Tecnologia já é utilizada em atividades rurais e está no centro de discussões sobre inovação, segurança e fortalecimento da indústria brasileira

Os drones estão ganhando espaço no agronegócio brasileiro e se transformando em ferramentas para atividades que vão muito além da captação de imagens. A tecnologia já aparece entre as aplicações que mais impulsionam a expansão desse mercado no país, ao lado de áreas como saúde pública, segurança, manutenção urbana e defesa.

O avanço do uso desses equipamentos foi discutido nesta terça-feira (8), durante audiência pública da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática do Senado (CCT). O encontro reuniu representantes do governo, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Aeronáutica e de empresas do setor para discutir a criação de um possível programa nacional de drones.

Atualmente, o Brasil possui 177 mil drones cadastrados na Anac, com cerca de 10 mil novos registros por mês. O crescimento do mercado, segundo os participantes da audiência, aumenta também a necessidade de investimentos, mão de obra especializada, regulamentação e desenvolvimento de uma indústria nacional.

Do monitoramento das lavouras à tomada de decisões

No campo, os drones podem ampliar a capacidade do produtor de acompanhar áreas extensas e obter informações com rapidez.

A tecnologia permite utilizar imagens aéreas para observar as condições das propriedades e auxiliar no acompanhamento das lavouras. Isso coloca o drone dentro de um movimento maior de modernização do agronegócio, em que dados e tecnologia passam a ter papel cada vez mais importante na gestão da produção.

A audiência do Senado, no entanto, mostrou que o debate não envolve apenas o uso dos equipamentos pelos produtores. A discussão também passa pela capacidade do Brasil de desenvolver tecnologias próprias para atender à expansão desse mercado.

Brasil tem mercado, mas ainda enfrenta obstáculos

Apesar do crescimento, representantes do setor apontaram dificuldades para ampliar a cadeia produtiva nacional.

Entre os obstáculos citados estão a carga tributária elevada, falta de incentivos para a produção brasileira, escassez de profissionais especializados, baixo investimento em pesquisa, dificuldade de acesso a financiamento e crédito e ausência de uma estratégia nacional para a indústria de drones.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Drone (ABDrone), Pedro Curcio Júnior, defendeu políticas públicas para estimular a produção nacional, incluindo redução de impostos sobre equipamentos e componentes, apoio a pequenos empreendedores e aumento dos recursos destinados à pesquisa e ao desenvolvimento.

Tecnologia pode mudar a rotina do produtor

A expansão dos drones representa uma mudança na relação entre o produtor e a informação dentro da propriedade.

Em vez de depender apenas da observação em solo, o produtor pode contar com recursos tecnológicos para acompanhar grandes áreas e identificar situações que exigem atenção.

O avanço desse mercado também cria demanda por profissionais especializados em operação, manutenção, engenharia, desenvolvimento de sistemas e análise de dados.

Para os participantes da audiência, o desafio é fazer com que esse crescimento gere também conhecimento, empregos e empresas brasileiras capazes de desenvolver soluções para o setor.

Segurança também entra no debate

Quanto maior o número de drones em operação, maior também é a preocupação com a segurança do espaço aéreo.

A Anac informou durante a audiência que mudanças recentes na regulamentação adotaram uma metodologia de análise de risco para permitir maior flexibilidade nas operações sem reduzir os requisitos de segurança.

O diretor substituto da Anac, Cláudio Beschizza Ianelli, destacou a necessidade de integração entre os órgãos públicos, o setor produtivo e as áreas técnicas para acompanhar a expansão das operações. Para o agronegócio, essa organização é especialmente importante porque as operações com drones podem ocorrer em grandes áreas rurais e em regiões próximas a diferentes estruturas e rotas aéreas.

Indústria brasileira é considerada estratégica

A discussão no Senado também ganhou uma dimensão de soberania tecnológica.

O major-brigadeiro do ar Frederico Casarino afirmou que o desenvolvimento de drones nacionais é estratégico para o Brasil, principalmente nos setores de defesa e tecnologia.

A proposta é reduzir a dependência de equipamentos e sistemas estrangeiros por meio do fortalecimento da indústria brasileira e do desenvolvimento de soluções próprias.

Para o agronegócio, uma indústria nacional fortalecida pode significar maior oferta de equipamentos e soluções desenvolvidas de acordo com as necessidades das propriedades brasileiras.

Senado quer avançar na criação de regras para o setor

O senador Astronauta Marcos Pontes, autor do requerimento da audiência, afirmou que a Comissão de Ciência e Tecnologia deverá realizar outros dois debates sobre o assunto.

A intenção é reunir as demandas de diferentes setores para construir um marco legal para os drones e reduzir entraves ao desenvolvimento e à operação dos equipamentos.

A proposta também envolve maior articulação entre órgãos como Anac, Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e representantes do setor produtivo.

Um novo capítulo da tecnologia no campo

O avanço dos drones mostra que a tecnologia está deixando de ser apenas um equipamento complementar e começa a ocupar espaço estratégico na atividade rural.

Para o agronegócio, a tendência é de maior utilização de ferramentas capazes de ampliar o monitoramento das propriedades e apoiar decisões.

Mas o crescimento do setor depende de uma combinação de fatores: regulamentação adequada, segurança, profissionais capacitados, pesquisa, financiamento e uma indústria nacional capaz de acompanhar a demanda.

O debate realizado no Senado mostra que a discussão sobre drones já não é apenas sobre o equipamento que voa sobre as lavouras. É também sobre quem vai desenvolver a tecnologia, quem vai produzir os equipamentos e quanto o Brasil poderá avançar nessa nova fronteira da inovação no campo.

Fonte e foto: Agência Senado. (Senado Federal), Geraldo Magela (foto)

Edição: Tatiana Sobreira, da Redação da Jovem Pan News Vitória

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