Ator, diretor, professor e fundador do Teatro da Barra dedicou mais de oito décadas à arte e à valorização da cultura popular no Espírito Santo

O teatro capixaba perdeu uma de suas maiores referências com a morte de Paulo de Paula, ocorrida na noite da última quarta-feira, 13 de maio de 2026. Aos 94 anos, o artista deixa um legado histórico para as artes cênicas e para a cultura popular do Espírito Santo, sendo lembrado como um dos principais responsáveis pela construção da identidade teatral capixaba contemporânea.

Fundador do tradicional Teatro da Barra e um dos nomes ligados à consolidação da Banda de Congo da Barra do Jucu, em Vila Velha, Paulo de Paula construiu uma trajetória marcada pela defesa da cultura popular, pela formação de artistas e pela democratização do acesso ao teatro.

Segundo familiares, o artista morreu após complicações de saúde decorrentes de uma cirurgia. A informação foi divulgada por veículos locais e confirmada pela família.

Uma vida inteira dedicada ao palco

Nascido em Ipanema, Minas Gerais, em 1932, Paulo de Paula chegou ainda bebê ao Espírito Santo, estado que adotaria como sua casa e cenário de toda a sua construção artística. O contato com o teatro começou cedo: aos quatro anos de idade, já participava de apresentações e desenvolvia uma relação profunda com a arte dramática.

Com formação em Comunicação e Expressão e especialização em direção teatral, Paulo também mergulhou no universo acadêmico, desenvolvendo pesquisas sobre teatro e linguagem artística. Sua trajetória uniu prática, ensino e pesquisa, tornando-o uma referência intelectual e artística dentro e fora dos palcos.

Teatro da Barra: um símbolo cultural do Espírito Santo

Em 1974, Paulo de Paula fundou o Teatro da Barra, espaço que se transformaria em um dos principais centros de resistência e produção cultural do Espírito Santo. Mais do que um grupo teatral, o projeto se tornou um ponto de encontro entre arte, memória e identidade popular.

Localizado na Barra do Jucu, o Teatro da Barra consolidou uma linguagem artística profundamente conectada ao cotidiano do povo capixaba, às manifestações populares e à cultura tradicional da região.

O espaço também acumulou um importante acervo histórico sobre as artes cênicas capixabas, reunindo documentos, registros e memórias fundamentais para pesquisadores e artistas.

Guardião da cultura popular

Além da atuação no teatro, Paulo de Paula teve participação decisiva na preservação do congo capixaba, uma das manifestações culturais mais tradicionais do Espírito Santo.

Sua ligação com a Banda de Congo da Barra do Jucu ajudou a fortalecer e ampliar a valorização dessa expressão cultural, levando a tradição popular capixaba para novos públicos e diferentes gerações.

Ao longo da vida, Paulo defendeu uma arte conectada às raízes populares e à ancestralidade cultural do Estado. Em suas produções, era comum a presença de elementos ligados à oralidade, às festas populares e às tradições das comunidades capixabas.

Mestre de gerações

Paulo de Paula também ficou conhecido pelo papel de formador de artistas. Centenas de atores, diretores, professores e produtores culturais passaram por suas orientações ao longo das últimas décadas.

No meio artístico, era reconhecido pela generosidade, pela paixão pelo ensino e pela defesa permanente da cultura como instrumento de transformação social.

Após a confirmação da morte, artistas e representantes culturais prestaram homenagens nas redes sociais. O diretor Wyller Villaças afirmou que Paulo “é, sem dúvidas, o nome mais importante do teatro no Espírito Santo”. Já o ator e escritor Duillio Kuster Cid definiu o artista como “formador de toda uma geração de teatro”. O cenógrafo Dudu Guimarães destacou que “perder Paulo é como perder parte da memória do nosso teatro”.

Legado eterno para a cultura capixaba

A morte de Paulo de Paula representa uma perda irreparável para a cultura do Espírito Santo. Sua trajetória ajudou a construir parte importante da história das artes cênicas capixabas e consolidou um modelo de teatro comprometido com identidade, pertencimento e transformação social.

Mais do que espetáculos e projetos culturais, Paulo deixa como herança a valorização da arte popular, da memória coletiva e da cultura feita a partir das comunidades.

Seu nome permanece eternizado na história do teatro capixaba e na memória de todos que tiveram suas vidas atravessadas por sua arte.

Homenagens destacam dimensão humana e artística de Paulo de Paula

A morte de Paulo de Paula gerou forte comoção entre artistas, produtores culturais, jornalistas e representantes da cena cultural do Espírito Santo. Diversas homenagens publicadas nas redes sociais e em entrevistas reforçam a importância histórica do artista para o teatro e para a cultura popular capixaba.

O jornalista cultural Giba Medeiros, que possui uma longa trajetória na cobertura de pautas culturais e na assessoria de importantes artistas do Espírito Santo, lamentou a perda e destacou a dimensão humana de Paulo de Paula.

“Conheci Paulo de Paula quando era jovem e amigo de seus netos e netas. Era uma pessoa encantadora, gentil, intelectual e realizadora. O encantamento de Paulo de Paula é um marco na história do teatro capixaba, assim como foi toda sua vida”.

A declaração se soma a diversas manifestações de reconhecimento ao legado deixado pelo fundador do Teatro da Barra, lembrado por colegas e admiradores como um dos maiores responsáveis pela valorização das artes cênicas e da cultura popular no Espírito Santo.

Fontes e foto: O Capixaba, A Gazeta, Tribuna OnlineEdição: Tatiana Sobreira, da Redação da Jovem Pan News Vitória

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