Ensinar a cultura popular capixaba dentro da sala de aula é a proposta do Instrumentarte, projeto que leva mestres e integrantes de bandas de congo para escolas públicas de Vitória. Em 2026, a iniciativa atende mais de 200 estudantes, distribuídos em oito turmas de quatro unidades da rede municipal.

Com mais de 25 anos de trajetória, o projeto aproxima crianças e jovens dos instrumentos, das toadas, dos ritmos e dos conhecimentos tradicionais que fazem parte da história do Espírito Santo. As atividades combinam conteúdos teóricos e práticas de música, canto e dança, permitindo que os estudantes aprendam diretamente com os detentores desses saberes.

O projeto foi habilitado e classificado na área de Cultura Popular da Lei Rubem Braga.

Quem são os mestres

Entre os responsáveis pelas atividades está o mestre Valdemiro Sales, da Banda de Congo Panela de Barro, de Goiabeiras. Ele já atua há anos na iniciativa e é reconhecido pelo trabalho de transmissão do conhecimento do congo às novas gerações.

Também participam do projeto mestras e mestres das bandas de congo Panela de Barro e Amores da Lua. A Comissão Espírito-Santense de Folclore informa que o trabalho conta ainda com a atuação do folclorista Wander Silva, conhecido como Sagrilo, que está entre os coordenadores históricos da iniciativa. Após a morte do mestre Reginaldo Barbosa Sales, seu neto, Ricardo Sales, passou a ocupar papel de destaque na continuidade do projeto.

No primeiro vídeo da série divulgada pela Comissão Espírito-Santense de Folclore em 2026, aparecem o mestre Waldemiro Sales e a mestra Ruth da Conceição, durante uma atividade no CMEI Jacinta Ferreira de Souza Simões, em Goiabeiras.

Quatro escolas participam em 2026

Nesta edição, o Instrumentarte está presente em quatro unidades da rede municipal de Vitória:

  • CMEI Jacinta Ferreira de Souza Simões, em Goiabeiras;
  • EMEF Adão Benezarth, em Antônio Honório;
  • CMEI Geisla da Cruz Militão, em Redenção;
  • EMEF Orlandina D’Almeida Lucas, em São Cristóvão.

A proposta é fazer com que o conhecimento dos mestres seja transmitido diretamente às novas gerações, mantendo vivos instrumentos, ritmos, cantos e práticas tradicionais do congo capixaba.

Cultura popular dentro da escola

O Instrumentarte também dialoga com as diretrizes educacionais que estabelecem o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas, previstas nas Leis Federais nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008.

A experiência já foi incorporada à rede municipal de Vitória há anos. Registros da Prefeitura mostram que o projeto tem como uma de suas características justamente a presença dos mestres das bandas de congo dentro das escolas, aproximando o aprendizado formal dos saberes tradicionais.

Em 2026, a iniciativa amplia esse trabalho em quatro escolas e reforça a transmissão da cultura do congo por meio do contato direto entre estudantes e mestres da cultura popular.

Fontes e fotos oficiais:  

Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória

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