Um levantamento atualizado da Defensoria Pública do Espírito Santo aponta a necessidade de ampliar a rede de atendimento em saúde mental em 22 dos 78 municípios capixabas. O diagnóstico identifica um déficit de 57 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em todo o Estado, considerando os parâmetros populacionais estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Entre os municípios com maior necessidade de novas unidades estão Vila Velha e Serra, com déficit de nove centros cada. Linhares aparece com necessidade de mais seis unidades; Cachoeiro de Itapemirim, cinco; Cariacica, cinco; e Vitória, quatro.

Os dados foram divulgados pela Defensoria Pública nesta quarta-feira (4). A instituição cobra medidas do poder público para ampliar a estrutura da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e garantir atendimento adequado às pessoas em sofrimento psíquico e àquelas que enfrentam problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.

Vila Velha, Serra e outras cidades têm déficit de unidades

De acordo com o levantamento, a necessidade de ampliação não está concentrada apenas na Região Metropolitana. O problema também atinge municípios do interior.

Confira algumas das cidades com déficit apontado pela Defensoria:

Município Déficit identificado
Vila Velha 9 unidades
Serra 9 unidades
Linhares 6 unidades
Cachoeiro de Itapemirim 5 unidades
Cariacica 5 unidades
Vitória 4 unidades
Viana 3 unidades
Aracruz 2 unidades
Colatina 1 unidade
Guarapari 1 unidade

O diagnóstico considera a população de cada município e os parâmetros federais para a implantação das diferentes modalidades de CAPS.

Qual é a função dos CAPS?

Os Centros de Atenção Psicossocial são serviços públicos especializados do Sistema Único de Saúde (SUS). As unidades acompanham pessoas com sofrimento psíquico grave ou persistente e oferecem atendimento a quem enfrenta problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas.

A proposta é garantir cuidado contínuo, próximo da comunidade e integrado aos demais serviços de saúde. A rede também busca evitar que a internação hospitalar seja a única alternativa para pessoas que precisam de acompanhamento especializado.

A regulamentação federal considera diferentes faixas populacionais para indicar a estrutura necessária. Municípios com população entre 15 mil e 70 mil habitantes têm como referência o CAPS I. Para cidades entre 70 mil e 150 mil habitantes, são previstas modalidades como CAPS II, CAPS Infantojuvenil e CAPS Álcool e Drogas. Acima de 150 mil habitantes, também podem ser necessárias unidades de maior complexidade, como CAPS III e CAPS AD III, com funcionamento ininterrupto.

Defensoria cobra planejamento e ampliação da rede

Desde 2022, a Defensoria Pública desenvolve o projeto “Fortalecendo a Rede de Atenção Psicossocial”, que acompanha a estrutura dos serviços de saúde mental nos municípios capixabas.

A atuação inclui notificações técnicas, audiências públicas, mediações e ações judiciais para cobrar a implantação e a estruturação das unidades. Segundo a instituição, o trabalho já resultou em decisões favoráveis à ampliação da rede em diferentes cidades.

Uma das medidas recentes foi a atuação que garantiu a inauguração do primeiro CAPS AD III com funcionamento 24 horas da Serra. A unidade amplia a possibilidade de acolhimento noturno e atendimento intensivo para pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.

A Defensoria também mantém diálogo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), por meio de um comitê técnico interinstitucional, para discutir o planejamento da saúde mental no Espírito Santo.

O coordenador de Direitos Humanos e Direitos das Pessoas com Deficiência da instituição, defensor público Pedro Pessoa Temer, afirma que a expansão precisa considerar as necessidades específicas de cada território, além de contar com estrutura física, equipes preparadas, metas e recursos orçamentários.

O diagnóstico reforça o desafio de ampliar o acesso ao atendimento especializado no Estado, especialmente em municípios populosos, onde a demanda por serviços de saúde mental exige uma rede pública estruturada e capaz de oferecer acompanhamento contínuo.

O déficit de 57 unidades apontado pela defensoria é uma estimativa baseada nos parâmetros populacionais do Ministério da Saúde, não significa necessariamente que 57 municípios estejam sem atendimento. O levantamento aponta carências em 22 cidades. Fontes: Defensoria Pública do Espírito Santo.

Confira dos dados aqui

Fontes: Defensoria Pública do Espírito Santo.

Foto: internet

Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória

 

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