Nove vigilantes se tornaram réus em uma ação penal que investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de capturar, torturar e agredir pessoas em situação de rua no Espírito Santo. Oito acusados estão presos e um permanece foragido. A denúncia do Ministério Público do Espírito Santo foi recebida pela Justiça no dia 7 de agosto.

Segundo as investigações, os suspeitos utilizavam a atividade de segurança privada para retirar pessoas em situação de rua de áreas monitoradas por uma empresa. Um dos casos investigados terminou na morte de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues, conhecido como “Bracinho”, na Serra.

Na decisão que recebeu a denúncia, o juiz Vinícius Doná de Souza afirmou que os elementos reunidos indicam, em tese, que o homicídio não teria sido um episódio isolado e que o grupo funcionaria como uma “milícia privada” sob o pretexto de prestar serviços de segurança.

Investigação começou após desaparecimento

A investigação começou depois que uma mãe procurou a Polícia Civil para informar o desaparecimento do filho, que vivia em situação de rua na região da Praia do Suá, em Vitória.

A partir de imagens de videomonitoramento, os investigadores identificaram um veículo com homens uniformizados e chegaram à empresa de vigilância privada.

De acordo com o delegado Tarcísio Otoni, da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas, a polícia identificou dezenas de episódios de violência. Três casos já apresentavam elementos considerados suficientes para encaminhamento à Justiça: o homicídio de Marcos Vinícius e dois casos de tortura.

Homicídio aconteceu após supostas agressões

Segundo a denúncia, Marcos Vinícius já havia sido agredido anteriormente. Conforme relatado pelo delegado, em 8 de março ele teria sido torturado depois de entrar em um condomínio monitorado pela empresa, episódio que teria incluído a extração de um dente.

Dias depois, em 17 de março, os investigadores apontam que o grupo teria localizado Marcos na Praia do Suá, em Vitória. Parte dos acusados teria utilizado simulacros de armas de fogo para abordá-lo e colocá-lo à força em um veículo.

A investigação aponta que os suspeitos seguiram para uma área de mata em Nova Almeida, na Serra, onde Marcos teria sido agredido e abandonado gravemente ferido. Posteriormente, um dos envolvidos teria retornado ao local e encontrado a vítima morta.

Segundo a decisão judicial, no dia seguinte, quatro integrantes teriam retornado ao local para ocultar o corpo em uma cova rasa em uma plantação de eucaliptos.

Grupo teria comunicação organizada

A investigação também identificou um grupo de WhatsApp chamado “Rondas”, que seria utilizado pelos vigilantes para comunicação.

De acordo com a decisão judicial, Ralson Amâncio Chagas exerceria a liderança operacional e teria coordenado ações relacionadas à captura de Marcos e à posterior ocultação do corpo.

A Justiça manteve a prisão preventiva dos oito acusados que estão presos. Os nove réus ainda poderão apresentar resposta à acusação e não foram julgados. Portanto, todos são considerados inocentes até eventual condenação definitiva.

Quem são os nove réus

  • Ralson Amâncio Chagas – preso. Segundo a decisão, era o coordenador operacional e apontado como líder do grupo.
  • Celso Henrique de Azevedo – preso.
  • Gabriel dos Santos Amaral – preso.
  • Thiago Gonçalves – preso.
  • Saimon Sales César – preso.
  • Paulo Henrique Esteves Silva – preso.
  • Gabriel Fittipaldi, conhecido como “Pimentel” – preso.
  • Rafael de Souza Silva – preso.
  • Lucas Miguel Oliveira dos Santos, conhecido como “Mec” – foragido.

Contratantes também são investigados

A Polícia Civil também apura uma possível responsabilidade de contratantes da empresa de vigilância.

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, caso seja comprovado que os contratantes tinham conhecimento da forma de atuação dos vigilantes, eles também poderão responder nas esferas criminal e civil.

Fonte e foto: Folha Vitória, com informações da Polícia Civil do Espírito Santo e do Ministério Público do Espírito Santo. (Folha Vitória)

Edição: Tatiana Sobreira – Jovem Pan News Vitória.

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