Uma enchente repentina de grandes proporções atingiu o norte do Nepal, na região do Himalaia, na fronteira com o Tibete, nesta quarta-feira (26), deixando pelo menos nove mortos e 384 viajantes desaparecidos.
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, um terremoto de magnitude 4,4 teria provocado um grande deslizamento de terra. O material bloqueou o curso do rio Bhote Koshi e, aparentemente, desencadeou a inundação que atingiu comunidades, estradas, pontes e instalações de infraestrutura.
O terremoto foi registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) por volta das 8h37, no horário local, aproximadamente no mesmo momento informado pelo governo nepalês.
A relação entre o tremor, o deslizamento e a enchente ainda está sendo investigada pelas autoridades.
Quase 400 pessoas estão desaparecidas
O número de desaparecidos é uma das maiores preocupações das autoridades.
Um levantamento preliminar do Conselho de Turismo do Nepal aponta que 384 viajantes foram dados como desaparecidos nas áreas atingidas.
Do total, 291 são estrangeiros e 93 são cidadãos nepaleses. Entre os estrangeiros estão pelo menos 105 indianos, além de pessoas de países como Austrália, Reino Unido, Malásia, África do Sul e Países Baixos.
As autoridades alertam, no entanto, que esses números ainda estão sendo conferidos. As informações estão sendo cruzadas com empresas de turismo, agências de viagens, guias, autoridades locais e órgãos de segurança.
Até o momento pelo menos 22 pessoas morreram
Até o momento, vinte e duas mortes foram confirmadas em consequência da enchente.
O número, porém, pode aumentar porque várias regiões atingidas permanecem isoladas e as equipes de resgate enfrentam dificuldades para chegar aos locais mais afetados.
Há relatos de pessoas desaparecidas em comunidades próximas ao rio. Um agente de saúde de Rasuwa afirmou à Reuters que cinco de seus parentes estão desaparecidos.
As autoridades locais também alertaram que pode haver um número ainda maior de vítimas e de perdas materiais.
Vilarejos foram destruídos pela força da água
A força da enchente provocou uma grande destruição no distrito montanhoso de Rasuwa, no Nepal.
Casas foram arrastadas pela correnteza e estradas, pontes e outras estruturas foram destruídas. Imagens divulgadas após o desastre mostram veículos sendo levados pela água e comunidades inteiras parcialmente destruídas.
O rio Bhote Koshi transbordou e atingiu áreas próximas às margens.
O administrador distrital Narendra Pariyar pediu que moradores que vivem nas proximidades do rio deixassem as áreas de risco e procurassem locais mais elevados.
Resgate é prejudicado pelas condições climáticas
As operações de resgate enfrentam dificuldades principalmente nas áreas montanhosas.
Helicópteros enviados pelas autoridades nepalesas não conseguiram pousar em regiões como Syapru Besi e Timure, no distrito de Rasuwa, porque o rio continuava muito acima do nível normal.
O Exército do Nepal mobilizou equipes para as buscas, mas o acesso por terra também foi prejudicado pela destruição de estradas e pontes.
A expectativa é que as operações sejam ampliadas assim que as condições permitirem.
A presença de centenas de viajantes entre os desaparecidos aumentou a preocupação internacional.
Entre os desaparecidos estão turistas e trabalhadores estrangeiros que estavam na região quando a enchente atingiu as comunidades.
A Coreia do Sul informou que oito cidadãos do país que trabalhavam em uma usina hidrelétrica estão desaparecidos. Outros dez sul-coreanos ficaram isolados e aguardavam o resgate por helicóptero.
O governo sul-coreano criou uma força-tarefa para acompanhar a situação e preparar o envio de uma equipe de resposta ao Nepal.
Infraestrutura de energia também foi atingida
Além das comunidades, a enchente provocou danos importantes à infraestrutura energética do Nepal.
Projetos de energia hidrelétrica foram afetados, assim como estradas e pontes que conectam o Nepal ao Tibete.
A região atingida é estratégica para a circulação entre os dois territórios e já havia sido afetada por eventos extremos anteriormente.
No lado tibetano, um deslizamento de lama atingiu a região de Gyirong, interrompendo estradas, comunicações e o fornecimento de energia. Autoridades chinesas também demonstraram preocupação com a possibilidade de um número elevado de vítimas.
China reforça operação de resgate
O líder chinês Xi Jinping determinou o reforço das operações de busca e resgate na região do Tibete.
A China mobilizou diferentes órgãos para atender as áreas afetadas e também orientou as autoridades a adotarem medidas para evitar novos desastres.
A preocupação é que novos deslizamentos ou outros eventos associados à enchente possam atingir as equipes de emergência e moradores que ainda permanecem nas áreas de risco.
Causa do desastre ainda é investigada
A hipótese apresentada pelo governo nepalês é de que o terremoto de magnitude 4,4 provocou um deslizamento, que bloqueou o rio e levou à formação de uma espécie de represamento. A ruptura ou transbordamento desse bloqueio teria desencadeado a enchente repentina.
O USGS confirmou a ocorrência do tremor, mas as circunstâncias exatas que levaram à formação da enchente ainda estão sendo analisadas.
A região já é conhecida pela ocorrência de eventos extremos relacionados ao relevo montanhoso, chuvas intensas e instabilidade de encostas.
Em 2025, uma enchente repentina no mesmo corredor já havia provocado mortes e destruído uma importante ponte de ligação entre o Nepal e a China.
As equipes de emergência continuam procurando os desaparecidos, enquanto autoridades tentam atualizar a lista de pessoas que estavam na região no momento da enchente.
O número de 384 desaparecidos é preliminar e pode mudar à medida que as autoridades conseguirem restabelecer as comunicações e confirmar a localização dos viajantes.
Por enquanto, o balanço oficial registra pelo menos nove mortos e 384 viajantes desaparecidos, além de grandes danos a casas, estradas, pontes e instalações de energia.
Em atualização*
Fonte e fotos: CNN Brasil, Reuters, G1, USGS e autoridades do Nepal.
Redação Jovem Pan News Vitória







