A cidade de Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, ganhou um símbolo permanente de memória e enfrentamento ao feminicídio. O município inaugurou um Banco Vermelho, iniciativa que busca lembrar mulheres assassinadas em razão de gênero e provocar uma reflexão sobre a violência contra a mulher.
A instalação faz parte de um movimento que vem se espalhando pelo Brasil e pelo mundo. A proposta é transformar um objeto presente no cotidiano das cidades em um memorial e instrumento de conscientização.
O banco vermelho representa o sangue das vítimas e convida quem passa pelo local a parar, refletir e reconhecer que a violência contra a mulher não pode ser naturalizada. A iniciativa nasceu na Itália, em 2016, e chegou ao Brasil como parte das ações de enfrentamento à violência de gênero.
Mais do que uma peça de mobiliário urbano, o Banco Vermelho funciona como um memorial a mulheres que perderam a vida vítimas da violência.
A ideia é que a presença do banco em um espaço público desperte uma pergunta em quem passa: quantas mulheres tiveram suas vidas interrompidas pela violência?
O movimento também procura estimular uma mudança de comportamento. O conceito associado à iniciativa é “sentar para refletir e levantar para agir”.
Símbolo se espalha pelo Brasil
Búzios não é a única cidade a aderir à iniciativa.
Em 2026, bancos vermelhos foram instalados em universidades, órgãos públicos, estações de transporte e espaços de grande circulação em diferentes estados.
O Ministério Público do Ceará, por exemplo, instalou recentemente bancos vermelhos nas sedes da Procuradoria-Geral de Justiça e das Promotorias de Justiça de Fortaleza. A ação foi realizada durante o Agosto Lilás e reforça a importância da prevenção e da divulgação dos canais de denúncia.
Na Bahia, o Tribunal de Justiça também instalou o símbolo em Salvador. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, o projeto já estava presente em mais de 16 estados brasileiros, com mais de 200 equipamentos instalados.
Não é apenas um memorial
A proposta do Banco Vermelho vai além da homenagem às vítimas.
A instalação também busca informar e estimular a denúncia, ajudando a tornar visível uma violência que muitas vezes acontece dentro de casa e permanece escondida.
Por isso, os projetos costumam estar associados à divulgação de serviços de acolhimento e do Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher.
O objetivo é mostrar que existem caminhos para buscar ajuda antes que uma situação de violência chegue ao extremo.
Agosto Lilás reforça a mensagem
A iniciativa ganha ainda mais significado durante o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
A campanha reforça a necessidade de discutir violência doméstica, violência psicológica, violência sexual, violência patrimonial e feminicídio.
O Banco Vermelho transforma essa discussão em algo concreto: um equipamento que permanece no espaço público e lembra diariamente que o problema existe, não podemos tratar o feminicídio como uma estatística distante.
Um lugar para lembrar e agir
A iniciativa de Búzios se juta a tantas outras para ajudar a transformar a memória em um chamado à responsabilidade coletiva.
Sentar. Refletir. Levantar. Agir.
Essa é a mensagem que o símbolo pretende deixar para quem passa por ele.
Fonte e foto: Agência Brasil e informações de órgãos públicos sobre a iniciativa Banco Vermelho. (MPCE)
Edição: Tatiana Sobreira, Redação Jovem Pan News Vitória







