Pré-candidato a Presidência participa de sessão para discutir os impostos ao Brasil

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência, defendeu o sistema de Pix em audiência com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a proposta de imposição de tarifas a produtos brasileiros que entrem em território americano.

O senador argumentou que o sistema foi lançado durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, e que nunca foi um problema para o sistema financeiro, mas que complementa o sistema de pagamento dos EUA.

Flávio pediu que as taxas de 25% que seriam impostas pelo governo americano sejam canceladas, para que os países possam “negociar” e não prejudicar a população brasileira.

Falando sobre as eleições de 2026, Flávio ressaltou que o cenário pode mudar em 90 dias e que seria uma situação difícil de ser revertida caso fossem impostas tarifas agora.

Ao falar sobre a derrubada de posts em redes sociais americanas, segundo o apurado pela Jovem PanFlávio culpou o Supremo Tribunal Federal e o presidente Lula (PT) pelas medidas.

Outro tema abordado pelo senador foi a corrupção no Brasil. Ainda segundo o apurado pela reportagem, ele teria associado os casos como Mensalão e INSS aos governos de Lula, e também defendido que, durante o governo de Jair Bolsonaro, o Brasil não teve problemas do tipo.

“Sobre isso, não há divergência. Mas a corrupção tem responsáveis identificáveis. A corrupção tornou-se uma característica marcante da esquerda política brasileira. O povo brasileiro não deve ser punido por isso”, disse.

Entenda a audiência

Ao menos 40 entidades e empresas brasileiras e estadunidenses se inscreveram para participar da sessão que discute a proposta de taxar o Brasil.

Entre as organizações brasileiras credenciadas para apresentar seus argumentos durante a audiência estão a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); o Conselho Brasileiro de Exportadores de Café (Cecafé); a Confederação Nacional da Indústria (CNI); União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica); Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Embraer, entre outras.

Instaurada em 15 de julho de 2025, a análise estadunidense dos “atos, políticas e práticas brasileiras” se debruça sobre seis aspectos: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Cada participante terá até cinco minutos para defender os argumentos já apresentados ao USTR, contra ou a favor da taxação. Ao final deste tempo, representantes do escritório estadunidense poderão fazer perguntas adicionais que julgarem necessárias.

A investigação do USTR foi proposta com base na chamada Seção 301, da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974, que permite ao governo norte-americano investigar práticas comerciais de outros países que considere desleais ou prejudiciais aos interesses estadunidenses.

Notificado no início de junho, o Estado brasileiro contestou os argumentos dos que defendem o tarifaço das exportações brasileiras e as conclusões preliminares do USTR. Em um documento enviado ao escritório, o Itamaraty argumentou que as práticas comerciais brasileiras não prejudicam os EUA e as empresas estadunidenses.

Na manifestação diplomática, o governo brasileiro pede que os Estados Unidos se abstenham de impor medidas unilaterais em virtude da investigação em curso.

“O USTR não estabelece o nexo legal exigido entre um ato, política ou prática concreta do Brasil e um ônus ou restrição identificável ao comércio dos EUA”, sustenta o governo brasileiro, apontando que as conclusões preliminares do escritório comercial saltam “da discordância em relação às escolhas soberanas do Brasil para conclusões de que tais escolhas são ‘irrazoáveis’”, e “de afirmações generalizadas de desvantagem comercial para a conclusão de que o comércio dos EUA está sendo onerado ou restringido”.

“Isso é insuficiente para justificar uma ação nos termos da Seção 301”, acrescenta o governo brasileiro, alegando que a legislação estadunidense não autoriza o USTR a impor medidas comerciais “apenas por discordar das escolhas políticas de outro país soberano”.

 

Por Cassius Zeilmann e Fernando Keller, da redação da Jovem Pan

*Com informações da Agência Brasil

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