A demora para identificar a esclerose múltipla (EM) pode comprometer o controle da doença e aumentar o risco de progressão de incapacidades. O alerta ganha destaque durante o Agosto Laranja, período dedicado à conscientização sobre a enfermidade.
A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central. O sistema imunológico passa a atacar a mielina, estrutura que protege as fibras nervosas, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o restante do organismo.
Embora a doença não tenha cura, existem tratamentos capazes de reduzir a atividade inflamatória, diminuir a ocorrência de surtos e retardar a evolução das incapacidades. Por isso, quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento forem iniciados, maiores são as possibilidades de controlar a doença.
Sintomas podem ser confundidos com outros problemas
Um dos desafios para o diagnóstico é que os primeiros sintomas podem variar bastante de uma pessoa para outra.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- visão embaçada ou visão dupla;
- perda de visão, principalmente acompanhada de dor;
- formigamento;
- fraqueza muscular;
- dificuldade para caminhar ou manter o equilíbrio;
- tontura;
- alterações na fala;
- problemas de coordenação;
- alterações urinárias;
- fadiga intensa;
- dificuldades de memória e concentração.
Nem todo sintoma neurológico significa esclerose múltipla. A avaliação deve ser feita por profissional de saúde, especialmente quando os sintomas são persistentes ou recorrentes.
Diagnóstico precoce pode fazer diferença
O diagnóstico é realizado por um neurologista e leva em consideração a história clínica e o exame neurológico, além de exames complementares, como ressonância magnética. Em determinadas situações, também podem ser utilizados exames do líquor e testes laboratoriais.
Novos critérios internacionais vêm permitindo identificar a doença mais cedo, inclusive em situações nas quais anteriormente era necessário aguardar o surgimento de novos sinais ou lesões para confirmar o diagnóstico.
A importância dessa identificação precoce está justamente na possibilidade de iniciar o tratamento antes que ocorram danos neurológicos acumulados.
Tratamento pelo SUS
O tratamento da esclerose múltipla também avançou no Sistema Único de Saúde.
Uma análise de pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein mostrou que a distribuição de medicamentos para a doença pelo SUS aumentou 25,9% entre 2019 e 2023. No mesmo período, a distribuição de natalizumabe, utilizado em casos de maior atividade da doença, cresceu 44,5%.
Os pesquisadores relacionaram parte dessa mudança à atualização, em 2021, do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da esclerose múltipla, que ampliou a utilização de terapias consideradas de maior eficácia.
Quando procurar atendimento?
Sintomas neurológicos que surgem sem explicação e persistem devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Entre os sinais de alerta estão alterações de visão, formigamento, fraqueza, desequilíbrio e alterações urinárias que permanecem por mais de 24 horas, especialmente quando não estão associadas a febre.
A recomendação não é tentar identificar a doença sozinho, mas não ignorar sintomas persistentes e buscar avaliação médica.
Agosto Laranja
O Agosto Laranja busca ampliar o conhecimento sobre a esclerose múltipla e estimular o diagnóstico precoce. A doença afeta funções motoras, sensoriais, visuais, cognitivas e emocionais e pode apresentar diferentes formas de evolução.
A informação é uma das principais ferramentas para reduzir o tempo entre o aparecimento dos primeiros sinais e o início do acompanhamento especializado.
Fonte e foto: Agência Brasil, Ministério da Saúde e HU Brasil. (Agência Brasil)
Tatiana Sobreira – Jovem Pan News Vitória







