A arte contemporânea e a reflexão sobre a presença indígena no Brasil estão em destaque em duas exposições realizadas em Vitória/ES. O artista visual, ativista e educador Andrey Guaianá Zignnatto apresenta a mostra individual “Céu de Urucum, Chão de Concreto”, na Particular Galeria, e participa da exposição coletiva “Insurgências Indígenas: memória e resistência”, quefoi inaugurada no último sábado (31), no Cais das Artes.

Descendente dos povos Dofurêm Guaianá e Guarani M’bya, Zignnatto desenvolve trabalhos que relacionam referências da ancestralidade indígena a materiais como cimento, barro, urucum e ferramentas utilizadas na construção civil. A pesquisa artística aborda temas como memória, território, história colonial e identidade indígena contemporânea.

Exposição individual reúne cerâmica, cimento e pigmentos ancestrais

Em cartaz na Particular Galeria, “Céu de Urucum, Chão de Concreto” reúne esculturas e assemblages produzidas com materiais como cerâmica, tijolo, sisal e cimento sobre tela.

A trajetória pessoal do artista também está relacionada à pesquisa. Entre os 10 e os 15 anos, ele trabalhou como ajudante de pedreiro ao lado do avô. A experiência com os materiais da construção civil passou a integrar sua produção artística.

Na apresentação de sua obra, Zignnatto descreve o trabalho como uma forma de questionar documentos coloniais, narrativas históricas e estruturas que marcaram a relação com os territórios indígenas.

Para a proprietária da Particular Galeria, Tatiana Coutinho, a exposição amplia o espaço de discussão sobre a arte contemporânea e as questões relacionadas ao território.

Cais das Artes recebe exposição sobre memória e resistência indígena

A programação cultural também incluiu também a abertura de “Insurgências Indígenas: memória e resistência”, nas Salas 3 e 4 do Cais das Artes, na Enseada do Suá.

Com curadoria de Marcelo Campos, a mostra reúne trabalhos em diferentes linguagens, entre elas pintura, escultura, fotografia, arte digital, instalações e performances.

A exposição é resultado de pesquisas e visitas a territórios indígenas do Espírito Santo, incluindo as aldeias Caieiras Velhas, Três Palmeiras e Pau Brasil, em Aracruz.

Entre os temas abordados estão o direito à terra, os modos tradicionais de alimentação, os ritos, as histórias, as tradições e as diferentes expressões da identidade indígena no presente.

A participação de Zignnatto nas duas exposições estabelece um diálogo entre a produção individual do artista e uma mostra coletiva dedicada à memória e à resistência dos povos indígenas.

Serviço

Exposição “Céu de Urucum, Chão de Concreto” — Andrey Guaianá Zignnatto

  • Local: Particular Galeria
  • Endereço: Rua Abiail do Amaral Carneiro, 85, loja 14, Enseada do Suá, Vitória
  • Período: até 7 de janeiro de 2027
  • Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 14h às 19h
  • Entrada: gratuita

Exposição “Insurgências Indígenas: memória e resistência”

  • Local: Cais das Artes, Salas 3 e 4
  • Endereço: Rua Judite Maria Tovar Varejão, 530, Enseada do Suá, Vitória
  • Curadoria: Marcelo Campos
  • Linguagens: pintura, escultura, fotografia, arte digital, instalações e performances
  • Entrada: gratuita, mediante retirada de ingressos no local

Fonte e fotos: informações fornecidas pela assessoria de imprensa das exposições.

Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória

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