Na última sexta-feira (3), durante o De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória, a jornalista Tatiana Sobreira entrevistou o doutor em Economia Criativa e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), André Almeida, e o produtor cultural Raul Mesquita, integrante do Plano Diretor Barrense (PDB), para discutir os desafios e as perspectivas para o desenvolvimento da Barra do Jucu, em Vila Velha.

Durante a conversa, os convidados defenderam que o crescimento da região deve ocorrer de forma planejada, preservando a identidade cultural, o patrimônio ambiental e o modo de vida da comunidade. Eles também apresentaram o Plano Diretor Barrense, iniciativa construída pela população em parceria com a universidade para reunir propostas sobre o futuro do bairro.

Plano Diretor nasce da mobilização da comunidade

Ao explicar a origem da iniciativa, Raul Mesquita afirmou que a Barra do Jucu possui uma longa tradição de organização comunitária na defesa de seu território.

Segundo ele, a comunidade já participou de diversas mobilizações em favor da preservação ambiental, do controle do crescimento urbano e da valorização da cultura local, fatores que motivaram a criação do Plano Diretor Barrense.

“A Barra do Jucu sempre batalhou por todos os seus processos dentro do bairro. Foi assim com a Reserva de Jacarenema, foi assim com o urbanismo local. A gente sempre batalha para manter o território e manter a cultura”, afirmou.

Raul destacou que o objetivo do PDB é ampliar a participação popular nas decisões que envolvem o desenvolvimento da região.

“O PDB surge para escutar a comunidade dentro desse processo”, explicou.

Segundo ele, o documento pretende registrar os sonhos e expectativas dos moradores para orientar futuras políticas públicas.

“A gente quer escutar os sonhos das pessoas, o que elas querem para o território, organizar isso e apresentar esse documento à Câmara de Vereadores, ao prefeito, à Assembleia, às universidades e a todos que precisam entender o que o barrense quer para a Barra do Jucu”, disse.

Universidade participa da construção coletiva

Representando a UFES, André Almeida explicou que a universidade foi convidada pela própria comunidade para contribuir tecnicamente com o projeto.

Segundo o professor, o trabalho busca integrar diferentes áreas do conhecimento para compreender a história do território e pensar formas sustentáveis de desenvolvimento.

“A gente, da universidade, foi convidado a participar junto com a comunidade dessa construção, que é uma construção coletiva”, afirmou.

Ele explicou que o grupo de pesquisa do qual faz parte reúne estudos nas áreas de história, geografia, arquitetura e economia criativa para analisar as transformações da Barra do Jucu sem perder de vista sua identidade.

Para André, o desenvolvimento econômico da região deve estar fundamentado na economia criativa, aproveitando os ativos culturais já existentes na comunidade.

“Qualquer tipo de desenvolvimento econômico na região perpassa pela economia criativa, à medida que o principal capital aplicado é a criatividade”, destacou.

Segundo ele, esse modelo permite gerar oportunidades econômicas sem comprometer o patrimônio ambiental e cultural do bairro.

Desenvolvimento deve respeitar a identidade local

Ao longo da entrevista, Raul Mesquita defendeu que qualquer projeto de desenvolvimento precisa considerar as características próprias de cada território.

Segundo ele, não é possível aplicar o mesmo modelo urbanístico a bairros com histórias e identidades distintas.

“O PDB vem para suprir essa necessidade e o entendimento de que é necessário discutir o território, é necessário discutir o que o cidadão quer para aquele território em que ele vive”, afirmou.

O produtor cultural também ressaltou a força da produção artística local, lembrando que a Barra do Jucu concentra atualmente o maior número de pontos de cultura do Espírito Santo.

“A Barra do Jucu é o bairro com mais pontos de cultura do Estado”, disse.

Para Raul, esse patrimônio demonstra o potencial da economia criativa como eixo de desenvolvimento sustentável para a região.

Metodologia poderá servir de exemplo para outros territórios

Os entrevistados também defenderam que a experiência do Plano Diretor Barrense poderá ser replicada em outras comunidades.

Segundo André Almeida, a universidade já elaborou um projeto de pesquisa para acompanhar o desenvolvimento da iniciativa e estruturar uma metodologia que possa ser utilizada em diferentes municípios.

“Nós já fizemos um projeto de pesquisa e submetemos às agências que fomentam a pesquisa para caminhar de mãos dadas com a comunidade e construir essa metodologia”, explicou.

De acordo com o professor, a intenção é transformar a experiência da Barra do Jucu em referência para outras localidades interessadas em construir políticas públicas com participação popular.

Participação popular orienta o futuro da Barra

Durante toda a entrevista, André Almeida e Raul Mesquita defenderam que o desenvolvimento da Barra do Jucu deve nascer do diálogo entre moradores, universidade e poder público.

Na avaliação dos convidados, ouvir a população é fundamental para preservar a identidade do bairro ao mesmo tempo em que são planejadas novas oportunidades nas áreas de turismo, cultura, mobilidade urbana e economia criativa.

A entrevista completa está disponível no canal da Jovem Pan News Vitória | 98.1 FM no YouTube.

Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória

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