Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Espírito Santo identificou hipertensão arterial em 53,2% dos policiais militares avaliados na Companhia de Choque do Batalhão de Missões Especiais, o BME, da Polícia Militar do Espírito Santo.
O estudo analisou indicadores cardiovasculares, antropométricos e comportamentais de 47 policiais. Mesmo em um grupo com elevado nível de atividade física, os pesquisadores encontraram associação entre pressão alta, menor duração do sono, maior percentual de gordura corporal, consumo de álcool e tabagismo.
Entre os policiais com hipertensão, a média de sono foi de 6,2 horas por noite. Entre os participantes sem pressão alta, a média chegou a aproximadamente 7,7 horas.
Casos sem diagnóstico prévio
Outro dado que chama atenção é que nenhum dos policiais identificados com hipertensão tinha diagnóstico prévio da doença ou fazia uso de medicamentos para controle da pressão arterial.
A pesquisa foi conduzida pelo mestrando e cabo do BME Renalt Gonçalves, com colaboração do doutorando Geanderson Oliveira, também cabo da PMES, e do Grupo de Estudos em Fisiologia Translacional Aplicada à Saúde, ao Esporte e ao Desempenho Humano. O grupo é coordenado pelo professor Danilo Bocalini, orientador do estudo no Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Ufes.
Atividade física não anulou outros fatores de risco
A prática de atividade física foi semelhante entre os grupos analisados. Para os pesquisadores, o resultado reforça que estar fisicamente ativo, embora seja importante para a saúde, não elimina os efeitos de outros fatores de risco, como sono insuficiente, acúmulo de gordura abdominal, uso frequente de álcool e tabagismo.
O consumo de bebidas alcoólicas foi relatado por 68% dos policiais hipertensos, contra 22% entre os normotensos. O tabagismo foi observado apenas entre os participantes com hipertensão.
Monitoramento pode orientar prevenção
Segundo a Ufes, os dados reforçam a necessidade de acompanhamento contínuo da saúde cardiovascular de profissionais submetidos a jornadas intensas, estresse operacional e exigências físicas permanentes.
A pesquisa integra uma linha de estudos sobre os impactos da atividade policial na saúde e no desempenho dos agentes. A expectativa é que os resultados contribuam para ações de prevenção, rastreamento e cuidado voltadas aos profissionais da segurança pública no Espírito Santo.
Fonte e foto: Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Edição: Tatiana Sobreira, da Redação da Jovem Pan News Vitória.







