O uso de inteligência artificial para criar ou manipular imagens, vídeos e áudios de candidatos entrou novamente no centro do debate no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro André Mendonça apresentou nesta terça-feira (25) uma tese jurídica que poderá orientar os julgamentos da Corte sobre o uso de deepfakes durante as eleições de 2026.

Deepfake é o nome dado a conteúdos produzidos ou alterados com inteligência artificial para fazer uma pessoa parecer dizer ou fazer algo que não aconteceu.

O problema é especialmente grave durante uma eleição porque um vídeo falso, quando parece real, pode ser compartilhado rapidamente e influenciar a opinião do eleitor antes que a informação seja desmentida.

A proposta de Mendonça busca estabelecer critérios para diferenciar situações e definir quando o uso de inteligência artificial pode configurar uma irregularidade eleitoral.

O debate ocorre em um momento em que o TSE já considera grave a utilização de deepfakes em propaganda eleitoral e estabelece regras específicas para conteúdos produzidos com inteligência artificial.

A Corte também já determinou a retirada de conteúdos produzidos com IA durante a pré-campanha de 2026.

Por que a discussão é importante para 2026?

A eleição deste ano será realizada em um ambiente digital no qual ferramentas de inteligência artificial estão cada vez mais acessíveis.

Hoje, não é necessário ser especialista em tecnologia para produzir uma imagem, clonar uma voz ou criar um vídeo artificialmente.

Isso aumenta o risco de que candidatos sejam apresentados dizendo ou fazendo algo que nunca aconteceu.

O problema não se limita às imagens. Áudios falsificados também podem ser utilizados para simular declarações de candidatos ou autoridades.

Por isso, o TSE fechou uma parceria com a empresa ElevenLabs para criar mecanismos de proteção contra a clonagem não autorizada de vozes de candidatos e autoridades.

A velocidade da mentira preocupa

Uma das dificuldades enfrentadas pela Justiça Eleitoral é a velocidade de propagação desse tipo de conteúdo.

Um vídeo falso pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos, enquanto a checagem e uma eventual decisão judicial para retirá-lo do ar podem levar mais tempo.

É justamente esse desequilíbrio que torna os deepfakes uma ameaça à integridade do processo eleitoral.

Mesmo que o conteúdo seja posteriormente identificado como falso, parte do público pode continuar acreditando na informação ou compartilhá-la.

O eleitor também terá papel importante

A discussão no TSE não elimina a responsabilidade do usuário das redes sociais.

Antes de compartilhar um vídeo envolvendo candidato ou partido, a recomendação é verificar a origem do material e procurar informações em fontes confiáveis.

Conteúdos muito emocionais, escandalosos ou que parecem revelar uma declaração bombástica devem ser vistos com ainda mais cautela.

Outro alerta é para vídeos que mostram políticos falando de maneira aparentemente perfeita, mas apresentam movimentos estranhos nos lábios, voz artificial ou situações incompatíveis com a realidade.

Debate ocorre antes da eleição

A discussão sobre deepfakes acontece justamente no período que antecede a campanha eleitoral de 2026.

A expectativa é que a decisão do TSE estabeleça um parâmetro para casos envolvendo inteligência artificial e propaganda eleitoral.

A Corte também vem adotando medidas preventivas com plataformas digitais para combater a desinformação durante o processo eleitoral.

O eleitor precisará conviver cada vez mais com uma pergunta antes de acreditar em uma imagem ou vídeo: isso realmente aconteceu ou foi criado por inteligência artificial?

A resposta poderá ser decisiva para impedir que uma mentira digital determine o voto de milhões de brasileiros.

Fonte e foto: Agência Brasil, Tribunal Superior Eleitoral (TSE), © Rafa Neddermeyer/Agência Brasi

Edição: Tatiana Sobreira – Jovem Pan News Vitória

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