadas pelo correio.
Nos Estados Unidos, as eleições são administradas pelos estados, e os resultados passam por processos próprios de conferência e certificação. Por isso, a projeção de uma vitória por veículos de comunicação não representa, por si só, a certificação oficial do resultado.
Disputa também prepara o caminho para 2028
Além de definir a composição do Congresso pelos próximos dois anos, as eleições de 2026 devem influenciar o futuro dos partidos e a corrida presidencial seguinte.
Para os democratas, conquistar espaço no Legislativo pode representar uma oportunidade de reorganizar a oposição e fortalecer lideranças para 2028. Para os republicanos, manter as maiorias significaria preservar o controle do Congresso durante a segunda metade do mandato de Trump.
O resultado também será observado internacionalmente. Decisões do Congresso americano podem influenciar temas como comércio exterior, política de defesa, relações diplomáticas e financiamento de ações internacionais.
A eleição desta terça-feira, portanto, vai além da escolha de parlamentares. O resultado indicará como ficará o equilíbrio de poder em Washington e quais serão as condições políticas para o governo Trump conduzir sua agenda até o fim do mandato.
Fontes: Reuters, cobertura das eleições de meio de mandato de 2026, publicada em 2 de novembro; The Independent; USAGov; University of Florida Election Lab.
Imagem IA
Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória







