O café, um dos produtos mais presentes na mesa dos brasileiros, pode voltar a pesar no orçamento das famílias. O temor da formação de um Super El Niño e a frustração com a safra de 2026 fizeram as cotações dispararem nas últimas semanas, reacendendo a preocupação entre produtores, indústria e consumidores. O Espírito Santo, maior produtor brasileiro de café conilon, está no centro desse cenário e pode sentir tanto os impactos climáticos quanto econômicos da nova alta.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP) mostram que a saca do café arábica voltou a subir mais de 13% desde o início de julho, enquanto o conilon acumulou valorização próxima de 18% nos últimos meses. O movimento ocorre após um período de queda nos preços e é impulsionado pela combinação entre chuvas durante a colheita, redução da oferta e incertezas climáticas para a próxima safra.
Espírito Santo é peça-chave no mercado mundial
O Espírito Santo responde pela maior produção nacional de café conilon, variedade amplamente utilizada pela indústria para compor blends e na fabricação de café solúvel. Qualquer redução na oferta capixaba repercute rapidamente nos preços nacionais e internacionais.
Segundo especialistas do setor cafeeiro, além das chuvas que prejudicaram parte da colheita, houve uma frustração em relação ao volume inicialmente esperado para a safra deste ano. Isso reduziu a oferta disponível e fez o mercado reajustar as cotações.
O que é o Super El Niño
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do planeta.
Quando o aquecimento é mais intenso e persistente, meteorologistas classificam o evento como Super El Niño. Nesses casos, os impactos costumam ser ainda mais severos, provocando secas prolongadas em algumas regiões, excesso de chuvas em outras, perdas agrícolas e aumento da volatilidade dos preços dos alimentos.
No Brasil, episódios anteriores do fenômeno provocaram estiagens severas em áreas produtoras, afetando diretamente a agricultura, a disponibilidade hídrica e a produção de café.
Alta pode chegar às prateleiras
A indústria do café já acompanha a valorização das cotações. Caso o mercado permaneça aquecido nas próximas semanas, especialistas avaliam que os reajustes deverão chegar aos supermercados a partir de agosto.
Além do clima, o mercado também monitora os estoques mundiais, custos de produção e a demanda internacional, fatores que influenciam diretamente a formação dos preços pagos pelos consumidores.
Café movimenta a economia capixaba
A cafeicultura é uma das principais atividades do agronegócio capixaba, gerando milhares de empregos diretos e indiretos, além de representar importante fonte de renda para pequenos e médios produtores. Por isso, oscilações no mercado internacional e fenômenos climáticos como o El Niño costumam ser acompanhados com atenção pelo setor produtivo.
Enquanto a alta pode representar melhores preços para parte dos produtores, também aumenta os custos da indústria e tende a pressionar o consumidor final, que poderá voltar a pagar mais caro pelo tradicional cafezinho.
Fontes e foto: G1 Espírito Santo, Cepea/USP, Abic e especialistas do setor cafeeiro.
Edição: Tatiana Sobreira – Redação Jovem Pan News Vitória.







