Um tremor de terra de magnitude 2,1 foi registrado na tarde deste sábado (20) nas proximidades do município de Piúma, no litoral Sul do Espírito Santo. O abalo sísmico ocorreu às 14h12 e foi considerado de baixa intensidade, sem registro de feridos ou danos materiais.
O fenômeno foi identificado pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Segundo os especialistas, este foi o primeiro tremor oficialmente registrado no Espírito Santo desde julho de 2021, quando um abalo de magnitude 1,4 foi detectado no município de Pancas, no Noroeste capixaba.
De acordo com a doutora em Geologia e coordenadora do Laboratório de Neotectônica e Sismologia (Lanesi) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Luiza Bricalli, eventos dessa magnitude são classificados como fracos e liberam pouca energia.
“Eventos abaixo de magnitude 3,0 geralmente são considerados pequenos e raramente causam danos. Em alguns casos, o tremor pode ser sentido por pessoas que estão em repouso, em ambientes silenciosos ou próximas ao epicentro”, explicou a pesquisadora.
Tremor foi considerado raso
Segundo os dados preliminares divulgados pela USP, o sismo registrou magnitude de 2,13 na Escala Richter. A profundidade aparece como zero quilômetro no sistema, mas isso não significa que o tremor tenha ocorrido na superfície.
Os pesquisadores explicam que a ausência de profundidade definida indica apenas que não houve informações suficientes para calcular esse parâmetro com precisão, classificando o evento como um tremor raso. A universidade ressalta ainda que os dados poderão passar por revisões técnicas.
Mais de 40 tremores já foram registrados no Espírito Santo
Embora incomuns para parte da população, os abalos sísmicos não são novidade no território capixaba. Levantamento do Lanesi/Ufes aponta que mais de 40 eventos sísmicos já foram catalogados no Espírito Santo desde o século XVIII. O primeiro registro conhecido data de 1767.
Especialistas afirmam que esses fenômenos estão relacionados principalmente à reativação de antigas falhas geológicas existentes no interior da Placa Sul-Americana. Mesmo distante das bordas das placas tectônicas — regiões onde ocorrem os grandes terremotos do planeta — o Brasil pode registrar pequenos sismos devido às pressões geológicas naturais exercidas sobre a crosta terrestre.
“Mesmo em áreas consideradas tectonicamente estáveis, estruturas geológicas podem acumular tensões e liberar energia na forma de sismos”, destacou Luiza Bricalli.
Além da movimentação de falhas antigas, processos de acomodação de sedimentos e reativações neotectônicas também podem favorecer a ocorrência de tremores.
Maior terremoto da história capixaba ocorreu em 1955
O episódio sísmico mais expressivo já registrado no Espírito Santo ocorreu em 28 de fevereiro de 1955. Com magnitude estimada entre 6,1 e 6,3, o terremoto teve epicentro a cerca de 300 quilômetros da costa capixaba e é considerado o segundo maior da história do Brasil.
Apesar de não ter provocado vítimas, o tremor causou rachaduras em imóveis, queda de telhados e relatos de pânico em diversas cidades do Estado.
Mais recentemente, outros eventos de menor magnitude também foram registrados em municípios como Ecoporanga, Pancas e até mesmo na região da Grande Vitória.
Novos tremores podem ocorrer
Especialistas não descartam a possibilidade de novos abalos secundários nos próximos dias ou semanas. No entanto, a avaliação técnica é de que o Espírito Santo está distante das áreas de maior atividade sísmica do planeta, o que reduz significativamente o risco de terremotos de grande magnitude.
No Brasil, a média dos sismos registrados costuma ficar em torno de magnitude 3, considerada baixa.
O que fazer durante um tremor de terra
Caso um tremor seja sentido, a orientação dos especialistas é procurar um local seguro e evitar áreas onde haja risco de queda de objetos.
Dentro de casas ou edifícios, a recomendação é manter distância de janelas, vidros e móveis que possam tombar. Já em áreas externas, o ideal é afastar-se de postes, fachadas, muros e redes elétricas.
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Fontes: G1 Espírito Santo, Folha Vitória e A Gazeta
Editado por: Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória







