A ilha vai tremer. Hoje, (26), Parintins, no interior do Amazonas, para de existir como cidade comum e se transforma na capital mundial do folclore. Por três noites consecutivas, o 59º Festival Folclórico de Parintins coloca frente a frente os bois-bumbás Garantido e Caprichoso em uma disputa que não é apenas artística, é uma questão de honra, identidade e alma amazônica.
A Ilha da Magia e o festival que não cabe em palavras
Parintins fica na Ilha Tupinambarana, no Rio Amazonas, a cerca de 420 km de Manaus. Não há acesso por estrada. Só se chega de avião ou barco. Esse isolamento geográfico, longe de ser um obstáculo, faz parte da magia. Quem chega à ilha pela primeira vez entende que o festival não começa no Bumbódromo, começa na travessia do rio, quando o azul e o vermelho já dominam as fachadas, as roupas e os corações.
Reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro e considerado o maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo, o Festival de Parintins reúne música, dança, artes visuais e narrativas inspiradas na Amazônia, mobilizando milhões de espectadores em todo o país.
Como funciona o espetáculo
O Festival acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho. Cada agremiação terá cerca de duas horas e 30 minutos para se apresentar por noite. O Bumbódromo abrirá as portas às 17h para o grande público, mas os espetáculos começarão às 21h, no horário de Brasília.
O espetáculo de cada boi envolve 21 itens, além de personagens folclóricos que não podem faltar, como Pai Francisco, Mãe Catirina e Gazumbá. Os itens são divididos em três blocos: o Bloco A reúne quesitos comuns e musicais; o Bloco B abrange cenografia e coreografia; e o Bloco C concentra a parte artística. Entre os quesitos mais aguardados estão o levantador de toadas, a cunhã-poranga, o amo do boi, a sinhazinha da fazenda e a porta-estandarte. A apuração das notas ocorre sempre na segunda-feira após o festival e será no dia 30 de junho.
Os temas de 2026
O Boi Garantido, atual campeão, chega defendendo o tema “Parintins: Portal do Encantamento”, com uma proposta de imersão nos encantos, narrativas e manifestações culturais da Amazônia, exaltando elementos que compõem a identidade do povo parintinense.
O Boi Caprichoso levará para a arena o tema “Brinquedo que Canta Seu Chão“, com os subtemas “O Brinquedo do Povo Canta: Parintins — O Chão de Origem”, “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia, o Chão da Vida” e “O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil — Chão de Bravos”.
Quem abre e quem fecha
O Boi Caprichoso abre as apresentações nas três noites do festival. O Garantido encerra cada noite de espetáculo. A ordem foi definida em sorteio realizado no Bumbódromo, com os presidentes das duas agremiações.
O placar histórico entre os bumbás
A rivalidade entre Garantido e Caprichoso é uma das mais longevas e apaixonadas do Brasil. O Boi Garantido é o campeão em exercício, tendo conquistado seu 33º título em 2025 com o tema “Boi do Povo, Boi do Povão”, quebrando um ciclo de três vitórias seguidas do rival. No histórico geral, o Garantido lidera com 33 títulos, enquanto o Caprichoso soma 25 conquistas. Em 2000, houve empate, o único na história do festival.
A cidade que triplica
Segundo dados da Fecomercio-AM, o festival mobiliza mais do que o dobro da população da cidade, com mais de 100 mil pessoas acessando a ilha no período, entre visitantes do Brasil e do exterior. Em 2025, cerca de 120 mil visitantes passaram por Parintins durante o evento. Para 2026, a estimativa é de crescimento de 5%, podendo chegar a aproximadamente 126 mil turistas. O evento também impulsionou a movimentação aérea, foram registradas 1.038 operações aéreas em Parintins em 2025, sendo 190 voos comerciais e 848 operações de aeronaves particulares.
O impacto milionário na economia
Para 2026, a expectativa é de que o festival gere aproximadamente R$ 193,2 milhões em impacto econômico direto e indireto, além de mais de 30 mil postos de trabalho em diferentes setores. Entre 2019 e 2025, o festival recebeu aproximadamente 525 mil turistas e movimentou cerca de R$ 706 milhões em receita direta para o município. A cadeia produtiva vai muito além do Bumbódromo: costureiras, artesãos, cenógrafos, músicos, comerciantes, vendedores ambulantes e comunidades ribeirinhas vivem do festival ao longo de todo o ano. Pesquisa da Universidade Federal do Amazonas revela que 76,4% dos artesãos de Parintins concentram seu faturamento quase exclusivamente durante o mês de junho: o chamado “Junho Ouro”.
A emoção de quem vai pela primeira vez
Quem pisa em Parintins, durante o festival pela primeira vez, raramente consegue descrever o que sente com precisão. A cidade inteira vibra. As ruas são divididas entre o azul e o vermelho. A rivalidade entre Garantido e Caprichoso divide a cidade de Parintins literalmente ao meio. Ruas, casas, comércios e até famílias se posicionam por um dos bois. Cada boi tem seu próprio bairro sede, chamado de curral. Dentro do Bumbódromo, a mistura de alegorias imensas, toadas que arrepiam e a força da galera torce em sincronia cria uma experiência sensorial sem equivalente no Brasil.
Como chegar até a Ilha da Magia
Para chegar a Parintins, o caminho mais comum é via Manaus (AM) ou Santarém (PA), que é de onde partem os voos e os transportes fluviais. De avião, o trajeto a partir de Manaus dura cerca de 50 minutos. De barco, o percurso pode durar entre 8 e 24 horas, dependendo da embarcação, há barcos regionais tradicionais e opções mais confortáveis, como ferry boats, à jatos e cruzeiros turísticos. A recomendação unânime é planejar com antecedência: passagens, hospedagem e ingressos esgotam rapidamente.
Os ingressos oficiais do Festival de Parintins 2026 variam entre R$ 1.000 e R$ 4.800 para os passaportes completos das três noites. Os ingressos avulsos custam entre R$ 1.000 e R$ 1.600 por noite, dependendo do setor. Para quem busca a experiência sem custo, as galeras — arquibancadas gratuitas — são uma opção vibrante: quem entra precisa torcer, cantar e dançar durante toda a apresentação.
O festival começa esta noite. E anualmente é realizado no mesmo formato. E quem ainda não foi, tem uma conta a acertar com a Amazônia.
Fonte e fotos: Governo do Amazonas, Secretaria de Cultura e Economia Criativa, AmazonasTur, Polícia Federal e Ministério Público Federal
Edição: Tatiana Sobreira, da Redação Jovem Pan News Vitória







