Da Amazônia à Europa, seca avança e ganha destaque na COP17
A seca deixou de ser um fenômeno restrito às regiões tradicionalmente áridas e passou a atingir áreas consideradas menos vulneráveis. O avanço do problema está entre os principais temas da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação, a COP17, que começou neste domingo (17), em Ulaanbaatar, na Mongólia.
Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, a frequência e a duração das secas aumentaram quase 30% desde 2000. A projeção é de que, até 2050, três em cada quatro pessoas no mundo possam ser afetadas pelo fenômeno. Além disso, a demanda global por água pode superar a oferta em até 40% até 2030.
Brasil registra seca nas cinco regiões
No Brasil, todas as cinco regiões registraram algum nível de seca em julho de 2026. Pelo menos 157 municípios foram classificados em situação de seca severa, caracterizada pela redução acentuada da umidade do solo e pelo estresse hídrico da vegetação, com impactos sobre a agricultura.
O monitoramento é realizado pelo Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, e pelos boletins do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden.
De acordo com o pesquisador José Antonio Marengo, do Cemaden, o país apresenta uma tendência de ressecamento, com redução dos volumes de chuva e aumento das temperaturas. O cenário pode agravar as condições de seca nos próximos meses.
Amazônia enfrenta impactos históricos
A situação da Amazônia chama atenção. Em 2023 e 2024, rios de diversos municípios da região atingiram os menores níveis já registrados. O fenômeno provocou isolamento de comunidades, interrupções no transporte fluvial e dificuldades para o abastecimento de alimentos e medicamentos.
O monitoramento mais recente do Cemaden mostra que o número de territórios indígenas afetados pela seca severa passou de três, em junho, para 17, em julho.
Também aumentou o número de assentamentos rurais atingidos: as áreas classificadas em situação de seca extrema passaram de duas para 44, enquanto as áreas afetadas por seca severa subiram de 102 para 309. Pará, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas concentram grande parte dessas áreas.
Seca também preocupa a Europa
O problema não está restrito à América do Sul. Em julho, a Europa registrou temperaturas acima da média e uma onda de calor prolongada, com condições de seca mais intensas em países como Reino Unido, Itália, França, Alemanha, Hungria e Romênia. Também há áreas afetadas na África, Oriente Médio e Ásia.
A seca pode ser classificada de diferentes formas. A seca meteorológica ocorre quando as chuvas ficam abaixo da média durante um período prolongado. A seca agrícola reduz a umidade disponível para as plantas e prejudica lavouras e pastagens. Já a seca hidrológica compromete rios, reservatórios e aquíferos, afetando o abastecimento, a geração de energia, a navegação e a biodiversidade.
El Niño pode agravar o cenário
Outro fator de preocupação é a previsão de um El Niño mais intenso entre agosto e outubro de 2026.
O fenômeno, provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, altera os padrões de circulação atmosférica e pode modificar a distribuição das chuvas.
No Brasil, um El Niño forte está historicamente associado à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas nas regiões Norte, Nordeste e em áreas do Centro-Oeste, aumentando a vulnerabilidade a secas prolongadas, secas-relâmpago e queimadas.
COP17 busca soluções antes da emergência
Durante a COP17, governos e organizações internacionais discutem medidas para antecipar os efeitos da seca, em vez de agir apenas depois que os desastres acontecem.
Entre as estratégias estão o monitoramento, sistemas de alerta precoce, recuperação de áreas degradadas, gestão integrada da água e fortalecimento da capacidade de adaptação das comunidades.
A conferência acontece na Mongólia até 28 de agosto e deve discutir formas de ampliar investimentos e cooperação internacional para enfrentar o avanço da desertificação e das secas.
Fonte e foto: Agência Brasil, Cemaden, UNCCD e Organização Meteorológica Mundial. (Agência Brasil), © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Edição: Tatiana Sobreira – Jovem Pan News Vitória.







