O Right Livelihood Award, conhecido como Nobel Alternativo, anunciou nesta quarta-feira (30) os quatro vencedores da edição de 2026. A premiação reconhece trabalhos relacionados à defesa dos direitos humanos, ao enfrentamento da violência e da desigualdade, à proteção da democracia e aos impactos do desenvolvimento da inteligência artificial.

Entre os premiados estão a advogada paquistanesa Jalila Haider, a organização Rural Women’s Assembly, que reúne mulheres agricultoras de países da África Austral, a Georgian Young Lawyers’ Association (GYLA) e a pesquisadora de inteligência artificial Timnit Gebru, dos Estados Unidos.

O prêmio é concedido desde 1980 pela fundação Right Livelihood e, segundo a própria organização, já reconheceu 207 laureados de 82 países. Em 2026, foram analisadas 200 indicações de 72 países.

Defesa das mulheres e combate à violência

Jalila Haider foi reconhecida por sua atuação jurídica e comunitária em defesa de grupos vulneráveis no Paquistão. Ela é a primeira mulher advogada de sua comunidade Hazara e trabalha contra perseguições étnicas, estatais e relacionadas à violência patriarcal.

Ao longo da carreira, Haider combinou assistência jurídica, mobilização social e ações de fortalecimento das comunidades. A organização do prêmio também destaca sua atuação em defesa de mulheres e minorias e sua participação na criação da primeira Marcha das Mulheres no Baluchistão.

Outra premiada é a Rural Women’s Assembly, movimento formado por mais de 178 mil pequenas agricultoras de 11 países da África Austral. A organização atua em questões relacionadas ao acesso à terra, sementes, autonomia e participação das mulheres nas decisões sobre os territórios e sistemas alimentares.

Democracia e direitos humanos

A Georgian Young Lawyers’ Association (GYLA) recebeu o prêmio pelo trabalho relacionado à defesa da democracia e dos direitos civis na Geórgia.

Criada em 1994, a organização oferece assistência jurídica e atua em questões relacionadas aos direitos humanos. Segundo o Right Livelihood, a entidade já realizou cerca de 1,5 milhão de consultas jurídicas gratuitas e continua atuando no país mesmo diante de restrições enfrentadas por organizações da sociedade civil.

Inteligência artificial e concentração de poder

A pesquisadora Timnit Gebru, dos Estados Unidos, foi reconhecida pelo trabalho relacionado à concentração de poder no setor de inteligência artificial e à busca por tecnologias desenvolvidas com maior atenção aos direitos humanos e às experiências das comunidades afetadas.

Gebru é fundadora do Distributed Artificial Intelligence Research Institute (DAIR) e também participou da criação do grupo Black in AI. Sua atuação envolve pesquisas sobre vieses tecnológicos e os impactos que sistemas de inteligência artificial podem produzir sobre grupos sujeitos a discriminação e exclusão. (

A premiação ocorre em um momento de expansão acelerada do uso de ferramentas de inteligência artificial em diferentes setores. No anúncio deste ano, a organização destacou a necessidade de discutir quem desenvolve essas tecnologias, quais interesses estão envolvidos e como os sistemas podem afetar diferentes grupos sociais.

Cerimônia será realizada em dezembro

Os quatro vencedores serão homenageados em uma cerimônia em Estocolmo, na Suécia, marcada para 1º de dezembro de 2026.

O Right Livelihood informou que os laureados também participam de entrevistas e coletivas de imprensa ao longo desta quarta-feira (30).

Fonte e foto: Agência Brasil e Right Livelihood. Agência Brasil – Nobel Alternativo premia luta contra violência patriarcal e uso de IA

Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória

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