Um episódio forte de El Niño poderá empurrar mais 49 milhões de pessoas para a fome aguda em diversas partes do mundo, segundo estudo divulgado por pesquisadores e repercutido pela Agência Brasil. O levantamento alerta que as alterações provocadas pelo fenômeno no regime de chuvas e nas temperaturas podem reduzir a produção agrícola, elevar o preço dos alimentos e ampliar a vulnerabilidade de populações que já enfrentam insegurança alimentar.
O estudo indica que os maiores impactos tendem a ocorrer em países da África, Ásia, América Latina e Caribe, onde milhões de pessoas dependem diretamente da agricultura familiar e das condições climáticas para garantir alimento e renda.
Como o El Niño afeta a produção de alimentos
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando padrões de circulação atmosférica em diferentes regiões do planeta.
Entre os principais efeitos estão as secas prolongadas em algumas regiões, chuvas intensas e enchentes em outras, a redução da produtividade agrícola, perda de lavouras, a escassez de água e o aumento do risco de incêndios florestais.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), há elevada probabilidade de que o fenômeno se fortaleça ao longo de 2026, podendo atingir intensidade moderada a forte, aumentando o risco de eventos climáticos extremos.
Brasil pode sentir impactos no campo
Embora o Brasil seja um dos maiores produtores mundiais de alimentos, especialistas alertam que um El Niño intenso também pode provocar mudanças importantes na produção agrícola nacional.
Estudos meteorológicos apontam possibilidade de alterações no regime de chuvas e a produção de culturas como o café, soja, milho, cana-de-açúcar, pecuária e outras grandes produções.
Essas mudanças podem também elevar custos e influenciar os preços dos alimentos no mercado interno e nas exportações.
Reflexos para o Espírito Santo
No Espírito Santo, um eventual fortalecimento do El Niño merece atenção principalmente pela importância do agronegócio para a economia estadual.
O Estado é um dos principais produtores brasileiros de café arábica e conilon, além de possuir forte produção de frutas, pimenta-do-reino e pecuária. Alterações nas chuvas e nas temperaturas podem afetar a produtividade das lavouras, a disponibilidade hídrica e os custos de produção, exigindo maior planejamento dos produtores rurais.
Além do campo, períodos prolongados de estiagem podem reduzir os níveis dos reservatórios utilizados para abastecimento humano e geração de energia, exigindo monitoramento constante dos órgãos de meteorologia e defesa civil.
Risco maior para populações vulneráveis
Segundo os pesquisadores, os efeitos do El Niño atingem de forma mais severa comunidades que já convivem com pobreza, conflitos armados e dificuldades de acesso à alimentação.
Nessas regiões, a perda de safras pode desencadear aumento da desnutrição, da migração forçada e da dependência de ajuda humanitária internacional.
A ONU reforça que sistemas de alerta precoce, investimentos em adaptação climática e fortalecimento da agricultura resiliente serão fundamentais para reduzir os impactos sobre milhões de pessoas.
Fonte e foto Agência Brasil, com informações de estudo internacional e da Organização Meteorológica Mundial (OMM). (World Meteorological Organization), ACNUR (foto Ivor Prickett)
Edição: Tatiana Sobreira | Jovem Pan News Vitória







