Hugo Vercoza e Flavio Marcus Rocha relatam experiência em viagem a Xangai e Guangzhou e defendem aproximação entre empresários brasileiros e chineses para modernizar a indústria capixaba
A indústria do vestuário do Espírito Santo busca novas formas de ampliar a produção, incorporar tecnologia e agregar valor aos produtos fabricados no Estado. Uma missão empresarial levou 15 empresários capixabas à China, onde o grupo conheceu fábricas, máquinas e tecnologias utilizadas pelo setor em cidades como Xangai e Guangzhou.
A experiência foi tema da entrevista da jornalista Tatiana Sobreira com Hugo Vercoza, empresário e sócio fundador da Praia Brasil, e Flavio Marcus Rocha, presidente do Sindicato dos Empresários de Vestuário do Espírito Santo (Sindivest), no programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória 98.1 FM, nesta terça-feira (15).
Segundo Flavio, a viagem teve como objetivo conhecer soluções utilizadas pela indústria chinesa e avaliar o que pode ser adaptado à realidade das empresas capixabas.
“Nós fizemos essa missão com 15 empresários para a China, para absorver um pouco daquela atmosfera, aprender com eles, ver as tecnologias que estão usando e poder, de repente, trazer ou comprar máquinas e maquinários para otimizar a produção aqui no Estado.”
Missão teve foco em produção e tecnologia
Flavio explicou que o Sindivest participa de missões empresariais em diferentes países e que cada viagem pode ter uma finalidade específica. Em 2026, por exemplo, uma missão ao Marrocos teve como foco a busca por inspiração, enquanto a viagem à China foi direcionada principalmente à produção.
Durante a visita, os empresários conheceram tecnologias e equipamentos utilizados pela indústria chinesa e puderam observar diretamente os processos produtivos.
Para Flavio, a experiência presencial permite compreender aspectos que não podem ser observados apenas à distância.
“Você chega, vê a cultura deles, vê o que eles estão usando e como eles trabalham. Isso é muito importante para trazermos para as nossas indústrias aqui do Espírito Santo.”
Empresários querem adaptar tecnologia chinesa à realidade capixaba
Hugo Vercoza destacou que o contato com a indústria chinesa provocou uma mudança de perspectiva sobre a relação entre os dois mercados. Segundo ele, o objetivo da missão não é simplesmente importar produtos prontos, mas compreender como a tecnologia pode ser utilizada para desenvolver produtos brasileiros.
“Não só comprar deles, mas, junto com eles, construir algo novo, construir algo com a nossa cara e com a nossa personalidade.”
Na avaliação do empresário, a China avançou na produção de produtos com maior valor agregado e pode servir de referência para empresas brasileiras que buscam desenvolver novas soluções.
Ele citou como exemplo a própria camisa que usava durante a entrevista, produzida com características que, segundo ele, agregam valor ao produto.
“O que nós temos que fazer aqui é aprender com eles como conseguimos agregar valor aos nossos produtos capixabas, parar de vender só o simples e vender algo mais elaborado.”
Máquinas podem ajudar a modernizar polo industrial
Outro ponto observado durante a viagem foi o maquinário utilizado pelas empresas chinesas. Hugo afirmou que um dos objetivos da missão foi conhecer equipamentos capazes de modernizar a produção no Espírito Santo.
Entre as tecnologias observadas estavam máquinas utilizadas em cortes a laser, que podem ser aplicadas na fabricação de peças com maior nível de elaboração.
Para o empresário, a aproximação com a China deve resultar em conhecimento e desenvolvimento local, e não apenas na compra de produtos.
“Nós queremos, junto com a China, buscar conhecimento para produzir algo melhor aqui dentro do Espírito Santo, gerando emprego aqui.”
Missões também aproximam empresários capixabas
Além do contato com empresas estrangeiras, Flavio destacou que as missões empresariais também ajudam a aproximar os próprios empresários do Espírito Santo.
Segundo ele, muitos participantes já se conhecem profissionalmente, mas a convivência durante viagens cria oportunidades para compartilhar experiências e desenvolver novos negócios.
“Quando nós viajamos juntos com outro empresário, conversamos sobre o nosso mercado interno e sobre o que cada um assimila vendo e vivenciando os dias na China. Nascem novos negócios entre os empresários que vão.”
Espírito Santo pode unir criatividade e tecnologia
A experiência também foi utilizada pelos entrevistados para discutir o potencial do setor de vestuário capixaba. Hugo destacou que o Estado já possui marcas e empresários com capacidade de criação, especialmente em segmentos como o streetwear e a moda praia.
Para ele, o desafio é aproximar essa capacidade criativa de uma estrutura industrial mais tecnológica.
“O Espírito Santo é um polo criador de lifestyle, um polo criador de ideias bacanas. O que nós precisamos é trazer essa parte industrial e de tecnologia mais para perto.”
Segundo Hugo, essa combinação poderia permitir que marcas capixabas ampliem sua atuação para outros mercados.
Parceria entre empresários e governo é apontada como necessária
A discussão sobre tecnologia também levou os entrevistados a destacar a importância da participação do poder público no desenvolvimento da indústria.
Hugo afirmou que a criação de soluções e equipamentos no próprio Espírito Santo exigiria incentivos e maior integração entre empresas, instituições de ensino e governo.
Ele citou como exemplo empresas que desenvolvem soluções próprias para atender às necessidades de sua produção e defendeu uma aproximação maior entre o setor produtivo e as escolas técnicas.
“Nossos centros capacitadores, nossas escolas técnicas, nós temos que incentivar isso e incentivar essa parceria entre o Brasil e a China.”
O empresário também defendeu a possibilidade de enviar trabalhadores e estudantes brasileiros para conhecer tecnologias desenvolvidas na China.
“Nós também temos que mudar o mindset dos empresários, tentar levar nossos produtos para serem vendidos lá e gerar produtos junto com eles, produtos novos, dentro da nossa realidade e da nossa demanda.”
Sindivest busca fortalecer o setor por meio do associativismo
Para Flavio, a atuação do sindicato não se limita à organização de missões internacionais. A entidade também busca aproximar empresários de informações, cursos e iniciativas que possam contribuir para o desenvolvimento das empresas.
Entre os desafios citados está a necessidade de acompanhar a transformação do comércio eletrônico e aprender a utilizar novas ferramentas de venda.
Flavio também ressaltou que o associativismo pode ampliar a força de negociação dos empresários e facilitar o acesso a informações sobre incentivos disponíveis.
“Quando nós participamos do Sindivest, ficamos sabendo de alguns incentivos que o governo oferece. Você fortalece o seu setor e fica sabendo de alguns incentivos que o governo oferece e que, às vezes, nunca aproveitou.”
Missão amplia oportunidades para empresários capixabas
Ao final da entrevista, Flavio destacou que as missões empresariais também podem gerar contatos inesperados. Segundo ele, a própria viagem à China acabou aproximando empresários que ainda não tinham estabelecido relações comerciais entre si no Espírito Santo.
“Às vezes, você tem que ir para a China para conhecer um parceiro comercial aqui do Espírito Santo.”
Ao longo da entrevista, os empresários destacaram que a experiência internacional pode servir como ponto de partida para novos negócios, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento da indústria capixaba.

Confira a entrevista completa com Hugo Vercoza e Flavio Marcus Rocha clicando aqui.
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Fonte: entrevista realizada no programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória, e informações fornecidas pela produção.
Por Tatiana Sobreira e Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória.







