Mulheres são maioria entre os eleitores capixabas, comandam quase metade dos lares e sustentam milhares de famílias sozinhas. Ainda assim, ocupam poucos espaços de poder no Espírito Santo.
Apesar do crescimento das candidaturas femininas nas eleições brasileiras, a presença das mulheres nos espaços de decisão política continua distante da proporção que elas representam na sociedade. O cenário foi destacado em reportagem da Agência Brasil e se repete no Espírito Santo, onde as mulheres são maioria entre os eleitores, lideram milhares de famílias e movimentam a economia, mas seguem sub-representadas nos cargos eletivos.
Segundo a reportagem da Agência Brasil, as candidaturas femininas vêm registrando aumento gradual nos últimos pleitos, impulsionadas pelas cotas partidárias e pelo financiamento específico para mulheres. No entanto, o avanço ainda não se traduz em mais eleitas.
No Espírito Santo, o contraste é evidente.
Eleições 2026: Mulheres capixabas são maioria
Dados do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) apontam que as mulheres representam a maior parcela do eleitorado do Estado. São 1.571.096 eleitoras, o equivalente a 52% dos quase 3 milhões de eleitores aptos a votar.
Na prática, isso significa que mais da metade das decisões tomadas nas urnas capixabas passam pelas mãos femininas.Ainda assim, essa força eleitoral não se reflete na composição dos parlamentos.
Assembleia Legislativa tem apenas quatro mulheres
Atualmente, a Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) conta com apenas quatro deputadas estaduais entre os 30 parlamentares, o que representa pouco mais de 13% das cadeiras.
A diferença entre o tamanho do eleitorado feminino e sua representação política levanta debates sobre os obstáculos enfrentados pelas mulheres na disputa eleitoral, tais como o menor acesso às estruturas partidárias, dificuldade de financiamento de campanhas, a violência política de gênero, ainda a dupla jornada de trabalho e para além da resistência cultural à ocupação feminina dos espaços de poder.
IBGE:Mães solo sustentam milhares de lares no Espírito Santo
Os desafios da participação política feminina se somam às responsabilidades assumidas pelas mulheres dentro de casa.
Dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 45,5% dos lares capixabas têm mulheres como responsáveis pela família. São aproximadamente 650 mil domicílios liderados por elas.
Entre essas mulheres, quase 28% são mães solo.
Ao todo, 184.412 lares no Espírito Santo são mantidos por mulheres que criam os filhos sozinhas, acumulando responsabilidades financeiras, emocionais e domésticas.
O dado ajuda a explicar por que a participação política feminina ainda enfrenta barreiras adicionais.
Entre a maioria nas urnas e a minoria nos parlamentos
Especialistas apontam que o crescimento das candidaturas é um passo importante, mas insuficiente.
A presença feminina na política não depende apenas do interesse das mulheres em disputar eleições, mas também da criação de condições reais de igualdade dentro dos partidos e da própria sociedade.
A situação chama atenção justamente porque as mulheres ocupam posições centrais na vida econômica e social do país, elas representam a maioria do eleitorado, lideram quase metade das famílias, sustentam milhares de lares sozinhas e desempenham papel decisivo nas escolhas políticas do Estado. Mesmo assim, continuam sendo minoria nos espaços institucionais de poder.
Comando político delas: retrato do Brasil
O cenário capixaba acompanha uma realidade observada em todo o país.
De acordo com a reportagem da Agência Brasil, embora as mulheres já representem 53% do eleitorado brasileiro, elas seguem sub-representadas nos cargos eletivos.
Dados compilados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, entre as eleições realizadas entre 2018 e 2024, as mulheres responderam, em média, por 34% das candidaturas registradas, mas ocuparam apenas 17% das vagas conquistadas nas urnas. No Congresso Nacional, elas representam cerca de 18% dos parlamentares, percentual inferior à média mundial de participação feminina nos legislativos. O contraste evidencia que o aumento das candidaturas, impulsionado pelas cotas partidárias e pelas regras de financiamento eleitoral, ainda não foi suficiente para garantir maior equilíbrio na representação política brasileira.
A discrepância também aparece nas eleições municipais. Segundo dados da Justiça Eleitoral destacados pela Agência Brasil, apenas cerca de 13% das prefeituras brasileiras são comandadas por mulheres, enquanto as vereadoras ocupam menos de um quinto das cadeiras nas câmaras municipais.
O resultado reforça que os desafios enfrentados pelas mulheres na política vão além do acesso às candidaturas e passam por fatores como financiamento de campanha, violência política de gênero, desigualdade na divisão do trabalho doméstico e barreiras culturais ainda presentes no processo eleitoral brasileiro.
Fonte: Agência Brasil; Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ALES.
Leia também: Agência Brasil – Candidaturas femininas crescem, mas número de eleitas continua baixo
Edição: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória.







