Cinco anos após o período mais crítico da pandemia de Covid-19, uma exposição em São Paulo convida o público a revisitar uma das fases mais marcantes da história recente do Brasil. A mostra “A Infinita Memória da Pandemia: a História da Covid-19 por Todos Nós, Brasileiros” está em cartaz no Centro Cultural São Paulo (CCSP) até 9 de agosto, reunindo relatos, fotografias, vídeos, cartas e testemunhos que retratam as diferentes experiências vividas pela população durante a crise sanitária.
A exposição é um desdobramento do Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, plataforma criada para preservar registros produzidos pelos brasileiros durante o enfrentamento da doença. O acervo reúne histórias de profissionais da saúde, pacientes, familiares, pesquisadores, voluntários e cidadãos comuns, formando uma memória coletiva sobre um dos períodos mais desafiadores da saúde pública mundial.
Reflexão sobre os impactos da pandemia
Com instalações imersivas, a mostra propõe uma reflexão sobre temas como isolamento social, perdas familiares, ciência, combate à desinformação, vacinação, solidariedade e reconstrução social.
Segundo os organizadores, a proposta é preservar a memória da pandemia para que as futuras gerações compreendam seus impactos e a importância da ciência, do Sistema Único de Saúde (SUS) e das políticas públicas no enfrentamento de crises sanitárias.
Programação inclui debates e atividades educativas
Além da exposição, o Centro Cultural São Paulo recebe uma programação paralela com debates, atividades educativas e ações voltadas à preservação da memória, saúde pública e educação científica. Também há mediação em Libras em parte da programação, ampliando a acessibilidade ao público.
Após a temporada na capital paulista, a mostra seguirá em itinerância por outras cidades brasileiras, incluindo Fortaleza, Manaus e Porto Alegre.
Manaus: o epicentro da tragédia da Covid-19 no Brasil
Entre as cidades que receberão a itinerância da exposição está Manaus, capital do Amazonas, um dos maiores símbolos da pandemia de Covid-19 no Brasil. A escolha tem forte significado histórico. Em janeiro de 2021, durante a segunda onda da doença, a cidade viveu o colapso do sistema de saúde com a falta de oxigênio medicinal nos hospitais. Pacientes morreram por asfixia enquanto aguardavam atendimento ou transferência, em uma tragédia que ganhou repercussão internacional. Após o colapso, o som que se ouvia em uma Manaus silenciosa era a sirene das ambulâncias circulando pela cidade em busca de leitos que não mais existiam. As imagens de câmaras frigoríficas para armazenar temporariamente corpos e dos sepultamentos em sequência marcaram um dos capítulos mais dramáticos da emergência sanitária no país.
A crise deixou marcas profundas na população amazonense. Em praticamente todos os bairros e municípios havia famílias enlutadas, e a perda de parentes, amigos e vizinhos tornou-se uma realidade compartilhada por grande parte da sociedade. A CPI da Covid, do Senado Federal, concluiu que houve falhas e omissões de agentes públicos de diferentes esferas na condução da crise, além de analisar a promoção do chamado “tratamento precoce” e o uso do aplicativo TrateCov. Estudos científicos sobre excesso de mortalidade também indicam que o impacto da pandemia no Amazonas pode ter sido maior do que o registrado oficialmente, em razão das dificuldades de diagnóstico, da sobrecarga do sistema de saúde e dos atrasos nas notificações.
Por isso, a passagem da exposição por Manaus representa mais do que preservar a memória da pandemia. É uma homenagem às vítimas, aos profissionais de saúde e às famílias que enfrentaram perdas irreparáveis, além de reforçar a importância da ciência, do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da preparação do país para futuras emergências sanitárias.
A importância de preservar a memória
Especialistas defendem que registrar as experiências vividas durante a pandemia ajuda a fortalecer a consciência coletiva sobre a necessidade de investimentos permanentes em saúde pública, vigilância epidemiológica, pesquisa científica e preparação para futuras emergências sanitárias.
A Covid-19 provocou milhões de mortes em todo o mundo, transformou a rotina da população, alterou relações sociais, acelerou a digitalização de diversos serviços e deixou impactos que ainda são estudados por pesquisadores em diferentes áreas.
Fonte e foto: Agência Brasil, Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Edição: Tatiana Sobreira, Redação Jovem Pan News Vitória.







