Uma operação da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) resgatou 20 animais exóticos mantidos ilegalmente em cativeiro em uma residência no bairro Alvorada, em Vila Velha. A ação, realizada na quarta-feira (17), faz parte da Operação Sonic, que investiga a criação, reprodução e comercialização clandestina de espécies exóticas na Grande Vitória.

Entre os animais encontrados estavam 18 ouriços-pigmeus africanos (Atelerix albiventris) — incluindo filhotes — e duas cobras-do-milharal (Pantherophis guttatus), espécie originária da América do Norte. Segundo as investigações, as serpentes eram anunciadas para venda por aproximadamente R$ 4 mil cada.

Reprodução ilegal chamou atenção da polícia

De acordo com o delegado Leandro Piquet, responsável pelo Núcleo de Proteção aos Animais da Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente (Depma), a presença de filhotes de ouriço demonstrou que os animais estavam sendo reproduzidos sem autorização dos órgãos ambientais.

No Brasil, a criação de ouriços-pigmeus africanos é permitida apenas mediante licenciamento específico, com exigências como microchipagem, castração dos animais destinados à guarda doméstica e proibição da reprodução e comercialização sem autorização oficial.

Cobras eram vendidas pela internet

As investigações também identificaram indícios de comércio ilegal das cobras-do-milharal, espécie exótica cuja criação depende de autorização ambiental.

Segundo a Polícia Civil, os animais eram anunciados em plataformas de venda por cerca de R$ 4 mil. Durante a fiscalização, os agentes também encontraram aproximadamente 80 ratos mantidos em caixas e aquários, levantando a suspeita de que eram utilizados como alimento para serpentes ou que outras cobras já haviam sido comercializadas anteriormente.

Animais serão destinados ao Ibama

Todos os animais foram apreendidos e entregues à Prefeitura de Vila Velha, que fará o encaminhamento ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para definição da destinação adequada.

A operação contou com apoio da Guarda Municipal de Vila Velha e de fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

O responsável pelo imóvel poderá responder por crime ambiental previsto no artigo 29 da Lei Federal nº 9.605/1998, que trata da manutenção, reprodução, criação e comercialização irregular de animais silvestres ou exóticos sem autorização da autoridade competente.

Além das infrações criminais, ele poderá sofrer sanções administrativas e multas aplicadas pelos órgãos ambientais.

Operação recebeu o nome de Sonic

O nome Operação Sonic faz referência ao famoso personagem dos videogames inspirado em um ouriço.

Segundo o delegado Leandro Piquet, a escolha simboliza justamente a principal espécie encontrada durante a ação: os ouriços-pigmeus africanos, que estavam sendo reproduzidos ilegalmente na residência.

Outra operação encontrou animais silvestres em Vila Velha

Um dia antes da Operação Sonic, a Polícia Civil também autuou uma mulher de 46 anos por manter 13 animais silvestres em cativeiro irregular no bairro Ulisses Guimarães, também em Vila Velha.

Na residência foram encontrados um macaco-sagui, um coleiro, cinco agapórnis, três periquitos-rei, dois tigres-d’água e um jabuti, todos mantidos sem autorização ambiental.

As duas ocorrências reforçam o combate ao tráfico e à criação irregular de animais no Espírito Santo.

A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para identificar outras pessoas envolvidas na cadeia de reprodução e comercialização ilegal de animais exóticos na Grande Vitória.

Os aparelhos celulares, documentos e demais materiais apreendidos serão analisados para verificar se há compradores, fornecedores ou outros criadores atuando no esquema clandestino.

Fonte: Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), G1 Espírito Santo, A Gazeta e Folha Vitória.

Edição: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória

Autor