Uma combinação improvável está conquistando espaço no campo e nas feiras do Espírito Santo: pimenta-do-reino e cocada.

Em Jaguaré, no Norte capixaba, a produtora rural Poliane Silva encontrou uma maneira criativa de transformar uma especiaria tradicional da propriedade em um produto diferente e, ao mesmo tempo, criar uma nova fonte de renda para a família.

A ideia surgiu depois que ela começou a ajudar o companheiro nas atividades da propriedade rural, onde a família também trabalha com café. Poliane já produzia cocada de café e decidiu testar a pimenta-do-reino como ingrediente.

Foram necessários vários testes até chegar ao ponto considerado ideal: um doce em que a ardência aparece aos poucos, sem dominar o sabor da cocada. O produto passou a ser vendido em feiras, eventos e também por encomenda.

Do campo para a cozinha

A experiência mostra como a diversificação pode ser uma alternativa para aumentar o valor dos produtos rurais.

Em vez de comercializar a pimenta-do-reino apenas como especiaria, o produtor pode buscar novas formas de apresentação e agregar valor à matéria-prima.

No caso da cocada, a pimenta deixa de ser apenas um tempero e passa a fazer parte de um produto artesanal com identidade própria.

A receita também ajuda a aproximar o consumidor da origem do alimento e valoriza o trabalho das famílias que vivem da agricultura.

Jaguaré tem força na produção de pimenta-do-reino

A história da cocada acontece em uma região que já tem tradição no cultivo da especiaria.

Segundo informações divulgadas a partir da reportagem do G1, Jaguaré é o segundo maior produtor de pimenta-do-reino do Espírito Santo, atrás de São Mateus.

O município produziu aproximadamente 10 mil toneladas em 2025 e a expectativa para 2026 é chegar a 15 mil toneladas.

A cultura também representa uma alternativa importante para propriedades que trabalham com outras atividades agrícolas, como o café.

Um exemplo é a família de Jarbas Nicoli, que cultiva pimenta-do-reino desde a década de 1970 e possui cerca de 80 hectares plantados.

Uma especiaria que virou oportunidade

A criatividade dos produtores capixabas mostra uma tendência cada vez mais importante no meio rural: não depender de um único produto para gerar renda.

A transformação de ingredientes agrícolas em alimentos processados permite que parte do valor fique na própria propriedade ou na comunidade.

Doces, geleias, cafés especiais, farinhas, conservas e outros produtos artesanais podem transformar uma produção tradicional em uma experiência diferente para o consumidor.

No caso da cocada com pimenta-do-reino, o diferencial está justamente na surpresa.

À primeira vista, é um doce tradicional. Depois da primeira mordida, aparece o sabor característico da especiaria.

Produção enfrenta desafios

Apesar do crescimento esperado, o cultivo da pimenta-do-reino também enfrenta dificuldades.

Entre os desafios relatados estão doenças nas plantas, falta de mão de obra para a colheita e temperaturas elevadas.

Por isso, além de aumentar a produtividade, produtores buscam alternativas para melhorar o aproveitamento daquilo que já é produzido.

A transformação em alimentos artesanais é uma dessas possibilidades.

Doce, picante e capixaba

A cocada de pimenta-do-reino é mais do que uma receita inusitada.

Ela representa uma história de criatividade, agricultura familiar, diversificação e empreendedorismo rural.

Em uma propriedade onde o café e a pimenta já fazem parte da rotina, uma ideia simples transformou ingredientes do campo em um produto novo.

E a receita revela uma característica importante do Espírito Santo: a capacidade de transformar produtos tradicionais em novas experiências para o consumidor.

A pimenta que antes ia direto para a comercialização agora também pode chegar à mesa em forma de doce.

Fonte: G1 Espírito Santo,

Foto: Reprodução/TV Gazeta

Por Tatiana Sobreira – Jovem Pan News Vitória

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