Quatro em cada dez brasileiros nunca ouviram falar em economia circular. O dado é de uma pesquisa encomendada pelo Movimento Plástico Transforma ao Instituto QualiBest e divulgada neste domingo (5). O levantamento mostra que 39% dos entrevistados desconhecem o conceito, enquanto 57% afirmam já ter ouvido falar sobre o tema, mas, entre eles, apenas 12% dizem conhecê-lo bem.

A economia circular é um modelo que busca reduzir desperdícios por meio da reutilização, recuperação e reinserção de materiais no ciclo produtivo. Na prática, a proposta se diferencia do modelo tradicional, em que um produto é fabricado, consumido e descartado após uma única etapa de uso.

A pesquisa “Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População” ouviu 834 pessoas com 18 anos ou mais, entre 30 de abril e 8 de maio deste ano. O estudo também comparou os resultados com a primeira edição, realizada em 2025.

Apesar do desconhecimento sobre o conceito, os dados indicam disposição da população para adotar hábitos mais sustentáveis. Segundo o levantamento, 74% dos entrevistados afirmaram que aceitariam mudar comportamentos de consumo para gerar menos resíduos. Outros 23% disseram não ter disposição para essa mudança, enquanto 3% responderam que talvez mudariam os hábitos.

Na comparação com o levantamento anterior, aumentou a cobrança por participação de todos os atores. A responsabilização da população cresceu três pontos percentuais. A expectativa por atuação do poder público aumentou quatro pontos, enquanto a cobrança sobre as empresas subiu seis pontos percentuais.

Devolução

A logística reversa, prática de devolver ao fabricante um produto após o fim de seu ciclo para reinserção na cadeia produtiva, também foi abordada no estudo. A maioria dos entrevistados, 42% afirmou já ter devolvido ao menos uma vez algum produto. Desses, 14% afirmaram fazer com frequência.

A pesquisa indicou que 55% das pessoas têm acesso à coleta seletiva em casa ou na rua. E 11% separam os resíduos, mas não levam aos pontos de coleta. Desse grupo, 63% entregam reciclável e orgânico juntos ao caminhão de coleta e 36% entregam o material separado aos catadores. A pesquisa também aponta que a reciclagem é vista como uma responsabilidade compartilhada. Para 78% dos participantes, a população tem papel fundamental no processo. O governo foi citado por 63% e as empresas por 55%.

Desafio passa pela informação e pela infraestrutura

A falta de conhecimento sobre economia circular evidencia um desafio para políticas públicas, escolas, empresas e organizações sociais. A proposta é aproximar o tema da rotina da população, explicando como escolhas de consumo, descarte correto, coleta seletiva e logística reversa influenciam a redução de resíduos.

Para o Espírito Santo, a discussão tem relação direta com a ampliação da coleta seletiva, o fortalecimento de cooperativas de catadores, a educação ambiental nas escolas e a criação de alternativas para que embalagens, eletrônicos, pilhas, baterias e outros materiais retornem à cadeia produtiva.

O tema também ganha espaço no setor privado. Empresas que investem em reaproveitamento de materiais, redução de embalagens e logística reversa podem diminuir custos, atender exigências ambientais e responder a um consumidor cada vez mais atento à sustentabilidade.

Fonte e foto: Agência Brasil e pesquisa Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População, do Movimento Plástico Transforma em parceria com o Instituto QualiBest.

Edição: Tatiana Sobreira, da Redação da Jovem Pan News Vitória.

Autor