O Espírito Santo enfrenta um cenário de agravamento da estiagem, com a redução das chuvas aumentando a preocupação com os impactos sobre a agricultura, os recursos hídricos e o abastecimento em diferentes regiões do Estado.
O cenário chama atenção especialmente porque o Espírito Santo passou por uma mudança significativa nas condições de seca ao longo de 2026. Em março, o monitoramento do Incaper apontava que os 78 municípios capixabas estavam classificados como sem seca relativa.
Nos meses seguintes, porém, a situação mudou. O monitoramento passou a registrar municípios classificados em diferentes níveis de seca, incluindo seca fraca e moderada. Dados do Incaper mostram que, em janeiro, por exemplo, Ecoporanga e Mucurici já apareciam na categoria de seca moderada, enquanto diversos outros municípios estavam em seca fraca.
Período seco exige atenção
A redução das chuvas durante o inverno é um fenômeno esperado no Espírito Santo, mas períodos prolongados de tempo seco podem aumentar o déficit hídrico e provocar impactos principalmente no campo.
A agricultura está entre as atividades mais sensíveis. A falta de chuva pode afetar o desenvolvimento das lavouras, reduzir a disponibilidade de água para irrigação e aumentar a necessidade de planejamento por parte dos produtores, com destaque para culturas como café, frutas, pimenta-do-reino e produção de alimentos, o que torna o acompanhamento das condições de chuva especialmente importante.
O próprio Incaper desenvolve pesquisas voltadas ao desenvolvimento de cultivares de café mais resistentes à seca, justamente diante da necessidade de aumentar a capacidade de adaptação da agricultura capixaba.
Incaper monitora condições meteorológicas
Em boletim divulgado na semana passada, o instituto apontava possibilidade de chuva rápida principalmente na Grande Vitória, região Sul e região Serrana, enquanto áreas do Norte e Noroeste apresentavam previsão de tempo mais firme e sem chuva.
Essa diferença entre as regiões é importante porque o impacto da estiagem não ocorre necessariamente da mesma forma em todo o território capixaba.
A falta de chuva prolongada aumenta a preocupação entre produtores rurais.
Em culturas que dependem da regularidade das precipitações, períodos de déficit hídrico podem provocar redução da produtividade, principalmente quando ocorrem em fases importantes do desenvolvimento das plantas.
A mudança foi registrada pelo Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e discutida nesta terça-feira (18) pelos órgãos que integram o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) El Niño.
Em junho, os 100% do território capixaba estavam classificados como seca fraca. Um mês depois, todo o Estado passou para a categoria de seca moderada, indicando que os efeitos da falta de chuva já podem alcançar atividades agrícolas e pecuárias, além de rios, reservatórios e poços.
Entre os impactos apontados estão danos às pastagens, perda de peso do gado, possível redução na produção de leite e risco maior de incêndios florestais. Também existe preocupação com a redução dos níveis de água e da disponibilidade hídrica em comunidades rurais.
Recursos hídricos também entram no radar
Além da agricultura, a estiagem exige acompanhamento dos rios, córregos, reservatórios e demais fontes de abastecimento.
O acompanhamento do balanço hídrico é uma das ferramentas utilizadas pelo Incaper para avaliar a disponibilidade de água no solo e as condições para as atividades agrícolas.
Em períodos de estiagem, a orientação é evitar desperdícios e adotar medidas de uso consciente da água.
Entre as principais recomendações estão:
- evitar lavar calçadas e veículos com água em excesso;
- corrigir vazamentos;
- reduzir o tempo de banho;
- reutilizar água sempre que possível;
- evitar desperdício durante a limpeza de áreas externas;
- utilizar água de forma racional em jardins e hortas.
Fonte e foto: Incaper, Monitor de Secas e Dia a Dia ES. (Incaper)
Imagem: arquivo Incaper
Edição: Redação Jovem Pan News Vitória







