No De Olho na Cidade desta quarta-feira (24), a jornalista Tatiana Sobreira entrevistou o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, para discutir o papel estratégico do Espírito Santo na logística nacional, os investimentos em infraestrutura, o fortalecimento da indústria capixaba e as perspectivas econômicas para os próximos anos.
Durante a entrevista, Baraona destacou que o Espírito Santo atravessa um momento de expansão econômica sustentado por décadas de planejamento conjunto entre o setor produtivo, o poder público e a sociedade civil organizada.
Segundo o presidente da Findes, o ambiente institucional construído ao longo dos últimos anos tem sido determinante para atrair investimentos e consolidar o estado como referência nacional em desenvolvimento econômico.
“Esse ambiente do Espírito Santo é um ambiente diferenciado do Brasil e, com certeza, serve de exemplo para o que a gente precisa no nosso país”, afirmou.
Baraona ressaltou que um dos principais diferenciais competitivos do Espírito Santo está no diálogo permanente entre o setor privado e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Para ele, a interlocução entre as instituições permite maior agilidade na solução de demandas, na atração de investimentos e na execução de projetos estratégicos.
Infraestrutura ainda é desafio histórico
Ao abordar os gargalos logísticos, o presidente da Findes avaliou que o Brasil ainda enfrenta desafios históricos relacionados à infraestrutura, especialmente nas áreas de transporte rodoviário e ferroviário.
“Nós ainda lutamos com uma pauta do século passado: hoje, apesar de já falarmos muito em descarbonização, ainda precisamos lidar com o problema da infraestrutura”, destacou.
Baraona citou como exemplos a necessidade de avanços em obras estruturantes, como a BR-262 e os investimentos ferroviários, considerados fundamentais para ampliar a competitividade do estado.
Segundo ele, apesar dos avanços registrados nos últimos anos, ainda há desafios importantes para consolidar o Espírito Santo como um dos principais corredores logísticos do país.
Espírito Santo quer se consolidar como hub logístico nacional
Durante a entrevista, Baraona defendeu que a localização geográfica privilegiada coloca o Espírito Santo em posição estratégica para se tornar uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias do Brasil.
De acordo com o presidente da Findes, o estado concentra alguns dos maiores investimentos portuários do país e possui vantagens competitivas importantes por estar próximo dos principais centros consumidores nacionais.
“O Espírito Santo hoje se coloca para ser um grande hub de logística para o Brasil”, afirmou.
O dirigente explicou que o estado está situado próximo a aproximadamente 60% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e da maior parte da população brasileira, fator que reforça sua vocação logística.
Missões internacionais buscam ampliar competitividade
Baraona também comentou as iniciativas voltadas à internacionalização da indústria capixaba. Entre elas, destacou as missões empresariais organizadas pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), incluindo uma viagem prevista para a China.
Segundo ele, compreender a dinâmica econômica, industrial e tecnológica chinesa tornou-se essencial para o setor produtivo brasileiro.
“A China hoje é um protagonista mundial, global, de comércio e de tecnologia. Hoje a China precisa ser entendida”, avaliou.
A proposta, segundo o presidente da Findes, é aproximar empresários, gestores e profissionais brasileiros das novas tendências tecnológicas e industriais adotadas pelo mercado internacional.
Indústria concentra empregos qualificados
Ao falar sobre o mercado de trabalho, Baraona destacou a importância da indústria na geração de empregos de maior qualificação e melhor remuneração.
Segundo ele, o setor industrial capixaba emprega atualmente mais de 280 mil trabalhadores e exerce papel central no desenvolvimento tecnológico e na inovação.
O presidente da Findes também ressaltou que a transformação digital e a automação não representam substituição integral da mão de obra, mas sim uma mudança no perfil profissional exigido pelo mercado.
“De forma alguma a automatização vai substituir as pessoas. As pessoas vão se capacitar mais e adquirir tarefas mais importantes”, afirmou.
Para Baraona, a dificuldade atual está justamente na formação e na contratação de profissionais qualificados para acompanhar as novas demandas industriais.
Perspectivas para os próximos anos
Ao analisar o futuro econômico do Espírito Santo, o dirigente demonstrou otimismo e destacou a convergência entre setor produtivo, governo e sociedade civil como principal ativo do estado.
Segundo ele, o planejamento estratégico desenvolvido nas últimas décadas criou bases sólidas para sustentar o crescimento econômico capixaba no longo prazo.
“Nós temos uma convergência muito forte em relação ao desenvolvimento do Espírito Santo. Esse, para mim, é o grande diferencial que nós temos em relação aos outros estados”, declarou.
Ao encerrar a entrevista, Paulo Baraona defendeu uma postura de confiança e participação ativa da sociedade no desenvolvimento do país.
“Eu recomendo que todo mundo olhe o copo sempre meio cheio, ao invés de sempre meio vazio. A gente precisa pensar positivamente, trabalhar e continuar construindo o futuro”, concluiu.
A entrevista completa está disponível nos canais oficiais da Jovem Pan News Vitória.
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Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória







