Mostra “Alquimia do Barro – Revolver-se nessa Terra” reúne diferentes linguagens da cerâmica artística na Casa Porto das Artes Plásticas, com entrada gratuita até 16 de agosto.

 

A cerâmica capixaba ganha espaço na Casa Porto das Artes Plásticas, em Vitória, com a exposição “Alquimia do Barro – Revolver-se nessa Terra”. A mostra foi organizada em comemoração aos 25 anos da Associação dos Ceramistas do Espírito Santo (CeramES) e reúne 32 artistas em trabalhos que exploram diferentes possibilidades de transformação do barro em arte.

Em entrevista ao programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória, a presidente da CeramES, Mariana Barroso, explicou que a exposição é resultado de um processo coletivo construído pelos associados. Segundo ela, a entidade já realiza, há quatro anos, mostras em parceria com a Casa Porto para marcar o aniversário da associação.

A escolha do tema deste ano partiu de uma sugestão da ceramista Beth Aragão. Para Mariana, a ideia de trabalhar com a alquimia dialoga diretamente com o processo de produção da cerâmica, que envolve diferentes elementos e uma transformação que nem sempre pode ser completamente controlada pelo artista.

“Muita gente falou que seria difícil, mas está tudo ali ligado àquela transformação: temos os quatro elementos envolvidos”

A presidente explica que o processo de definição da exposição passa pelas reuniões da associação, nas quais os integrantes discutem temas e formatos antes de chegar à proposta final. Atualmente, a CeramES conta com 64 associados, entre artesãos e ceramistas.

Cerâmica como expressão individual e coletiva

A exposição conta com curadoria de Lindomberto Ferreira Alves e curadoria adjunta de Amanda Amaral. De acordo com Mariana, o trabalho dos curadores esteve concentrado principalmente na organização da exposição, sem interferir na liberdade de criação dos artistas.

A proposta permitiu que cada ceramista desenvolvesse sua própria interpretação do tema. Para Andréia Lara, ceramista, expositora e secretária da CeramES, essa diversidade é justamente uma das características da mostra.

“Cada um tem a sua história e ela se representa naquelas peças. É a alquimia de cada um.”

Andréia também levou para a exposição uma obra chamada “Ebulição”. Jornalista de formação, ela afirma que a experiência profissional influenciou sua maneira de observar a realidade e aparece diretamente em seu trabalho artístico.

A peça, segundo ela, faz uma crítica ao mundo contemporâneo e parte da ideia de que as pessoas vivem em diferentes “pontos de fervura”. Para Andréia, o jornalismo contribuiu para desenvolver uma postura mais questionadora, que acabou sendo incorporada à produção artística.

“É a questão da criticidade. A minha peça, por exemplo, faz uma crítica ao mundo que nós estamos vivendo hoje.”

Público também participa da exposição

Outra novidade da edição deste ano é a participação do público na escolha da obra que mais chamou a atenção dos visitantes. Segundo Andréia, a associação reformulou o processo para evitar que a votação se transformasse em uma disputa baseada em campanhas pessoais.

A ideia, de acordo com ela, é permitir que o visitante escolha a obra que mais o marcou durante a visita.

Andréia também destacou a importância da curadoria nesse processo. Segundo ela, Lindomberto Ferreira Alves trouxe um olhar externo para a exposição e apresentou sugestões que ajudaram alguns artistas a repensar a disposição de suas obras sem interferir na criação.

“Ele veio para ter um olhar de quem está de fora, mais apurado”

Exposição segue até agosto

A exposição “Alquimia do Barro – Revolver-se nessa Terra” reúne 32 artistas e apresenta esculturas, instalações e painéis desenvolvidos especialmente para a mostra. A exposição permanece aberta ao público até 16 de agosto, com entrada gratuita.

A visitação acontece de segunda a sábado, das 10h às 17h, na Casa Porto das Artes Plásticas, localizada na Praça Jardim Mão, no Centro de Vitória.

Da esquerda para a direita: Mariana Barroso, Andréia Lara e a jornalista Tatiana Sobreira. Foto: Thiago Freitas

A programação paralela inclui uma roda de conversa, visitas guiadas para escolas e o lançamento do catálogo impresso da exposição, previsto para 13 de agosto, sujeito a alterações.

A exposição é uma realização da CeramES e conta com parceiros institucionais, entre eles o Sebrae e a Faciapes.

Por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória

Autor